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Mostrando postagens de 2011

Sentimentos morais

O post anterior sobre a morte de Kim Jong-Il gerou intensa controvérsia. O principal motivo foi a minha alegação de que, embora qualquer pessoa possa não gostar e inclusive protestar contra o regime norte-coreano, sentimentos de "nojo" contra o regime deveriam ser monopólio das que se sentem de fato atingidas pelo regime.
Essa afirmação foi de fato um exagero. Acredito que podemos nos sentir revoltados moralmente por três motivos ao menos: (a) porque nos sentimos diretamente envolvidos com o problema, (b) porque nos sentimos indiretamente envolvidos com o problema (simpatia ou empatia), (c) porque uma situação é patentemente injusta, não interessando nosso grau de envolvimento com o caso. Essas alternativas não são necessariamente mutuamente excludentes. Evidentemente, não estou me lembrando de fontes acadêmicas confiáveis sobre o problema e, portanto, os leitores podem comentar.
Um dos comentadores do post anterior deu o exemplo da pedofilia como um caso em que, mesmo não n…

Sobre a nota do PCdoB

Permitam-me sair das questões mais técnicas no dia de hoje. Acredito que alguns esclarecimentos precisam ser feitos acerca do post anterior, principalmente no que diz respeito à Coreia do Norte. 

Muitos amigos, ao verem a carta do PCdoB, concordaram comigo que a mensagem do partido foi estúpida e anacrônica, além de imprudente do ponto de vista eleitoral (a Manoela d'Ávila provavelmente sofrerá com isso nas próximas eleições). Nas redes sociais, vi declarações de todo o tipo: tanto de repúdio ao ditador morto quanto de elogios à carta do PCdoB. 
Pasmem que ambos os posicionamentos me exasperam. Não porque eu seria partidário do "politicamente correto", como acusou-me meu estimado colega Diego Rodrigues. Espero ser mais claro dessa vez.
1. Ser favorável a carta do PCdoB é indignante. Certo amigo meu disse que a carta tinha sido "uma manifestação ideológica do PCdoB". Até aí concordo. O amigo em questão afirmou que isso era "legal". Mas não sei o que te…

Comunistices

Assim como o Léo, também lamento o possível final de Kim Jong-Il looking at things. Mas nós sabemos que, como diz o autor do blog:kim jong-il will forever look at things on this site. well, not forever, it’s not like i have infinite photos of the guy, but you know what i mean". E assim como o Leo, também anuncio o blog do sucessor. Os vídeos de consternação do povo norte-coreano estão por aí circulando. Talvez um dos mais interessantes seja esse aqui, indicado pelo meu aluno Pedro Wieczorek. Tenho assistido com certa ojeriza as declarações raivosas mandando Kim Jong-Il para o inferno. Não  sou comunista obviamente. Mas quem quer mandar uma pessoa para o inferno por ódio ideológico iguala-se a um ditador. Pessoas que não tem em seu círculo próximo pessoas que sofreram com o totalitarismo talvez devessem pensar antes de fazer declarações de ódio a um ditador. Deixem isso para quem viveu com o comunismo. Melhor argumentar racionalmente.Tenho estudado recentemente as políticas econômi…

Escola de Verão (de novo)

Anunciando aqui que a FEA/USP divulgou o resultado da Escola de Verão em Desenvolvimento. Seguramente, um dos maiores cursos de verão existentes por aí - é só ver o número de selecionados. Se há gente que acompanha esse blog e estará lá presente, pode comentar aí embaixo.

Dois assuntos: "Occupy Wall Street" e Aprendizado Infantil

1. Talvez Dani Rodrik tenha dito a coisa mais sensata nos últimos dias sobre o movimento protagonizado por estudantes de Harvard na disciplina de Introdução à Economia ministrada por Greg Mankiw. O próprio Mankiw tem falado o que pensa, mas acho que Rodrik capturou muito bem o ponto aqui.

2. O outro link importante da semana foi fornecido pelo Prof. Sabino da UFRGS, divulgando um documento sobre Aprendizado Infantil publicado pela Academia Brasileira de Ciências. Sem dúvidas, um recurso fundamental para políticas públicas no futuro de nosso país.

Dois posts por semana

A irregularidade deste blog tem prejudicado os leitores. Então vamos dar um jeito nisso e tentar atualizá-lo duas vezes por semanas: terças e sextas em geral.

Para compensar a falta de posts, indico uma leitura interessante e curta sobre o perfil de Amartya Sen. Para quem gosta de seus trabalhos, foi uma interessante leitura que revela os motivos pelos quais a pesquisa de Sen tomou os caminhos que tomou.

PIB zero

Um dos diretores da ESPM-Sul me chamou atenção para a manchete do Jornal do Comércio, um periódico econômico local. A manchete dizia o seguinte: "País pode ter PIB zero no terceiro trimestre". PIB zero deve ser o Armageddon, o fim do mundo maia antecipado ou coisa parecida. Comecei a pregar o arrependimento no pátio da ESPM. Felizmente, meus queridos alunos de Macroeconomia da RI reclamaram no site e assim respondeu o JC:
Caros leitores, De fato, o título, que foi manchete na edição desta quarta-feira do JC, não é apropriado. Estamos ajustando a notícia, adotando o título da matéria. Obrigado.
Ganhei meu dia.

FEE

Este blog esteve parado porque, na semana passatda, assumi cargo de pesquisador na Fundação de Economia e Estatística. A FEE é um órgão ligado à Secretaria de Planejamento do RS que cuida de pesquisas econômicas e é responsável por estudos e divulgação de dados estatísticos do estado. Fui alocado para o Núcleo de Políticas Públicas e trabalharei com pobreza. Não se surpreendam se esse blog começar a falar mais de pobreza.

Prêmio BNDES!

Desejo meus parabéns ao Gervásio Ferreira dos Santos, primeiro colocado do Prêmio BNDES de Economia desse ano para a categoria doutorado. Não convivemos muito, mas conheci o Gervásio na FEA-USP.
Mas eu não poderia deixar de dar meus parabéns ao Raphael Rocha Gouvêa, segundo colocado na categoria mestrado do mesmo prêmio. Raphael foi meu colega de mestrado na FEA-USP, na última turma de Economia das Instituições e Desenvolvimento. Foi um amigo importante naqueles anos de muito estudo e pouco dinheiro em São Paulo - e continua sendo. Sei da competência do Raphael, que sempre soube dividir seus conhecimentos com os colegas e que se destacava no grupo naturalmente, sem artificialismos ou convencimentos. Sua modéstia, companheirismo e inteligência são difíceis de se achar juntos. Mais do que merecido esse prêmio. Agora ele é um homem casado e pesquisador no IPEA - desejo-lhe um grande futuro nesses novos caminhos.

Aumento do IPI para automóveis importados - parte 2

No post anterior sobre o tema, um leitor contestou o fato de eu ter utilizado a hipótese de concorrência perfeita na análise dos excedentes. Acredito que os pressupostos utilitaristas da economia do bem-estar são muito mais questionáveis do que a hipótese de concorrência perfeita. Sob concorrência monopolística ou com economias de escala, os resultados não mudam muito. Em qualquer situação, há perda do excedente do consumidor, embora possa haver ganhos líquidos para o país na forma de uma política beggar-thy-neighbour.    De qualquer maneira, isso por si só não significa que a proteção deva ser descartada de antemão. Como dissemos anteriormente, há o argumento da indústria nascente, cuja origem já discutimos no post passado. Dentro do arcabouço teórico do mainstream, o argumento é válido se assumirmos que há imperfeições de mercado. Em primeiro lugar, é preciso que a tarifa protecionista impeça a firma de ir à falência devido à concorrência internacional. Com o processo de learning-b…

Publicações recentes

Todas as minhas três publicações em periódicos avaliados por pares resolveram ser lançadas nesse mês. Quem quiser comentar, criticar ou se interessa pelos assuntos, aí vai:

"Resenha bibliográfica": Peter Lindert (2004), Growing Public. Cambridge University Press. Estudos Econômicos"Descentralização e Financiamento da Educação Brasileira: Uma Análise Comparativa, 1930-1964". Estudos Econômicos."Justiça e Desenvolvimento no Pensamento de Amartya Sen". Revista de Economia Política.

Agora eu espero mais uns anos até as próximas publicações...


III CLADHE

Recebi ontem o seguinte email:
Estimados todos,Adjuntamos la convocatoria al Tercer Congreso Latinoamericano de Historia Económica (CLADHE III)y las XXIII Jornadas de Historia Económica de la AAHE a realizarse en la Universidad Nacional del ComahueSan Carlos de Bariloche (República Argentina) del 23 al 27 de octubre de 2012.Saludos cordiales,

Aumento do IPI para automóveis importados - parte 1

O decreto presidencial 7567 de 15/09/2011 aumentou na prática o IPI para automóveis importados. Semana passada, o STF julgou como inconstitucional a aplicação imediata do decreto, que só pode vir a ser aplicado 90 dias depois. De qualquer modo, o decreto colocou o debate da proteção em pauta novamente. Os blogs na internet comentaram a respeito - pretendo comentar a respeito tentando me abster ao máximo de fazer posicionamentos categóricos sobre o tema. A ideia é dar mais suporte teórico e histórico ao debate.
Os maiores atingidos pelas medidas são os carros asiáticos, que vinham ganhando mercado recentemente no Brasil. Outros carros vindos do México ou do Mercosul não são onerados com a tarifa, uma vez que já tinham acordos prévios estabelecidos com o Brasil. Japão e Coreia já enviaram questionamentos à OMC, uma vez que o Brasil é signatário dos acordos que preveem a não-discriminação. Europa, EUA e Austrália também reforçaram a questão. 
Afinal, a tarifa aumentou em cerca de 30 pont…

Notas sobre Vargas, Goulart e educação

Acabo de sair de uma palestra de Juremir Machado da Silva sobre a Campanha da Legalidade. A palestra era dirigida aos alunos da RI da ESPM, que gostaram bastante da apresentação - pelo menos foi a impressão que tive. Além de detalhar o contexto histórico, ele contou inúmeras anedotas dos episódios do período. Em suma, foi uma excelente palestra. Alguns pontos para reflexão:
Em termos gerais, concordei com o palestrante quanto ao governo Vargas, embora Juremir tenha uma opinião muito mais favorável a Vargas. Juremir destacou a questão educacional no governo Vargas, que criou o Ministério da Educação em 1930. De fato, é verdade isso, assim como é verdade que as décadas de 30 e 40 significaram mudanças na educação com as Reformas Campos e, posteriormente, com as Leis Orgânicas de Capanema. Todavia, em termos comparativos internacionais e mesmo latino-americanos, a melhoria educacional foi pífia. A ênfase no ensino técnico e o descaso com o ensino primário mostra que se tratava de uma pol…

Escola de verão na FEA/USP

Anunciado o nova Escola de Verão em Economia do Desenvolvimento na FEA/USP. Fiquei empolgadíssimo com os cursos e tive vontade de participar. Entretanto, o foco é para alunos de pós-graduação (algo que eu tenho que voltar a ser algum dia), embora quem tenha feito mestrado nos últimos cinco anos possa também participar - vamos ver se eu arranjo tempo pra isso. Os cursos abrangem áreas muito diversas da economia como microdesenvolvimento, jogos evolucionários, equilíbrio geral computável e história econômica! É realmente bastante completo e diversificado. Confiram as ementas e a bibliografia. Está tudo lá!
Obrigado pelo email do Renato Colistete divulgando essa louvável iniciativa.

Blog novo: Desenvolvimento e Justiça

Aproveito aqui para divulgar um blog relativamente novo.
Um grupo com membros oriundos da filosofia política, direito e economia, tem discutido questões relacionadas a desenvolvimento e justiça distributiva. Estamos nos reunindo na Casa Ethos! Nesse blog podemos encontrar não apenas a memória de nossas reuniões (não é uma ata, apenas uma descrição do que temos estudado), mas também diversos links e textos relacionados ao tema. Também estarei postando lá eventualmente quando tiver algo sobre o tema. 
Cliquem aqui para ver o blog do grupo!

Utilitarismo e problemas psicológicos

O Thales Pereira, historiador econômico, acaba de me indicar a leitura de um artigo da The Economist: uma interessante discussão acerca do tipo de pessoa que é utilitarista. Para quem precisa saber mais sobre o tema também, procure as coisas do Michael Sandel, como o livro dele sobre justiça, ou suas aulas no justiceharvard.org.

Volta do blog

Esse blog ficou parado por muito tempo, mas agora é tempo de retomar as discussões. Uma série de acontecimentos me motivou a postar novamente por aqui. Algumas das discussões econômicas recentes têm sido bastante passionais por conta de: (a) mudança das regras do Bolsa Família; (b) queda da taxa de juros; (c) aumento da tarifa para importação de carros. Espero poder dar alguma contribuição nessas e outras discussões.
Por outro lado, gostaria de apenas fazer auto-propaganda e divulgar que meu artigo "Justiça e desenvolvimento no pensamento de Amartya Sen" foi publicado pela Revista de Economia Política. Foi enviado em meados de 2008 e após sofrer alterações e adiamentos, chegou a sua forma final apenas nessa edição. Lamentavelmente, o acesso ainda é restrito a assinantes da revista, mas em breve estará no Scielo.

Novo Doutorado em Desenvolvimento

Esse blog está de férias ainda - o blogueiro está com um número excessivo de horas-aula na Escola Superior de Propaganda e Marketing-Sul e na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Não é muito simples dar 22 horas-aula por semana e ainda orientar um TCC. Principalmente se você leciona Microeconomia, Macroeconomia, Economia Internacional e Introdução à Economia...
Mas a boa notícia é que a FEA/USP reformulou seu doutorado em Economia do Desenvolvimento. E ficou muito bom. Confiram aqui:
http://www.usp.br/feaecon/posgraduacao.php?i=226
As inscrições vão de 2 de maio a 10 de junho. Mais informações e o edital estão aqui:
http://www.usp.br/feaecon/posgraduacao.php?i=224

I Encontro Nacional dos Blogueiros de Economia

Este blog está de férias, mas farei uma divulgação a pedido do Cristiano M. Costa:



Pausa

Este blog tem sofrido com algumas interrupções ultimamente. Agradeço aos leitores, mas precisarei parar por algum tempo devido a algumas tarefas com as quais me comprometi recentemente, além de problemas familiares.
No devido tempo, avisarei via redes sociais e blogs amigos (se eles quiserem me ajudar) a volta deste aqui. Demais leitores podem se inscrever como seguidores e ver as atualizações.
Agradeço desde já. Thomas Kang

História econômica do século XX

Muitas vezes, pessoas interessadas em história econômica mas que não pesquisam na área tem interesse em aprimorar seus conhecimentos. No entanto, muitas vezes papers e livros da área são carregados de dados e descrições - o que é correto, uma vez que evidências são necessárias. Aliás, em meu processo de redação de minha dissertação, o primeiro rascunho sempre carecia de dados segundo o meu orientador.
Estou lendo agora o livro "Global Capitalism" de Jeffry A. Frieden (que tem tradução pro português, mas obviamente comprar a versão em inglês paperback é sempre mais barato). Esse é um livro que eu recomendo também para aqueles que querem ler história econômica sem se estressar muito com descrições exaustivas. Até agora tem sido uma leitura relativamente leve, resumindo a literatura existente - com as referências sempre em notas de fim. O livro é uma história econômica do século XX que merece ser lido por quem é e por quem não é da área.

Lara-Resende sobre desigualdade e bem-estar

*** ATUALIZAÇÃO O site do Ministério do Planejamento disponibilizou o artigo do Lara-Resende que não conseguimos ler no site do Valor (como está escrito abaixo). Clique aqui e leia!
***
A coluna de André Lara-Resende, um dos pais do Plano Real, no caderno "Eu&Fim de semana" do Valor Econômico é sobre desigualdade e bem-estar. Um interessante artigo que debate não apenas os efeitos diretos da desigualdade sobre o bem-estar, como também questões de valor que estão sempre envolvidas nesse debate. Infelizmente, o site do Valor não permite que leiamos o artigo inteiro (eu recebi por email de um colega). Se você não tem login do Valor ou não tem o jornal em casa, vá à biblioteca da sua faculdade de Economia e leia a coluna.

Justiça Global?

Quando comecei a estudar justiça distributiva lá na cadeira de Política e Planejamento Econômico com o Flávio Comim, comecei a ter contato com as ideias de Rawls. Só aprofundei um pouco o conhecimento no assunto a partir de uma disciplina na Ciência Política da USP sobre o tema com o Álvaro de Vita. No entanto, nunca tive a oportunidade de estudar com mais profundidade o tema da "globalização justa" (apesar do Prof. Álvaro entender do assunto, mas eu não consegui me aprofundar). A pergunta é: como lidar com as questões de justiça em um mundo cada vez mais interligado?
Comecei a ler "One World" do filósofo Peter Singer(clique aqui para ver a versão em português do livro), um livro sobre a ética da globalização. Já no primeiro capítulo, Singer critica Rawls por se limitar à justiça dentro (within) de uma sociedade em um livro gigante como "Uma Teoria de Justiça". Embora Rawls tente lidar com o tema em "O Direito dos Povos", Singer vê como insuficie…

Ética, cooperação e equilíbrios

O papel da ética no desenvolvimento tem sido discutido há muito tempo na história do pensamento econômico, ainda que os advogados do egoísmo ético como Stigler e Friedman continuem a seguir à risca os passos de Mandeville, afirmando que “vícios privados” geram “benefícios públicos”, como bem mostrou Giannetti (Vícios Privados, Benefícios Públicos: a ética na riqueza das nações. São Paulo: Companhia das Letras, 2007). Na economia contemporânea, os benefícios da cooperação passaram a fazer parte da agenda de pesquisa através de trabalhos como os de Olson (1957) sobre ação coletiva, Arrow (1959), entre outros. O recente Nobel dado a Oliver Williamson e Elinor Ostrom também está relacionado a essa agenda. Temas como capital social, em que se destacam Putnam (1993) e Coleman (1988),tem tudo a ver com o papel da ética na economia – em que pese diretamente a contribuição de Sen (Ética e Economia. São Paulo: Companhia das Letras, 1999).O teólogo Valério Schaper das Faculdades EST me chamou at…

Volta das Férias

Registrado pelo Thales o tour que fizemos por arquivos hoje em Porto Alegre. Este blog esteve novamente parado, mas é que o cérebro do Thomas estava de férias. Na foto, Thales, Fábio Pesavento e Thomas Kang no arquivo da Santa Casa de Misericórdia em Porto Alegre na tarde do dia 17 de janeiro. Os termômetros chegaram a passar dos 35 graus. É a luta pela busca de dados na história econômica. Alguém tem que fazer o trabalho com as traças.