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Mostrando postagens de Junho, 2010

13º BIEN

Para quem não sabe, começa amanhã o 13º BIEN Congress: Basic Income as an Instrument for Justice and Peace. O evento ocorrerá na FEA-USP e conta com vários convidados conhecidos do governo e da academia. É notável a quantidade de políticos que estará presente, incluindo o maior defensor da renda básica no Brasil, Eduardo Suplicy. Mas também estará lá o nome mais conhecido na academia sobre o assunto: o belga Philippe Van Parijs.
Li Van Parijs quando fiz uma disciplina sobre Justiça Distributiva no Departamento de Ciência Política da FFLCH/USP com o professor Álvaro de Vita. Confesso que na época não me entusiasmou muito, mas o texto também não era dos mais fáceis. De qualquer forma, Van Parijs está nesse debate com Rawls, Sen, Nozick e Dworkin (só para citar alguns dos nomes mais conhecidos na justiça distributiva contemporânea). Foi dessa disciplina que saiu meu artigo sobre Sen, que apresentei no Uruguai e está para ser publicado em breve.
O Leo Monastério recentemente mostrou uma ci…

Escolha Social é possível?

Em geral, estudamos pouco tópicos como Escolha Social (Social Choice Theory) ou Economia do Bem-Estar (welfare economics). Esses assuntos costumam aparecer en passant por disciplinas de microeconomia na graduação, mas dificilmente há maior aprofundamento das questões. Quando se fala no Teorema da Impossibilidade de Arrow, a ideia que é passada pelos manuais é de que a escolha social é impossível. Não se fala no que esse primeiro resultado gerou de pesquisas subsequentes na tentativa de mudar as hipóteses e conseguir soluções melhores - embora geralmente apareçam novos teoremas de impossibilidade. No último estudo de nosso grupo de estudo em Escolha Social, utilizamos um artigo de Amartya Sen chamado "The Possibility of Social Choice", que é a palestra de Sen por ocasião de seu Prêmio Nobel. Como bem explicou a colega Daniela, muitas vezes pensamos em Escolha Social e pensamos apenas em esquemas de voto e teorema de Arrow, mas não entendemos que isso está por detrás de todas a…

Pensamentos esparsos sobre globalização

A globalização, fenômeno tão falado (mal ou bem), torna-se bastante evidente no atual evento mais importante do esporte, a Copa do Mundo (tenho minhas dúvidas se a Copa do Mundo não é mais importante do que as Olimpíadas). Qual não foi a minha surpresa ao ver patrocínios de multinacionais conhecidas como Coca-Cola e Adidas nos estádios, mas como também de propagandas da Seara (que fabrica salsichas no Brasil) e da Quilmes (uma cerveja argentina). Além disso, sei que a Brahma, uma cerveja nacional, embora controlada pela multinacional AmBev, é uma das patrocinadoras.
O futebol é um palco para a globalização há muito tempo. Após o jogo entre Argentina e Nigéria hoje, vi um especial sobre a Copa de 1958 com alguns amigos. Nos estádios suecos já havia propagandas nas laterais de companhias como Philips e Telefunken (lembram?), enquanto Pelé dava aquele chapéu no zagueiro sueco em imagens preto e branco.
Estou mais sensível a esse tipo de coisa por estar estudando o tema. Além de estudar os…

Texto sobre globalização e desigualdade

Estava hoje lendo um artigo de Peter Lindert e Jeffrey Williamson sobre globalização e desigualdade em perspectiva histórica. Um excelente survey da literatura sobre o tema. Importante para mim, que estou tentando escrever um texto relacionando ética cristã e globalização (para horror de alguns amigos meus, mas vamos ver o que sai disso) que me foi pedido. Ele faz parte desse livro organizado por Bordo, Alan Taylor e Jeff Williamson. Recomendo fortemente a leitura.
Ainda recomendo a irem atrás da referência existente do texto de Hadass e Williamson (2001), que é uma avalição da tese Prebisch-Singer de deterioração dos termos de intercâmbio. Em vez de acreditar ou não na tese, vamos olhar para os trabalhos empíricos.

Lições de econometria no site do NBER

Meu ex-colega Raphael Gouvêa me deu uma dica. Para aqueles interessados nas novidades da econometria, assistam as palestras de Stock e Watson (2008) e Imbens e Wooldridge (2007). Mas é claro, aqueles que ainda não leram o livro de econometria introdutória do Wooldridge pelo menos deveriam tentar fazê-lo antes de tentar entender essas aulas.
Se você aspira ser historiador econômico, não seja preconceituoso. É importante saber econometria nem que seja para poder criticar quando ela é usada indevidamente (o que ocorre bastante), assim como também para aproveitar trabalhos que fazem excelente uso dela.