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Mostrando postagens de Dezembro, 2011

Sentimentos morais

O post anterior sobre a morte de Kim Jong-Il gerou intensa controvérsia. O principal motivo foi a minha alegação de que, embora qualquer pessoa possa não gostar e inclusive protestar contra o regime norte-coreano, sentimentos de "nojo" contra o regime deveriam ser monopólio das que se sentem de fato atingidas pelo regime.
Essa afirmação foi de fato um exagero. Acredito que podemos nos sentir revoltados moralmente por três motivos ao menos: (a) porque nos sentimos diretamente envolvidos com o problema, (b) porque nos sentimos indiretamente envolvidos com o problema (simpatia ou empatia), (c) porque uma situação é patentemente injusta, não interessando nosso grau de envolvimento com o caso. Essas alternativas não são necessariamente mutuamente excludentes. Evidentemente, não estou me lembrando de fontes acadêmicas confiáveis sobre o problema e, portanto, os leitores podem comentar.
Um dos comentadores do post anterior deu o exemplo da pedofilia como um caso em que, mesmo não n…

Sobre a nota do PCdoB

Permitam-me sair das questões mais técnicas no dia de hoje. Acredito que alguns esclarecimentos precisam ser feitos acerca do post anterior, principalmente no que diz respeito à Coreia do Norte. 

Muitos amigos, ao verem a carta do PCdoB, concordaram comigo que a mensagem do partido foi estúpida e anacrônica, além de imprudente do ponto de vista eleitoral (a Manoela d'Ávila provavelmente sofrerá com isso nas próximas eleições). Nas redes sociais, vi declarações de todo o tipo: tanto de repúdio ao ditador morto quanto de elogios à carta do PCdoB. 
Pasmem que ambos os posicionamentos me exasperam. Não porque eu seria partidário do "politicamente correto", como acusou-me meu estimado colega Diego Rodrigues. Espero ser mais claro dessa vez.
1. Ser favorável a carta do PCdoB é indignante. Certo amigo meu disse que a carta tinha sido "uma manifestação ideológica do PCdoB". Até aí concordo. O amigo em questão afirmou que isso era "legal". Mas não sei o que te…

Comunistices

Assim como o Léo, também lamento o possível final de Kim Jong-Il looking at things. Mas nós sabemos que, como diz o autor do blog:kim jong-il will forever look at things on this site. well, not forever, it’s not like i have infinite photos of the guy, but you know what i mean". E assim como o Leo, também anuncio o blog do sucessor. Os vídeos de consternação do povo norte-coreano estão por aí circulando. Talvez um dos mais interessantes seja esse aqui, indicado pelo meu aluno Pedro Wieczorek. Tenho assistido com certa ojeriza as declarações raivosas mandando Kim Jong-Il para o inferno. Não  sou comunista obviamente. Mas quem quer mandar uma pessoa para o inferno por ódio ideológico iguala-se a um ditador. Pessoas que não tem em seu círculo próximo pessoas que sofreram com o totalitarismo talvez devessem pensar antes de fazer declarações de ódio a um ditador. Deixem isso para quem viveu com o comunismo. Melhor argumentar racionalmente.Tenho estudado recentemente as políticas econômi…

Escola de Verão (de novo)

Anunciando aqui que a FEA/USP divulgou o resultado da Escola de Verão em Desenvolvimento. Seguramente, um dos maiores cursos de verão existentes por aí - é só ver o número de selecionados. Se há gente que acompanha esse blog e estará lá presente, pode comentar aí embaixo.

Dois assuntos: "Occupy Wall Street" e Aprendizado Infantil

1. Talvez Dani Rodrik tenha dito a coisa mais sensata nos últimos dias sobre o movimento protagonizado por estudantes de Harvard na disciplina de Introdução à Economia ministrada por Greg Mankiw. O próprio Mankiw tem falado o que pensa, mas acho que Rodrik capturou muito bem o ponto aqui.

2. O outro link importante da semana foi fornecido pelo Prof. Sabino da UFRGS, divulgando um documento sobre Aprendizado Infantil publicado pela Academia Brasileira de Ciências. Sem dúvidas, um recurso fundamental para políticas públicas no futuro de nosso país.

Dois posts por semana

A irregularidade deste blog tem prejudicado os leitores. Então vamos dar um jeito nisso e tentar atualizá-lo duas vezes por semanas: terças e sextas em geral.

Para compensar a falta de posts, indico uma leitura interessante e curta sobre o perfil de Amartya Sen. Para quem gosta de seus trabalhos, foi uma interessante leitura que revela os motivos pelos quais a pesquisa de Sen tomou os caminhos que tomou.