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domingo, 26 de dezembro de 2010

Fim de Ano

Desejo um Feliz Natal atrasado a todos os leitores deste blog. E um bom 2011.

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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Aumento salarial dos parlamentares (2)

O Cristiano Costa postou isso em algum lugar, o Ph Berman me indicou e lá vai o vídeo para o meu blog. Esse vídeo mostra como é a vida de um parlamentar sueco.



Compare com o nosso aumento salarial de 62% para a classe política no final do mandato e eleições já definidas.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Aumento salarial dos parlamentares

Alguém leu o texto que postei na quinta-feira passada? Tudo que eu escrevi sobre o Judiciário agora pode ser aplicado ao Legislativo, que legisla acerca de seu próprio aumento sem qualquer restrição. Alguma dúvida de que algo está errado na estrutura institucional?

Confesso que minha própria inércia e falta de capacidade de indignação me surpreende. Tenho que praticamente forçar uma indignação, porque emocionalmente já estou acostumado demais com esse tipo de comportamento de nossas elites políticas e econômicas. Ao mesmo tempo, fica difícil votar nos partidos de ultra-esquerda (com hífen, sem hífen?), aparentemente os únicos que votaram contra o aumento (pelo menos no RS).

Na minha época de graduação, tive que ler partes do livro "Desigualdade e Pobreza no Brasil", editado pelo Ricardo Henriques do IPEA. O livro é de 2000 e várias coisas mudaram desde lá, mas aprendi que a estrutura tributária brasileira é muito regressiva na disciplina do Prof. Flávio Comim na UFRGS, assim como também a estrutura de gastos - pelo menos até então. Lembro do Prof. Ário Zimmermann também chamar a atenção disso na cadeira de Economia do Setor Público. Não prego aqui necessariamente a progressividade dos impostos, podemos discutir a questão. Se fosse progressiva a tributação, esse aumento obsceno já seria uma afronta à sociedade. Mas regressividade e este tipo de aumento são uma afronta ainda maior aos pobres - situação moralmente mais grave ainda na minha concepção.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Sindicato Eclesiástico

Os padres da Igreja Ortodoxa Búlgara criaram um sindicato. Seus salários não vêm sendo pagos com a regularidade correta, além de outros problemas, afirmam os padres. Um padre ainda teria dito: "Eu não posso comer velas".

Ecumenical News International
News Highlights
14 December 2010

Trade union founded for Bulgarian Orthodox clergy, lay employees

Sofia (ENInews). The founding of a trade union for Bulgarian Orthodox Church priests and church employees has angered at least one member of the senior hierarchy of the church, who denounced it as being against the church's canon law. According to Bulgarian-language media reports on 13 December, the union will be part of Podkrepa, one of the southeastern European country's two national trade union federations. In the north-western town of Vratsa, priests said that they had not been paid on time for a long time and their statutory health and retirement insurance had not been paid, the Standart daily newspaper reported. The Vratsa Metropolitan Kipriyan said, however, it is "absurd" for priests to have a trade union and that this is against the church's own law. [478 words, ENI-10-0807]

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

PISA, educação, salários e o Judiciário

Para quem não tem acompanhado os noticiários nos últimos dias, estão por aí os resultados do PISA 2009 - um teste de educação da OCDE. O Executive Summary com os principais resultados estão aqui. Como esperado, países como Finlândia, Coreia e China se destacaram. Países como Brasil e Argentina amargaram posições de desvantagem no ranking, perdendo para grande parte do Leste Europeu. O Brasil pelo menos mostrou evolução rápida: terá sido também consequência do sufrágio universal a partir de 1988?

Em entrevista na GloboNews sobre o teste da OCDE, um historiador respondeu a pergunta do jornalista acerca da falta de professores de matemática. Segundo o entrevistado, cujo nome esqueci, ele dizia que era difícil manter uma pessoa de nível superior ganhando cerca de 600 reais mensais em condições precárias. Difícil falar em melhoria na educação de fato.

Enquanto isso, o ministro do STF, Cezar Peluso, continua defendendo o aumento de salário dos servidores do Judiciário, como já tinha sido alardeado no mês passado. Na época, ele teria falado de aumento de 56%. Ele negou esse número, mas as justificativas dele para o aumento são ótimas: muita gente sai do Judiciário e vai parar no Legislativo ou Executivo, onde ganham muito mais. E as milhares de pessoas que deixam carreiras de professor do ensino fundamental e médio (e outras muito mais produtivas) para grampear papeis no Judiciário?

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Rodrik indica livros

A despeito das possíveis restrições que o leitor tenha a Dani Rodrik (eu particularmente acho muito interessante a sua pesquisa), ele indica cinco excelentes livros sobre globalização. Quatro dos livros estão associados de alguma forma à história econômica. Dois deles eu já li e os outros eu ainda lerei se Deus deixar (e eu me mexer). Agradeço ao Thales Z. Pereira (ver Lattes) pela dica. Aliás, o Thales está indo para a Summer School em Montevidéu amanhã (como eu já disse no post anterior. Que ele e o Michel (ver Lattes) [com sua pesquisa sobre a indústria de bens de capital na década de 30! Sim, tinha bens de capital antes do II PND] aproveitem.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Escuela de Verano

Aí está o programa da Escola de Verão em História Econômica que vai ocorrer em Montevideo em breve. Apenas para citar alguns presentes, Stephen Broadberry, Jeff Williamson, Jan L. Van Zanden, Jörg Baten e, é claro, Luis Bértola. Gente conhecida na área. Nossos amigos Thales e Michel estarão por lá apresentando seus projetos ou papers! Boa sorte e bom proveito para eles.

domingo, 21 de novembro de 2010

Mudez

A longa mudez deste blog deve-se parcialmente ao fato de que:
(a) três pessoas se hospedaram na casa deste que vos escreve nesse período;
(b) corrigi cerca de 150 provas neste período
(c) estou pensando em três papers ao mesmo tempo: dois deles pensando no evento da Guiness Storehouse, digo, da Associação Europeia de História Econômica em Dublin no ano que vem.
(d) recebi de uma revista B2 as avaliações de três pareceristas. Todos acharam o paper interessante, mas pedem modificações. O famoso "revisar e resubmeter".
(e) final de semestre é sempre desesperador: tanto para professor quanto para aluno.

Ao corrigir provas e rever as listas de exercícios que passei para os alunos, percebi como realmente perdemos a noção da realidade. Lembro-me de que várias vezes observei como professores que vinham de doutorados lá fora acabavam exigindo demais dos alunos sem perceber. Percebi que passei uma lista um pouco pesada pros meus alunos e que a prova não foi tão simples assim. Não foi tão ruim assim, a média ficou entre 6 e 7 em todas as turmas.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Off-topic: na fila do show do Paul

[Post sem relação com os assuntos normalmente tratados neste blog].

Ontem ocorreu o show do ex-beatle Paul McCartney em Porto Alegre. Devido a uma reportagem da RBS (responsável pela transmissão da Rede Globo no RS e em SC), fui alçado à condição de famoso por um dia. Minha atuação musical na fila do show foi transmitida no horário nobre do noticiário "Fantástico", logo após os gols do Brasileirão [ver particularmente 1:00 - 1:10] . Uma reportagem mais extensa também foi transmitida no "Teledomingo", o noticiário local de domingo [ver particularmente 2:03 - 2:40].

Recebi uma enxurrada de emails, scraps e mensagens no mural do Facebook.

Obrigado, Paul. Pelo show, é claro.

sábado, 6 de novembro de 2010

Anos de escolaridade

Segundo o últimos dados divulgados pelo PNUD, o brasileiro adulto tem em média 7,17 anos de escolaridade, enquanto que o cidadão adulto do Zimbábue, país em último lugar no ranking do IDH e que ainda sofre com a ditadura de Robert Mugabe, tem em média 7,24 anos de escolaridade.

Agradeço ao Prof. Sabino por ter postado isso em seu Facebook.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Semper reformanda

No dia 31 de outubro de 1517, dizem que um monge agostiniano e professor de teologia chamado Martin Luther afixou um documento hoje conhecido como "As 95 Teses" na porta da Igreja do Castelo de Wittemberg (Schlosskirche), uma pequena cidade próxima a Berlin (cerca de 40 minutos de trem).

A chamada Reforma Protestante desencadeou profundas mudanças na sociedade europeia. Em primeiro lugar, o monopólio da Igreja Católica Romana na Europa Ocidental terminou. Mantiveram-se os monopólios regionais - certas regiões como o norte da Alemanha e os países escandinavos aderiram ao luteranismo, enquanto que diversos cantões suíços posteriormente adotaram a teologia reformada de Calvino e Zwinglio. Desenvolvimentos posteriores (e após muitos conflitos lamentavelmente violentos) geraram outras denominações protestantes. Nesse caldo efervescente, alguns exemplos de liberdade religiosa surgiram na Holanda - em que juntos conviveram por algum tempo os predominantes calvinistas, católicos, judeus e luteranos. Os ingleses, com a Igreja Anglicana e diversos conflitos, também tiveram que aprender a tolerar o diferente. E sem toda essa diversificação, é impensável o que teria sido da história não apenas eclesiástica, mas também secular, da Europa Ocidental e de todo o mundo.

Minha família coreana, pelo lado de meu pai, origina-se do calvinismo presbiteriano, mas morando no Rio Grande do Sul, meu pai optou pelo luteranismo. Por outro lado, minha mãe frequenta uma igreja pentecostal. E para complicar a situação, Porto Alegre é uma cidade extremamente secularizada - em que deve se contar o positivismo como ideologia dominante até o início do século XX e a pluralidade étnica e religiosa. No entanto, a minha participação em diversos eventos do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) tem sido frutífera em descobrir o que há de positivo na minha própria confissão. Tenho me tornado cada vez mais luterano e não apenas por uma questão de identidade. Ainda assim, tenho aprendido muito principalmente com ortodoxos e reformados. E não posso deixar de citar algumas leituras anglicanas. E estou cada vez mais cristão e luterano.

Ontem mesmo um pentecostal que conheço do CMI também disse que comemora a Reforma. E não porque significa uma ruptura com o catolicismo, do qual também aprendi através de alguns amigos católicos. A ruptura foi uma necessidade diante da situação, uma vez que não havia outra solução para o impasse. Lutero nunca quis a separação, mas queria que Cristo voltasse a ser o centro da fé. Houve muita briga, mas felizmente, hoje temos uma relação de colaboração com os católicos. Também erraram luteranos quando perseguiram anabatistas, mas também felizmente a Federação Luterana Mundial pediu perdão aos menonitas (que se originam dos anabatistas) há poucos meses.

A mensagem da Reforma para hoje já era dita naquele tempo: Ecclesia semper reformanda, ou seja, Igreja sempre em reforma. Sempre temos que cuidar para que Deus continue nos indicando os caminhos para que a Igreja seja cada vez mais solidária e continue falando do amor incondicional de Deus, da graça que não exige perfeição ou cobrança, de compromisso com a causa de Cristo, que pode ser identificado(a) naquele(a) que sofre por algum motivo.

Em 2017, a Reforma vai fazer 500 anos. Um jardim está sendo plantado na Alemanha em homenagem a esse evento.


sábado, 30 de outubro de 2010

E o Nobel de 2010?

Algumas palavras bastante atrasadas sobre o trio que ganhou o Prêmio em Economia em memória a Alfred Nobel no ano de 2010.

Diamond, Mortensen e Pissarides ganharam o prêmio por suas pesquisas em "job searching" no mercado de trabalho. Sob informação perfeita e completa e sem intervenções, a oferta de trabalho (a única coisa que nós trabalhadores ofertamos, já que não temos empresas) e a demanda de trabalho (empresas demandam mão-de-obra), haveria equilíbrio de oferta e demanda. Mas os custos informacionais impõem problemas que geram esse desequilíbrio: a existência simultânea de muitos postos de trabalho abertos e desemprego é algo que a teoria clássica não conseguia explicar.

Um dos resultados das pesquisas desses sujeitos é de que "an unregulated search market does not give rise to an efficient outcome", como diz a informação "popular" dada pelo site oficial do prêmio. Aliás, esse documento dá dicas de leituras para iniciantes no tema. Novamente, falhas informacionais impedem que resultados eficientes sejam alcançados, como já foi chamado atenção por pesquisadores como Joe Stiglitz, George Akerlof, George Stigler, etc (que já ganharam Nobel também). Portanto, intervenções do governo nesses mercados podem ser justificadas - é claro, há intervenções e intervenções, mas estamos dizendo que é possível uma intervenção que gere um resultado mais eficiente, como ocorrem em casos de externalidades e bens públicos.

Nem sempre a rejeição empírica de teorias clássicas leva necessariamente à aceitação de uma teoria pós-keynesiana de desemprego, como alguns são levados a crer durante a graduação (nem vice-versa). Antes de decidir por uma teoria, é importante observar as outras existentes. Na minha vida as respostas econômicas têm sido mais em tons de cinza do que preto ou branco.

O site do Prêmio também oferece um documento chamado "Scientific Background" que resume as teorias, além de formalizá-las. Um aparato mais teórico que o visitante neófito do blog talvez evite. Conheço pouco o assunto, embora tenha estudado modelos de "searching" no mestrado. Talvez seja uma boa hora para me atualizar.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Clipping atrasado

Estou recomendando os seguintes posts (atrasados) de alguns blogs econômicos amigos.
Notícias eclesiásticas:
  • Eleição do P. Dr. Nestor Friedrich para o cargo de Pastor Presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil. Ver a palavra do P. Nestor em ocasião de sua eleição. Também eleita a primeira mulher vice-presidente
  • Discussão sobre quota de participação de jovens no Concílio será levada aos Sínodos. Um primeiro passo para que os jovens tenham mais voz nas instâncias decisórias da IECLB.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Artigo resumido sobre educação em SP

Um resumo do artigo do Renato Colistete e do Irineu de Carvalho Filho está circulando pelo Boletim de Informações da FIPE deste mês. Quem quiser olhar esse texto, bem menor que o working paper original, clique aqui. O tema é a educação no estado de São Paulo e o papel de inúmeros fatores como imigração, desigualdade, etc.

Pra quem quiser ler o artigo inteiro (que já divulguei aqui), é só clicar aqui.


segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Posicionamento da IECLB no atual debate eleitoral

O atual debate presidencial tem sido bastante controverso e centrado na questão do aborto. Questão importante, mas que desviou totalmente o debate lamentavelmente. O projeto de governo não está em pauta, mas apenas um assunto pontual.

A carta da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil sobre o tema é interessante. Caso alguém tenha curiosidade para saber qual é o posicionamento luterano a respeito desse debate, clique aqui.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Viagem à Albânia

Minhas desculpas aos leitores desse blog. Estive na última semana em uma reunião da Comissão das Igrejas em Assuntos Internacionais do Conselho Mundial de Igrejas. O encontro foi realizado em Durrës, Albânia. Mais precisamente, no Monastério de St. Vlash da Igreja Ortodoxa da Albânia.

Conhecer um país pobre na Europa foi uma experiência interessante. A Albânia foi mais um dos países comunistas que apenas se abriu em 1991. Até então, as religiões e a igreja tinham sido perseguidas implacavelmente. Enquanto passeava pelas ruas de Durrës, eu conversava com um sacerdote romeno e comentei que estava vendo um número muito grande de carros de luxo. O romeno explicou que, nesses países que saíram do comunismo, a repressão por anos de dechamento seriam a causa desses arroubos consumistas.

De qualquer forma, percebemos que lá ainda há muito para ser feito em termos de desenvolvimento econômico. Quem sabe um dia...


sábado, 25 de setembro de 2010

Cerveja bíblica

De acordo com arqueólogos, há evidências de que os israelitas de tempos bíblicos bebiam não apenas vinho, mas também cerveja:

US scholar says Israelites drank beer as well as wine

Washington DC (ENI/RNS). Ancient Israelites drank not only wine but also beer, according to a biblical scholar at Xavier University, a Roman Catholic school in Louisiana. "Ancient Israelites, with the possible exception of a few teetotaling Nazirites and their moms, proudly drank beer - and lots of it," said Michael Homan, in his article for the September/October issue Biblical Archaeology Review, Religion News Service reports. While English translations of the Bible do not mention beer, the original Hebrew does, he said. Homan, an archaeologist, said the Hebrew word "shekhar" has been mistranslated as "liquor," "strong drink" and "fermented drink," but it translates as "beer" based on linguistic and archaeological research. Confusion over whether the ancient Israelites drank beer also stems from the difficulty of identifying and finding archaeological remains of beer production in Israelite artefacts. [327 words, ENI-10-0651]

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Publicação

Recebi em casa na sexta o meu exemplar do livro "Justice Not Greed", editado por Pamela Brubaker e Rogate Mshana. Neste livro, estão contidos todos os artigos apresentados em uma reunião do Grupo Assessor em Assuntos Econômicos do Conselho Mundial de Igrejas, que se reuniu em maio de 2009 a fim de debater a crise. Entre eles, está meu capítulo "Christian Ethics, Development and Economic Crises: An Ecumenical Perspective".

É minha primeira publicação a sair do prelo. Um bom motivo para comemorar.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Professores substitutos

A legislação eleitoral há muito tempo impedia a contratação de funcionários públicos durante o período eleitoral (90 dias antes do pleito). Essa legislação faz sentido por conta da possível contratação política durante esse período. Todavia, a justiça sempre permitiu a contratação dos chamados professores substitutos (temporários) nas universidades federais, uma vez que esses contratos são de no máximo dois anos e a rotatividade desses cargos é imensa. Logo, se em um determinado semestre, um professor substituto deixa a universidade, é necessária a contratação imediata de um outro. E foi assim que sempre aconteceu.

Entretanto, nesse ano, houve demora para que se permitisse a contratação de professores substitutos. Após um mês de espera, eu pude finalmente ser contratado. E os alunos finalmente puderam ter aula. É difícil compreender a lógica das leis brasileiras. Por que afinal não se regulamenta então a contratação de professores substitutos também no caso do período eleitoral? E por que demoraram tanto para permitir, uma vez que essa contratação era claramente necessária e apolítica? O resultado foi um mês sem aulas para cerca de 50 turmas e 20 professores que deixaram de trabalhar por algum tempo.

Segunda-feira foi o primeiro dia em que pude dar aula para meus alunos de Economia A oriundos de cursos de engenharia e ciências da computação na UFRGS.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Reportagem sobre imigração, educação e desenvolvimento

Faço propaganda do novo paper do Renato Colistete (meu orientador na USP) e do Irineu de Carvalho Filho do FMI. Você pode achá-lo clicando aqui. O Renato me passou o link de uma reportagem interessantíssima sobre o paper na Gazeta do Povo. Recomendo fortemente para quem se interessa pelo tema de educação e crescimento de longo prazo. Foi o tema com o qual eu trabalhei no mestrado.

sábado, 4 de setembro de 2010

Conselhos de um economista (não se preocupem, não são meus...)

Ricardo Sabbadini, meu ex-colega lá no mestrado da FEA-USP, deve estar se preparando para começar a escrever ou fazer seu blog. Ele acabou de me mandar o link desse curtíssimo artigo do New York Times escrito por N. Greg Mankiw, famoso autor de livros didáticos de economia. Muito didaticamente, Mankiw dá conselhos para os jovens que estão entrando na vida universitária. Agradeço ao Sabbadini!

Chamo a atenção de dois trechos. O primeiro é da necessidade de se aprender estatística. Vejo cada vez mais pessoas de diversas áreas dizendo isso quando chegam no fim do curso. Precisam e não sabem. Além disso, as escolas no Brasil dão uma base fraquíssima nisso (segundo uma amiga minha, que fez ensino médio na Inglaterra, ela aprendeu bastante probabilidade).

O segundo trecho é sobre a necessidade de aprender mais psicologia. Entender o comportamento humano é melhor não apenas para manter a humildade dos economistas, mas para a vida pessoal e profissional (o próprio Mankiw diz isso e eu concordo).

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Prebisch e Singer revisitados

Ainda pesquisando globalização em perspectiva histórica, continuo postando a respeito. Em post anterior em junho, falei rapidamente dos trabalhos de Hadass e Williamson (2001) revisitando a deterioração dos termos de intercâmbio dos países periféricos, como defendido pioneiramente por Prebisch e Singer em meados do século XX.

Resumidamente, como colocado pelo resumo da literatura feito por Lindert e Williamson (2003), não foi o que aconteceu. Não apenas os termos de troca da periferia melhoraram até a I Guerra, como melhoraram muito mais do que em relação à Europa. As estimativas falam em aumento de 2% para a Europa, 10% para o Leste Asiático e de 21% para o resto do Terceiro Mundo!

Falseada a tese Prebisch-Singer, isso significa que a globalização favoreceu a periferia? Não necessariamente por duas razões. No curto prazo, se o setor exportador do país não é tão grande, os efeitos em termos de PIB não serão tão grandes também. Uma segunda razão é de longo prazo: choques positivos nos termos de troca podem reforçar as vantagens comparativas da periferia (geralmente agrícolas) e causar desindustrialização. Se considerarmos que a principal fonte de mudanças tecnológicas e aprofundamento do capital vêm do setor industrial, os termos de troca vantajosos podem ter efeitos negativos posteriores.

Sobre isso, ver páginas 234 e 235 desse artigo de Lindert e Williamson.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Apresentação via Skype

Às 4 da manhã do domingo, tive que ligar meu computador a fim de apresentar um paper para um workshop sobre "Capital Humano na História Econômica" que estava sendo realizado na Universidade de Tuebingen, Alemanha. Sem verbas para levar um brasileiro para o evento, a organização optou por uma apresentação via Skype.

Pensei que eles poderiam me ver, assim como também eu ver a plateia. Mas problemas técnicos impediram isso. Comecei então a apresentação depois que o Prof. Jörg Baten explicou quem eu era. Foi uma sensação bem ruim. Não saber quem era minha plateia, não ver reações do público, nem mesmo ouvi-las (apenas um outro barulho) são coisas bastante desagradáveis para quem está falando. Sozinho no meu quarto e ouvindo minha própria voz, me perdi algumas vezes na curta apresentação que deve ter durado uns 20 minutos.

Pelo menos, recebi alguns comentários interessantes de pesquisadores do tema. No final, acho que valeu a pena o sacrifício do sono...

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

IDH de 1970 a 2007

Gustav Ranis (Yale) e Francis Stewart (Oxford) mostram que México, Chile e Panamá foram os países de "alto IDH" que apresentaram maior evolução desde 1970. Ainda acho que classificar países como o Brasil como tendo "alto IDH" é um erro. Mas pelo menos o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é um índice mais completo para mensuração de bem-estar, apesar de todas as suas limitações em relação à agregação.

Confirmando as expectativas, casos de sucesso de crescimento do IDH em geral combinam crescimento econômico com políticas de redistribuição de renda e mudanças institucionais.


terça-feira, 24 de agosto de 2010

Justiça e pessoas com deficiência


Nessa semana, estamos na Semana Nacional da Pessoa com Deficiência. Confesso que achei difícil encontrar qualquer coisa a respeito, tirando em sites de órgãos como a APAE. Fiquei sabendo disso pelo site de minha própria igreja na verdade. Infelizmente, isso é pouco divulgado.

Muitos acham que política ou economia não tem muito a ver com isso. Mas quando lidamos com questões de justiça, é importante considerarmos as pessoas com deficiência. Essas pessoas geralmente precisam de mais renda e de mais facilidades do que as outras a fim de que tenham uma vida de razoável conforto. É a partir dessa constatação, de que nem todas as pessoas têm a mesma capacidade para converter renda em bem-estar, que Amartya Sen critica visões que se baseiam na igualdade de renda como objetivo maior (sem contar todos os problemas de incentivos). Mesmo que não houvesse problemas de incentivos, tal objetivo ainda seria eticamente questionável. Pensemos não apenas nas pessoas com deficiência, mas também em quem têm doenças crônicas.

Uma outra visão interessante é a de John Rawls, que na verdade é anterior e provavelmente inspira Sen. Rawls trata as habilidades e problemas como a deficiência de uma maneira interessante. Ele compara a distribuição desses como resultado de uma espécie de loteria da vida. Ninguém mereceu nascer com deficiência, tampouco com tendências a desenvolver doenças crônicas. É a partir daí que Rawls vai construir o chamado véu da ignorância (se não sabes o que é, google it: "veil of ignorance"), famoso artifício de seu livro "Uma Teoria de Justiça". (Pelo menos, essa é uma aplicação possível de seus escritos. Não encontrei explicitado o caso da deficiência).

Na prática, isso pede por alguma intervenção do Estado para garantir que a sociedade tente compensar um pouco as desvantagens que pessoas com deficiência acabam tendo. É uma maneira de justificar vagas para concurso reservadas, lugares especiais nos ônibus (o que o mercado certamente não resolveria, uma vez que o mercado é muito bom para a eficiência, mas não para esses fins), e outras coisas mais.



terça-feira, 17 de agosto de 2010

WEHC 2012 - Primeira chamada!

A primeira chamada para propostas de sessões a serem realizadas no XVIth World Economic History Congress está no ar desde novembro, mas a data-limite para essa primeira rodada de propostas é dia 1º de setembro. Quem quiser ver detalhes a respeito da chamada para sessões, clique aqui! O evento será realizado no ano de 2012 em Stellenbosch, África do Sul - local onde se produzem vinhos. É um evento promissor, pelo menos a partir da minha experiência no último congresso realizado em Utrecht no ano passado.

sábado, 14 de agosto de 2010

Educação para quê?

Quando se fala em educação no Brasil, as pessoas em geral pensam na questão da cidadania e da participação política. Educar o povo é alavancar a cidadania. Apenas em departamentos de Economia de universidades se pensa diferente - e apenas às vezes, pois há alguns que ignoram a literatura sobre capital humano (a questão aqui não é se a nomenclatura "capital humano" é correta, mas as consequências econômicas da educação que essa linha de pesquisa investiga).

Estive conversando com um amigo que fez doutorado na Alemanha. Ele percebeu que lá, quando se fala em educação, eles estão pensando em crescimento econômico. Mais do que cidadania, é o crescimento que fica em evidência.

É verdade que não é só o crescimento que importa - principalmente para mim, um ávido leitor de Amartya Sen. É verdade que cidadania é fundamental, a fim de que todos conheçam seus direitos e cobrem por eles. Por outro lado, o discurso do crescimento é politicamente muito mais interessante. O rico não se beneficia da participação política do pobre, mas se beneficia do crescimento econômico.

E educação é benéfica para o crescimento. Não que seja a panacéia ou a única solução. As políticas macroeconômicas e de desenvolvimento tecnológico são fundamentais. Mas precisaremos também de trabalhadores qualificados.

domingo, 8 de agosto de 2010

O teólogo Bonhoeffer e sistemas econômicos


Dietrich Bonhoeffer foi um brilhante teólogo luterano que foi morto pelo regime nazista. Assim como alguns outros teólogos, ele se posicionou contrariamente ao nazismo e à Igreja Evangélica Alemã da época que era pró-governo. Seus escritos na prisão são fonte de inspiração para muita gente. Estive relendo seu livro inacabado sobre ética. Achei uma parte sobre a opinião da igreja em assuntos econômicos. Vale a pena ser lido:

"É de se perguntar, por exemplo, se o capitalismo, o socialismo ou o coletivismo, são estruturas econômicas que atrapalham a fé. Para a Igreja, aqui há uma postura dupla: por um lado, numa delimitação negativa, terá que declarar nefastas as mentalidades e sistemas econômicos que manifestamente dificultam a fé em Jesus Cristo. Por outro lado, só poderá dar colaboração positiva para uma reestruturação baseada na autoridade do conselho responsável de especialistas cristãos, não com a autoridade da Palavra de Deus. Ambas as tarefas devem ser rigorosamente distinguidas. A primeira é do ministério, a segunda a da diaconia, a primeira é divina, a segunda terrena, a primeira é a da palavra de Deus, a segunda é a da vida cristã. Aqui vale, no entanto:doctrina est coelum, vita est terra (Lutero)". (p. 201).

Acho que Bonhoeffer está certo. Creio que em nossas sugestões, devemos saber da limitação do que estamos sugerindo - que não é palavra de Deus, mas uma tentativa de emitir opiniões baseadas na ética cristã. Por outro lado, acho possível declararmos nefastos todos esses sistemas em algum aspecto, pois todos eles radicalizados adquirem certo caráter divino ou impedem-nos de ver o próximo. O capitalismo leva-nos à idolatria do dinheiro e do consumo, o socialismo idolatra o Estado e geralmente dependeu do totalitarismo para ser implantado. Mas defender um sistema fica difícil, na medida em que não há nada claro do que seria um sistema correto do ponto de vista bíblico.


domingo, 1 de agosto de 2010

Fair trade?

Alguns leitores do blog me mandaram e-mail recentemente com perguntas. Prometo responder assim que puder.

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Com a missão de escrever algo sobre fé e globalização, tenho me deparado com algumas coisas acerca de Fair Trade. Já tinha ouvido falar desse movimento, cujo objetivo é que certos padrões éticos sejam levados em conta no comércio, garantindo preços razoáveis e direitos humanos para todos os envolvidos no comércio.

Para os que acreditam que sempre o mercado é o melhor alocador de recursos, tal sugestão não faz sentido. Novamente, lembro que se consideramos questões distributivas, é possível que o mercado não chegue a soluções desejadas. Dessa forma, embora o mercado alcance resultados muito eficientes, o agricultor do país subdesenvolvido (principal alvo do movimento de Fair Trade) poderia possivelmente receber pouco pelo seu café, não conseguindo dar condições de vida "decentes" a seus familiares. Para "corrigir" isso, dado que damos importância a questões distributivas, necessitamos de algum tipo de intervenção.

A proposta do Fair Trade parece mais uma tentativa de conscientização, com a abertura de lojas que garantem a procedência dos produtos - que imagino serem um pouco mais caros, mas que garantem ao consumidor que são ecológicos e que respeitam o agricultor do país pobre.

Não sei mais nada a respeito. E preciso saber. E sei também que muitos já vão fazer uma cara horrível para esse tipo de movimento.

O que está em questão é que, se há consumidores que preferem pagar mais caro (que serão poucos) por isso, essas lojas podem ser abertas. O que não deve funcionar na prática é um sistema econômico inteiro baseado na suposição de que as pessoas levarão em consideração direitos humanos e tal. Mas certamente iniciativas como essa podem ter mercado e funcionar, uma vez que algumas pessoas na Europa tem aderido a esse movimento - tanto é que existem essas lojas. Pelo menos é minha posição inicial sobre o assunto.

Se alguém sabe mais a respeito, pode me mandar material. De resto, vou explorar um pouco o site do Fair Trade e ver quais são as possibilidades e limitações desse tipo de iniciativa.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Volta das Férias

Estive por uma semana em um local remoto do oeste do Paraná, sem acesso à internet ou celular. O município de Maripá, cuja principal avenida se chama Farrapos (evidenciando suas origens da imigração gaúcha expandindo a fronteira agrícola para o oeste), recebeu-me muito bem durante a semana em que participei de um congresso de jovens da igreja luterana.

Apenas gostaria de justificar minhas faltas aos leitores. Neste momento, estou redigindo dois textos: um sobre fé e globalização (para horror de alguns) e outro sobre a educação primária no Brasil - na verdade uma reformulação de meu paper anterior apresentado em Barcelona e Utrecht.

Cheguei a um ponto em que não consigo escapar do uso do instrumento, preciso resolver meu problema de viés de simultaneidade. As sugestões de alguns de uso de um painel dinâmico (Arellano-Bond ou Blundell-Bond) podem ser ainda mais torturantes para os dados. Embora minha análise qualitativa seja sólida, gostaria de ter evidências quantitativas mais robustas.


quinta-feira, 15 de julho de 2010

Formação

Acho que em minha curta vida acadêmica, consegui já bastante coisa. Apresentar no congresso mundial da área não é algo dificílimo, mas foi um importante passo. Já tenho um paper no prelo em uma revista brasileira importante. Não é hora de ser falsamente modesto, mas também sei que não sou o Schumpeter para escrever aos 26 anos uma de minhas principais obras (nesse caso, eu teria que me apressar, já que estou com 25).

Entretanto, ao estar reescrevendo um paper, percebo como "falta cancha". Ao corrigir meu próprio paper, percebi como me falta experiência ainda para ser um bom pesquisador. Senti necessidade de ler mais artigos da minha área - e também de ter mais conhecimento. Falta em minha formação, por exemplo, intensa leitura em textos de minha própria área. Fiz um excelente curso de Economia Brasileira na pós-graduação da FEA-USP com meu orientador, mas nada sei sobre história econômica em geral - à exceção do que se refere à minha pesquisa em particular. Nem acerca disso consegui ler tudo que é essencial. Na lista dos não-lidos estão Robert Margo por exemplo (um problema). Além disso, nunca li nada de Joel Mokyr ou Bob Allen... só para citar grandes nomes da minha área. O que eu disse, com as devidas mudanças, acho que vale para qualquer área... da academia/ciência.

Não é por nada que meu orientador, o Renato, sempre me incentiva a fazer um doutorado fora. É por uma questão de formação e atualização. Evidentemente, eu poderia fazer um doutorado por aqui, mas a UFRGS ou mesmo a USP, embora seja boa em termos nacionais, é muito diferente do que uma universidade com recursos de Primeiro Mundo pode oferecer. No entanto, não é apenas a questão acadêmica que conta na hora de decidir por um doutorado. Ilude-se na graduação quem pensa que essa é uma decisão óbvia e simples. Para alguns talvez até venha a ser, mas não é para a maioria das pessoas. "There is no such a thing as a free-lunch", disse Friedman. Se ele está sempre certo, eu até acho que não, mas no caso da decisão por um doutorado no exterior, certamente há custos.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Economia e blogs

Prezados leitores,

Segundo o pesquisador Kartik Athreya, do Federal Reserve de Richmond, argumenta em seu ensaio que economistas ou não-economistas bloggers devem ser ignorados pelo "publico leigo mente aberta".

Bem, talvez eu deva ser ignorado. Quem tiver tempo para ler 4 páginas, veja se é convincente.

Acho que eu nunca tentei convencer vocês de muita coisa...

Agradeço a meu ex-colega Ricardo Sabbadini pela contribuição.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Site da EHS


A Economic History Society (do Reino Unido) está com novo site. Muito melhor do que o anterior. Já prestem atenção nos prazos para a próxima conferência deles. A EHS tem alguma dificuldade para financiar estudantes de países em desenvolvimento, mas vale a pena dar uma olhada.

domingo, 4 de julho de 2010

Visitantes do Oikomania

O Oikomania é um site internacional. Dessa vez não tem visitantes africanos entre os cem últimos, mas veja os pontos na Europa e na América do Norte. Para um blog em língua portuguesa sem grandes aspirações, é bom. Na última semana, a média de visitas foi de 50 por dia e a de páginas vistas, 63 por dia. Já houve épocas melhores (quando as atualizações eram mais regulares).








terça-feira, 29 de junho de 2010

13º BIEN

Para quem não sabe, começa amanhã o 13º BIEN Congress: Basic Income as an Instrument for Justice and Peace. O evento ocorrerá na FEA-USP e conta com vários convidados conhecidos do governo e da academia. É notável a quantidade de políticos que estará presente, incluindo o maior defensor da renda básica no Brasil, Eduardo Suplicy. Mas também estará lá o nome mais conhecido na academia sobre o assunto: o belga Philippe Van Parijs.

Li Van Parijs quando fiz uma disciplina sobre Justiça Distributiva no Departamento de Ciência Política da FFLCH/USP com o professor Álvaro de Vita. Confesso que na época não me entusiasmou muito, mas o texto também não era dos mais fáceis. De qualquer forma, Van Parijs está nesse debate com Rawls, Sen, Nozick e Dworkin (só para citar alguns dos nomes mais conhecidos na justiça distributiva contemporânea). Foi dessa disciplina que saiu meu artigo sobre Sen, que apresentei no Uruguai e está para ser publicado em breve.

O Leo Monastério recentemente mostrou uma citação interessante do Hayek em "O Caminho da Servidão". Um dos comentários, do Prof. Duilio Bêrni, chamou atenção para o fato de que a ideia de renda básica tem raízes, pelo menos em parte, em Hayek e Friedman (imposto de renda negativo). A quantidade de gente de esquerda no 13º BIEN é de surpreender se pensarmos dessa forma.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Encontro da ANPEC e da SBE

Estão abertas as inscrições para o Encontro da ANPEC e para o Encontro da SBE (Sociedade Brasileira de Econometria), que serão realizados paralelamente em Dezembro na cidade de Salvador. Papers podem ser enviados até 20 de julho!

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Escolha Social é possível?

Em geral, estudamos pouco tópicos como Escolha Social (Social Choice Theory) ou Economia do Bem-Estar (welfare economics). Esses assuntos costumam aparecer en passant por disciplinas de microeconomia na graduação, mas dificilmente há maior aprofundamento das questões. Quando se fala no Teorema da Impossibilidade de Arrow, a ideia que é passada pelos manuais é de que a escolha social é impossível. Não se fala no que esse primeiro resultado gerou de pesquisas subsequentes na tentativa de mudar as hipóteses e conseguir soluções melhores - embora geralmente apareçam novos teoremas de impossibilidade.

No último estudo de nosso grupo de estudo em Escolha Social, utilizamos um artigo de Amartya Sen chamado "The Possibility of Social Choice", que é a palestra de Sen por ocasião de seu Prêmio Nobel. Como bem explicou a colega Daniela, muitas vezes pensamos em Escolha Social e pensamos apenas em esquemas de voto e teorema de Arrow, mas não entendemos que isso está por detrás de todas as ideias de funções de bem-estar social. O utilitarismo ou as ideias de Rawls (aliás, tirem da cabeça que aquela função maxmin dos livros de microeconomia é realmente Rawlsiano) são formas de se fazer escolha social, embora não sejam usados esquemas de votos. E Sen, embora defenda a pluralidade da base informacional, destaca a utilização das capacitações.

Antes de achar que não existe possibilidade de agregação para se fazer uma escolha social simplesmente devido ao resultado inaugural da moderna teoria de escolha social, talvez devêssemos estudar melhor a área. Mas se você quiser se aventurar nisso, terá que estudar um pouco de análise - coisa para a qual eu acredito não ter facilidade, mas a gente vai tentando.

sábado, 12 de junho de 2010

Pensamentos esparsos sobre globalização

A globalização, fenômeno tão falado (mal ou bem), torna-se bastante evidente no atual evento mais importante do esporte, a Copa do Mundo (tenho minhas dúvidas se a Copa do Mundo não é mais importante do que as Olimpíadas). Qual não foi a minha surpresa ao ver patrocínios de multinacionais conhecidas como Coca-Cola e Adidas nos estádios, mas como também de propagandas da Seara (que fabrica salsichas no Brasil) e da Quilmes (uma cerveja argentina). Além disso, sei que a Brahma, uma cerveja nacional, embora controlada pela multinacional AmBev, é uma das patrocinadoras.

O futebol é um palco para a globalização há muito tempo. Após o jogo entre Argentina e Nigéria hoje, vi um especial sobre a Copa de 1958 com alguns amigos. Nos estádios suecos já havia propagandas nas laterais de companhias como Philips e Telefunken (lembram?), enquanto Pelé dava aquele chapéu no zagueiro sueco em imagens preto e branco.

Estou mais sensível a esse tipo de coisa por estar estudando o tema. Além de estudar os efeitos da globalização ao longo da história através dos trabalhos de Jeff Williamson, Peter Lindert, Alan Taylor e Kevin O'Rourke, estou lendo papers específicos sobre globalização financeira de acadêmicos como Mishkin e Rodrik. Quem se interessa por esta parte financeira, procure o IMF Staff Papers, Vol. 56, No. 1 (2009): é um especial sobre globalização financeira. Não vou puxar o link porque nem todos têm acesso, mas se você tem acesso ao Periódicos Capes (agora novo e reformulado!), vai ser fácil achar.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Texto sobre globalização e desigualdade

Estava hoje lendo um artigo de Peter Lindert e Jeffrey Williamson sobre globalização e desigualdade em perspectiva histórica. Um excelente survey da literatura sobre o tema. Importante para mim, que estou tentando escrever um texto relacionando ética cristã e globalização (para horror de alguns amigos meus, mas vamos ver o que sai disso) que me foi pedido. Ele faz parte desse livro organizado por Bordo, Alan Taylor e Jeff Williamson. Recomendo fortemente a leitura.

Ainda recomendo a irem atrás da referência existente do texto de Hadass e Williamson (2001), que é uma avalição da tese Prebisch-Singer de deterioração dos termos de intercâmbio. Em vez de acreditar ou não na tese, vamos olhar para os trabalhos empíricos.

sábado, 5 de junho de 2010

Lições de econometria no site do NBER

Meu ex-colega Raphael Gouvêa me deu uma dica. Para aqueles interessados nas novidades da econometria, assistam as palestras de Stock e Watson (2008) e Imbens e Wooldridge (2007). Mas é claro, aqueles que ainda não leram o livro de econometria introdutória do Wooldridge pelo menos deveriam tentar fazê-lo antes de tentar entender essas aulas.

Se você aspira ser historiador econômico, não seja preconceituoso. É importante saber econometria nem que seja para poder criticar quando ela é usada indevidamente (o que ocorre bastante), assim como também para aproveitar trabalhos que fazem excelente uso dela.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Podcast com Nick Crafts

Querem aprender história econômica da Revolução Industrial até hoje? Vejam os videos com palestras do professor Nick Crafts, um dos maiores expoentes no tema, hoje lecionando na Universidade de Warwick. Segundo ouvi falar via Bernardo Wjuninski, ele continua dando algumas aulas na LSE.

domingo, 30 de maio de 2010

E os salários dos professores?

O debate sobre a avaliação de professores do nivel básico tem tomado conta dos noticiários nos últimos dias. A última Zero Hora (jornal de grande circulação em Porto Alegre) mostrou sistemas como o finlandês e o norte-americano. O primeiro se baseia em altos salários aos professores, de quem são exigidos boa titulação, enquanto o segundo parece focar em sujeitar professores a avaliações.

Ainda que eu ache avaliações interessantes, acredito que no caso do Brasil, os salários absurdamente baixos dos professores do ensino básico prejudica a atração dos melhores para essa fundamental função. Os mais qualificados têm poucos incentivos para tentar a carreira docente, mesmo quando se sentem vocacionados para tal. Enquanto isso, milhares de funcionários públicos do Juudiciário que nada mais fazem do que arquivar papeis muitas vezes, recebem muitas vezes mais. A distorção de incentivos é evidente.

Nada contra quem está no Poder Judiciário fazendo trabalhos burocráticos e ganhando 3 mil ou 4 mil reais por mês. O culpado é o sistema gerador dessas desigualdades, deixando as crianças mais necessitadas em uma armadilha da pobreza, uma vez que no atual estágio, a qualificação educacional é crucial para haver possibilidade de ascenção social. Também não estou afirmando aqui que todos os professores da rede pública são despreparados. Estudei até a 5a série do ensino fundamental em escola pública e lembro de ter tido alguns bons professores. Mas a tendência em um sistema que paga tão mal seus educadores é justamente permitir que os melhores acabem indo para outras direções.

Está na hora do país entender a importância da educação (principalmente de nível fundamental) e realmente tratá-la como prioridade. Vide Argentina que, mesmo com todos os erros na conduta das políticas, ainda tem renda per capita maior que a do Brasil. A discrepância entre argentinos e brasileiros na educação é enorme e bastante responsável por nosso atraso.

domingo, 23 de maio de 2010

Segundo artigo no BIF

Já está no ar o meu segundo artigo da série sobre atraso educacional no Boletim de Informações FIPE. Esse segundo artigo está baseado no meu capítulo 4, que agora é também um working paper chamado "Descentralização, Financiamento e Equidade na Educação Brasileira, 1930-1964". Ainda estou tentando diminui-lo (o paper tem 30 páginas sem espaçamento). Vamos ver se ele tem futuro.

Ainda sugiro que vocês confiram o artigo do meu colega Ricardo Sabbadini sobre inflação e desigualdade no mesmo boletim. Aliás, esses boletins costumam ter bons artigos: procurem pelo meu colega Raphael Gouvêa também por exemplo.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Sob a lupa

A quantidade de posts diminuiu, mas por um bom motivo. Estou dando aula nas faculdades SENAC para cursos tecnológicos. Tratam-se de cadeiras básicas de economia, semelhantes aos cursos de introdução à economia. A Daniela Tocchetto, que estava dando aulas lá e teve que sair por ter ganhado uma bolsa, utilizava textos do livro do Dudu e do Mauro, professores de macro lá da USP. Eu tinha sabido do livro - chamado "Sob a lupa do economista" - mas não o tinha lido. E, de fato, é um bom livro. A despeito de serem bons professores, nem por isso esperava que fosse uma leitura tão tranquila. Crônicas simples usando teoria econômica. Eu recomendo para quem dá aulas de introdução à economia. Ou pra quem quer ler textos curtos e digeríveis sobre economia aplicada ao cotidiano (sem ser Freakonomics).

Veja o blog do livro.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Educação importava antes do século XX?

A miopia dos governantes brasileiros em relação à educação talvez tenha ocorrido justamente porque eles não viam a necessidade dos trabalhadores se educarem para que a industrialização ocorresse. Numa fase inicial da industrialização, é possível pensar nesses termos, uma vez que, como dizia Joel Mokyr, o nível de capital humano não era um fator importante para o crescimento na época da Revolução Industrial. No século XX é que ele teria se tornado importante (lembremos que o Brasil estava apenas começando a se industrializar no século XX).

Mas esse paper escrito por alemães parece querer dizer que educação importava na época da Revolução Industrial. Dêem uma olhada. Agradeço ao Ricardo Leal, ex-colega de USP, pela dica.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Dissertação disponibilizada (auto-promoção novamente)

Àqueles interessados na minha dissertação de mestrado, aí vai o link dela no site de catalogação de teses da USP: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/12/12140/tde-01052010-141552/

A dissertação se chama "Instituições, Voz Política e Atraso Educacional no Brasil, 1930-1964". Comentários, críticas e sugestões são bem-vindas, desde que feitas em tom amistoso. Virulentos ataques e chiliques serão ignorados.

sábado, 1 de maio de 2010

Workshop em capital humano e história econômica

Devo apresentar um paper em um workshop sobre capital humano na história econômica a ser realizado em Tübingen e organizado pelo Prof. Jörg Baten. Já estão no site os papers selecionados. Recebi recentemente um e-mail sobre as acomodações, um passeio pela cidade, os eventos em um castelo, etc... O grande problema: há alguns meses, disseram-me que não havia fundos para me trazer do Brasil, mas que eu poderia apresentar via Skype. Quem sabe eles não mudam de ideia? Acho que não...

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Falecimento de Maddison


Os historiadores econômicos estão de luto pelo falecimento de Angus Maddison, pioneiro na mensuração do crescimento na história econômica mundial. Suas estimativas, embora muitas vezes criticadas, são utilizadas no mundo inteiro. Sua morte ocorreu no sábado, dia 24 de abril.

sábado, 24 de abril de 2010

Escolha Social na UFRGS

Alguns alunos da graduação em Economia na UFRGS resolveram estudar Escolha Social - um ramo bastante difícil da teoria econômica e com interações com filosofia e matemática. Talvez alguns dos leitores apenas conheçam o Teorema da Impossibilidade de Arrow, presente em livros-texto de microeconomia para a graduação. Professor Sabino, que foi procurado pelos alunos, resolveu então pedir que eu também participasse do grupo. A intenção é começar a ler um livro introdutório do tema de Wulf Gaertner.
É difícil achar alunos interessados em um tema tão complexo e normativo. Vamos ver o que acontece.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Artigo no BIF

Coincidentemente, o Boletim de Informações da FIPE do mês de abril foi lançado hoje, meu aniversário de um quarto de século, com o meu primeiro artigo sobre a educação entre 1930 e 1964. Esse artigo consiste em um resumo do capítulo 3 da minha dissertação de mestrado em apenas 6 páginas. Quem quiser ler, bom proveito. Críticas são bem-vindas.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Guinness Storehouse em 2011


Os participantes da lista EH.net (uma rede de informações da área de história econômica) receberam o seguinte e-mail de Kevin O'Rourke (autor de famosos papers com Jeff Williamson e Alan Taylor):


The 9th Congress of the European Historical Economics Society will be held in Dublin on September 2-3, 2011. I have booked the Guinness Storehouse, which is a fabulous venue, even though there is the risk that I will later be accused of not being able to organise a piss-up in a brewery. I am looking forward to welcoming old and new friends to Dublin. More details will follow as soon as possible.




Apenas pelo local reservado, temos bons motivos para tentar participar deste evento.

sábado, 10 de abril de 2010

McCloskey na Suécia

Estou divulgando desta vez um outro curso, também na Suécia, sobre Revolução Industrial com a famosa professora Deirdre McCloskey (que ja foi Donald). É lá na Universidade de Gotemburgo, de nosso amigo Svante Prado:

The Department of Economic History,School of Business, Economics and Law, University of Gothenburg, invites you to the Ph.D.-course

Ideologies, Ideas, and Values during the Industrial Revolution(11-15 October 2010)

The course will be taught by Deirdre Nansen McCloskey, Distinguished Professor of Economics, History, English, and Communication, University of Illinois at Chicago, and Guest Professor, School of Business, Economics and Law, University of Gothenburg.

Content
Why was Europe the first region to develop economically and why did Britain lead among the European nations? Recent years have seen a number of important contributions to the field of economic history trying to deal with the issue from new perspectives, using new empirical evidence. The course will study some of scholarly contributions. The issue of ideologies, ideas, and bourgeois values will be an important theme. That is, can the modern world be explained in merely material terms? Or do ideas matter!



Participants are expected to write short reviews of the books on the reading list, to be discussed in class in the morning of each day of the course. Participants will also present a paper on their own research in afternoon seminars, and get feedback from other participants of the course and from Professor McCloskey.



Practical information



The course is open for Ph.D. students in economic history, economics and/or history, or similar disciplines within social science and the humanities.The course will take place at the School of Business, Economics and Law in Gothenburg, Sweden.
There is no fee for participating in the course. The Department will furthermore arrange (and pay for) lodging and lunches during the course, and provide a travel grant to, participating Ph.D. students. The Department will also host an opening reception, and a dinner the last night of the course. Participants are expected to attend during the whole week.


Applications for participation in the course should be sent latest 15 May 2010 by mail to Klas Ronnback, Dept. of economic history, University of Gothenburg: klas.ronnback@econhist.gu.se. Applicants should give a short description of the research field of their doctoral thesis. Since the number of participants will be limited, a selection may be necessary. The result from such selection will be sent to the applicants by the end of May.



Reading list
Robert Allen (2009): The British industrial revolution in global perspective. Cambridge: Cambridge UP.


Jack Goldstone (2009): Why Europe? The rise of the West in world history, 1500-1850. Boston: McGraw-Hill.


Deirdre McCloskey (2010): Bourgeois Dignity: Why economics can't explain the modern world. Forthcoming, October.


Joel Mokyr (2009): The enlightened economy: an economic history of Britain, 1700-1850. New Haven: Yale UP.


Jan Luiten van Zanden (2009): The long road to the industrial revolution: the European economy in a global perspective, 1000-1800. Leiden: Brill.


Joyce Appleby (2010): The relentless revolution: A history of capitalism (New York, New York: W. W. Norton & Company, 2010)

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Doutorado na Suécia aberto

Ainda em tempo: o Programa de Doutorado do Departamento de História Econômica da Universidade de Lund (Suécia) está recebendo applications até dia 15 de abril. Imagino que ninguém vá tentar na correria, mas outros aspirantes a pesquisadores que quiserem para os anos vindouros... é um bom departamento.

sábado, 3 de abril de 2010

Van Leeuwen: capital humano e crescimento


Uma tese que parece interessante sobre capital humano e crescimento de longo prazo é a do holandês Bas Van Leeuwen (Utrecht, hoje em Warwick) - que faz um estudo comparativo dos casos de Indonésia, Índia e Japão. Visitem o site dele, baixem a tese, os papers, enfim. Vou ter que ler um dia desses...

quarta-feira, 31 de março de 2010

Mestre Kang

Soa arrogante, mas o título é engraçado, embora verdadeiro. A diferença é que os leitores talvez pensem no Mestre Yoda ao invés de pensarem em três anos de lutas contra o tempo e o desespero, muitos teoremas demonstrados (e esquecidos), muitas regressões rodadas e mal-sucedidas ou muita poeira procurando censos e documentos em bibliotecas.

Com uma banca composta pelos professores Dante Aldrighi e William Summerhill (via videoconferência), além é claro de meu orientador, Prof. Renato Colistete, fui aprovado a obter o título de Mestre em Economia pela Universidade de São Paulo. A dissertação se intitula "Instituições, Voz Política e Atraso Educacional no Brasil, 1930-1964". A videoconferência funcionou perfeitamente (e a qualidade surpreendeu-me positivamente) e todos os comentários foram bem interessantes e construtivos. Agradeço o empenho de todos, particularmente de meu orientador, mas também de todos os colegas e amigos que ajudaram ao longo dos anos. Além é claro da família Kang (pai, mãe e irmã) e do cunhado Maurício.

Agradeço a presença daqueles que compareceram a defesa e daqueles que se juntaram a mim ontem para aproveitas os chopes Brahma em dobro no bar São Cristovão da Vila Madalena. Posteriormente, a Luther Bier e o Havana Club (rum) serão abertos aqui em Porto Alegre em momento oportuno com alguns amigos que apoiaram esta fase final de mestrado.
Lembranças também ao pessoal que possibilitou a videoconferência: Ana Cristina na USP e Mr. Roby na UCLA.

Detalhes sobre a defesa, com os comentários dos professores, serão oportunamente postados.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Dawkins está certo?

Richard Dawkins, famoso biólogo evolucionista britânico, tem causado polêmica no meio religioso. Em meados do ano passado, Dawkins, autor dos livros O Gene Egoísta e Deus, Um Delírio, provocou diversas reações ao inventar um acampamento ateu para crianças - similar ao realizado por instituições religiosas.

Se alguém quiser ler algo na direção oposta aos argumentos apresentados por Dawkins, é bom começar por Alister McGrath, professor de teologia (ordenado pela Igreja da Inglaterra, pertencente à Comunhão Anglicana) e doutor em biofísica molecular por Oxford. Seu livro de resposta, chamado de "O Delírio de Dawkins", tem se tornado referência.

Admito, não li qualquer um deles, mas tenho tentado me informar a respeito. Não que debates apologéticos resolvam definitivamente algum assunto, mas podem ser de ajuda.
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quinta-feira, 25 de março de 2010

Dois cursos sobre Racionalidade Limitada

Notícia em primeira mão: Daniel Monte, da Simon Fraser University no Canadá e Ph.D. por Yale, ministrará curso nos dias 5, 7 e 12 de abril sobre racionalidade limitada na FEA-USP. Em breve, devem aparecer os anúncios no site do Departamento de Economia da FEA. Há hoje em dia diversos modelos com agentes sem racionalidade completa.

Segunda notícia, já meio velha: tem summer school sobre o racionalidade limitada em Berlin no meio do ano. Com Ariel Rubinstein e Vernon Smith, vencedor do Prêmio Nobel. É mais para pós-doutorandos, mas dêem uma olhada aqui.

Não sabem o que é racionalidade limitada? Já ouviram falar em Herbert Simon?

terça-feira, 23 de março de 2010

Auto-interesse e individualismo metodológico

Quem tiver acesso ao jornal Valor, conferir na edição de hoje a coluna de Ricardo Abramovay sobre o livro "The Idea of Justice" de Amartya Sen.

Temos discutido até que ponto reconhecer motivações além do auto-interesse (por exemplo, simpatia ou compromisso - as clássicas categorias do artigo de 1977 de Sen, "Rational Fools" da Philosophy and Public Affairs) realmente significam afastamento de individualismo metodológico, como o próprio autor parece defender em seu livro.

Lembro que um defensor do individualismo metodológico, Max Weber, costumava colocar entre as motivações da ação humana não apenas a categoria zweckrational (racionalidade instrumental), como também a categoria wertrational (racional de valor). Compromissos éticos poderiam entrar nessa categoria.

No final das contas, qual a relação entre auto-interesse e individualismo metodológico? Eu acreditava que eram coisas distintas. Agora estou na dúvida.

domingo, 21 de março de 2010

História Econômica da Europa


Alguns devem estar reclamando de meu silêncio (outros agradecendo talvez, hehe).


Mas para voltar, anuncio mais um livro novo de história econômica. Agora é o Economic History of Europe do sueco Karl Gunnar Persson da Universidade de Copenhagen, Dinamarca. Mais uma vez, agradeço a Svante Prado pelo aviso.




segunda-feira, 1 de março de 2010

Pérolas de Econometria

Alguns semestres depois, preservando a identidade dos alunos de Econometria I da graduação da FEA-USP, o ex-monitor pode revelar algumas das preciosidades encontradas em provas. Lembrando que estamos falando de um dos melhores cursos de Economia do país...

Os erros gramaticais e ortográficos foram mantidos.

Sobre a Econometria:

  • "É uma ciência que beira a arte em que os grandes econometristas se destacam exatamente por esse importantíssimo toque de subjetividade"

  • "Se a análise de uma regressão for irrelevante, portanto o estudo da econometria será irrelevante, o que é obviamente um absurdo, se fosse assim não precisaríamos aprendê-la".

  • "Esperamos que a variância da amostra seja a menor possível, pois quanto menor mais eficiente (mais se assemelha à realidade)". [hein?]

  • "Podemos também testar se certos parâmetros são idênticos a outra ou nulos e se certos palpites como o do gerente da cadeia de hambúrgueres gasta com propaganda e preço são válidas" [ok, só não entendi o pq disso na prova].

  • "A afirmativa não está inteiramente certa [...]. A análise de regressão não diz nada sobre a população" [então tá, né, por que veio fazer a prova?]

  • "Caso a análise seja feita baseada em dados fictícios, esta continua tendo relevância pois o objetivo principal da análise de regressão... [...] o acesso à populacão implicará em uma maior ou menor precisão do resultado final da análise".

  • "Em uma regressão múltipla, quanto maior a correlação entre as variáveis e menor a covariância entre elas, melhor sera a estimação do modelo" [tsc, tsc]

  • E pra terminar: "O fato de não ter acesso à população apenas exclui estatisticamente a possibilidade da conclusão ser 100% verdadeira. Isso faz da análise de regressão algo desprovido de relevância? Óbvio que não. Abrindo o horizonte da discussão, o que na vida é 100% verdadeir ou 100% aceito? Não muita coisa, se é que existe algo que seja. Isso é, afirmar que a análise de regressão é desprovido de relevância. Essa discussão poderia se extender [com x?] muito mas acho que podemos resumir em 'a relevância está naquele que julga relevante', e de minha parte, eu acredito que a análise de regressão seja relevante".

Esse último é gênio.

Tudo copiado por mim das provas. Eu mesmo, Thomas Kang, coletei essas pérolas.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

20 Years of Human Development

Recebi do meu ex-professor Flávio Comim (da UFRGS, economista do PNUD-Brasil e do Capability and Susteinability Centre da Universidade de Cambridge) um convite para acompanhar as discussões em um grupo do Facebook sobre "20 Years of Human Development". Aqueles que têm Facebook e se interessam pela discussão econômica-filosófica acerca do bem-estar, dêem uma olhada. Alguns dos debates referem-se à comparação entre IDH e medidas de felicidade ou aos resultados atingidos ao longo dos 20 anos em que o IDH tem sido calculado. Está interessante.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Paper no prelo

Meu paper "Justiça e Desenvolvimento no Pensamento de Amartya Sen" foi aceito para publicação na Revista de Economia Política - REP. Ou como dizem alguns, na Brazilian JPE. Brincadeiras à parte, é uma das revistas mais importantes de Economia no país (gostem ou não, hehe). Resta saber em que edição ele será publicado.

De quebra, virei parecerista da mesma revista imediatamente. Anunciam que vão publicar meu paper e já me mandam trabalho. Assim que é bom, hehe.

PS: Eu gosto da REP, mas também gosto de piadas. =)

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Campanha da Fraternidade


O tema da Campanha da Fraternidade desse ano é "Economia e Vida", como a mídia tem propalado nos últimos dias. Como tem acontecido a cada cinco anos, a Campanha da Fraternidade desse ano é ecumênica, contando com a participação não apenas da Igreja Católica Romana, mas também de todas as outras igrejas do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil, o CONIC.



As declarações têm sido polêmicas, muito críticas ao modelo atual do capitalismo. O reverendo anglicano Luiz Barbosa, secretário-geral do CONIC, chegou a fazer referências a partidos - não em tom necessariamente elogioso, mas que já gera polêmicas. Ainda não ouvi pronunciamentos do Pastor Carlos Möller, luterano (e pai de meu amigo Mathias) e presidente do CONIC.



Estando indiretamente envolvido nesses assuntos, por estar participando de debates parecidos no Conselho Mundial de Igrejas, acredito que várias das críticas levantadas pelas igrejas são válidas. De fato, o dinheiro tem adquirido caráter divino - aquilo que o economista do CMI, o tanzaniano Rogate Mshana, sempre chama de "money-theism". Mas há exageros nessa campanha certamente, uma vez que o tom dos discursos se aproxima de um discurso socialista. Principalmente tratando-se de um organismo representando fiéis de muitas igrejas, deve-se tomar maiores cuidados.



Uma explicação para isso é que a maioria das igrejas tradicionais têm suas diretorias bastante influenciadas pela teologia da libertação, o que não necessariamente ocorre com as comunidades das igrejas. Concordo com alguns pontos da teologia da libertação como, por exemplo, a preferência pelos pobres, mas sei também que um organismo que representa as igrejas deve tomar cuidado para de fato representá-las - e não exagerar na propagação de alguma idéia dominante.



De qualquer forma, a Campanha incentiva a reflexão. Nesse sentido, é muito válido.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Crise pós-mestrado

A fase pós-mestrado é uma grande crise, assim como ocorre em qualquer fim de etapa.

Poucos são os ex-mestrandos que não passam por isso, à exceção dos que fazem um concurso ou já conseguem trabalho no setor privado antes mesmo do depósito: caso de alguns colegas meus no BNDES, IPEA, Credit Suisse, entre outros.


Por enquanto, é preciso pensar na banca da defesa da dissertação. Ela será oficialmente composta por Renato Colistete (meu orientador), Dante Aldrighi e William Summerhill (UCLA).
O mais interessante é que Summerhill participará via videoconferência. Colegas meus fizeram a mesma coisa, contando assim com pessoas importantes nas suas bancas.

A expectativa é para final de março ou começo de abril.


Enquanto isso, meu paper não foi aceito para a conferência de Historical Roots of Social Exclusion in Latin America em Londres. Entretanto, segundo a organizadora, Ame Bergés, pelo tema de meu paper tratar-se de história mais recente. Ela incentivou-me a enviar para um próximo seminário que tratará de educação no ano que vem.

Por outro lado, Jörg Baten estará em agosto organizando um evento sobre capital humano e história econômica na Universidade de Tübingen. Por falta de recursos, Baten perguntou-me se eu estaria interessado numa apresentação via Skype ou videoconferência. Se acontecer, será algo bem interessante.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Enfim, a liberdade

Esse post não tem nada a ver com libertários.

Eu e o Renato, meu orientador, assinamos os últimos papéis. Em breve, as cópias da minha dissertação ficariam prontas: cinco cópias apenas encadernadas, três cópias com capa dura. Uma delas, para a biblioteca, uma outra pra mim e a última de presente para o Renato. Após o almoço, estava tudo pronto. Paguei os R$ 491,50 - descobri depois que teria despendido muito menos se tivesse encomendado as cópias para as concorrentes. Pelo Facebook, meu amigo Will perguntou se a dissertação era folhada a ouro e a Emily perguntou se eu tinha impresso diamantes.

Agora só faltava revisar para ver se não havia nenhum erro crasso na impressão ou na encadernação. Revisei as seis cópias a serem entregues para a FEA e pareceu estar tudo em ordem, tirando erros de português que só então eu tinha percebido. Too late.

Tudo pronto, era 15h30. Quando me dei por satisfeito, uma chuva torrencial começou a cair. A documentação deveria ser entregue no prédio do FEA-5 e a secretaria só fechava às 17 horas. O acesso ao prédio passava por uns 30 metros de um caminho descoberto. De chinelos de dedo e com seis dissertações, pensei que esperar era melhor. Afinal, o prazo de depósito era ainda no dia seguinte. A chuva era de verão, acabaria rápido.

Quanto mais o tempo passava, mais piorava a ventania e a chuva. Os alagamentos em São Paulo têm sido comuns. Procurei por remos na FEA, mas nada. 16h30. Comecei a ficar ansioso. A Vivi perguntou se eu era de açúcar. Disse que não, mas que as dissertações eram. A chuva estava ainda pior. Peguei a mochila, enfiei as cópias e fui decidido sob o olhar incrédulo de alguns. Por sorte, eu tinha um pequeno guarda-chuva: como ter um conta-gotas para apagar um incêndio. Atravessei bravamente os 30 metros, praticamente nadando. Os alunos do primeiro ano olharam-me estupefatos quando cheguei na entrada do prédio, onde eles pacientemente esperavam para fazer o caminho contrário.

Subi as escadas e cheguei na secretaria. A mulher da secretaria ainda me disse para tirar o guarda-chuva molhado do sofá. Mas isso não impediu que eu me tornasse finalmente livre, ao começar o quarto ano do mestrado, quase virando retardatário de alunos da turma posterior a minha. Depositei. Agora, só falta a defesa em fim de março ou abril para eu me tornar Mestre Kang...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O preço da liberdade

Após alguns dias de silêncio, venho comunicar que as oito cópias de minha dissertação de 191 páginas, das quais três com capa dura e 20 páginas coloridas em cada, custaram 491 reais e cinquenta centavos.

Agradeço por doações.

É o preço da liberdade. O depósito está próximo.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Economia e desigualdade na Science

Eu não sabia que a revista Science publicava sobre economia, mas Daron Acemoglu e James Robinson conseguiram. E mais do que isso, ainda falaram bastante sobre a passagem do nomadismo para o sedentarismo no Neolítico, defendendo a idéia de que o sedentarismo precedeu a agricultura. Não sei muito dessa área, mas vale a pena dar uma lida no pequeno artigo da Science, de uma página, de outubro de 2009.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Resumo da dissertação

Ainda sujeito a alterações, aí vai o resumo preliminar da minha dissertação. Opinem se quiserem, façam correções, etc.:

RESUMO
Este trabalho investiga possíveis explicações para o atraso na expansão da educação primária no Brasil, apesar das notáveis taxas de crescimento via industrialização por substituição de importações entre os anos de 1930 e 1964. O trabalho trata especificamente do papel da distribuição de poder político e de descentralização na expansão da taxa de matrículas na educação primária. Os dados demonstram que durante o Estado Novo, período ditatorial sob o comando de Vargas, houve queda na taxa de matrícula do primário. A volta da democracia em 1946 foi benéfica para o ensino primário. Entretanto, ao contrário do que teria ocorrido em muitos países, as evidências parecem apontar que o caso brasileiro se assemelhou mais ao indiano, em um contexto de democracia elitista, em que a expansão do sufrágio exerceu pouco efeito na expansão da educação, com conseqüências importantes para o crescimento econômico de longo prazo. Além da falta de voz política da população ter ensejado poucas melhoras na educação primária brasileira, a falta de fontes de financiamento adequadas para estados e municípios foi também um obstáculo para o desenvolvimento do ensino básico. Evidências qualitativas mostram que os governos federais também estavam mais preocupados com o ensino superior, em detrimento do ensino primário. As evidências quantitativas mostram que o nível de competição eleitoral e a descentralização administrativa tiveram efeito positivo nas matrículas em alguns estados, mas a expansão do sufrágio parece ter tido pouca influência nas matrículas. A falta de atenção dada a esse nível de ensino, por conta da falta de voz política da população, teve provavelmente efeitos negativos sobre a estrutura da distribuição de renda do país ao longo do século XX.


ABSTRACT

This dissertation aims to examine possible explanations for the backwardness in the expansion of primary education in Brazil between 1930 and 1964, despite the fact that Brazil presented high rates of economic growth through promoting import-substitution industrialization. In particular, the roles of distribution of political power and decentralization in the expansion of primary enrollment rates are addressed. The data shows that during the Estado Novo, a dictatorial regime under Vargas’ rule, there was decrease in primary enrollment rates. The return to democracy in 1945/46 was beneficial to primary schooling. However, contrary to what happened in developed countries, our evidence indicates that Brazil’s experience is more similar to what happened in India. Education in both countries developed in the context of a highly elitist democracy, in which the expansion of suffrage had little effect on the expansion of education, with a negative impact on long-term economic growth. Besides the lack of political voice, the lack of adequate financial sources for states and municipalities was also an obstacle to the development of basic education. Qualitative evidence shows that federal governments were more concerned with tertiary schooling, in detriment to primary schooling. Quantitative evidence, by its turn, shows that the level of electoral competition and administrative decentralization had positive effects on enrollment states in some states, but suffrage expansion seems to have had little influence on primary schooling expansion. The lack of attention given to this schooling level, due to the lack of political voice of the population, probably had negative effects on the structure of income distribution in Brazil along the 20th century.