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Mostrando postagens de Abril, 2012

Sobre vantagens comparativas

Para evitar o que muitas vezes se diz sobre vantagens comparativas, resolvi escrever esse post. Há alguns equívocos, na minha opinião, no que ouvimos por aí a respeito dos modelos de comércio internacional baseados em vantagens comparativas. 
Os modelos baseados em vantagens comparativas canônicos (Ricardo e Heckscher-Ohlin) não são necessariamente teorias normativas. Elas só mostram (tentam explicar logicamente) os ganhos estáticos da abertura ao comércio internacional entre dois países. E é óbvio que, em termos estáticos, em que não há variações de produtividade, há ganhos gerais de comércio para ambos os países envolvidos (lembrando que os modelos pressupõem dois países).A defesa do comércio livre apenas sob o argumento das vantagens comparativas não é suficiente, porque é necessário levar em conta os efeitos dinâmicos. Se há setores que não tem tantos ganhos de produtividade por algum motivo, a especialização na produção do bem em que o país tem vantagens comparativas pode ser del…

Mais sobre educação

Interessante artigo do Pastore no Estadão do dia de ontem fala sobre a questão educacional. Vale a pena dar uma lida!
Relacionado ao artigo do Pastore, a história econômica dos Estados Unidos mostra como foi formado o capital humano norte-americano. Entre as diversas referências, um livro recente de Claudia Goldin e Larry Katz se destaca (e do qual já falei muitas vezes aqui): The Race Between Education and Technology. Aliás, há um artigo-resenha do Acemoglu e do Autor sobre o livro. E aqui, uma entrevista da VoxEu com o Katz.
Mas sobre educação nos EUA, é preciso ler Albert Fishlow, Bob Margo, Sandra Black e Kenneth Sokoloff, Sun Go e Peter Lindert, entre outros.

Clipping: Seminários, Coreia do Norte e papel higiênico

Prof. Jorge Araújo, que sabe muito de economia matemática e um dos melhores professores que tive,  para o deleite dos que não gostam de modelagem, afirmou quea abstração na economia prometeu muito mais do que trouxe. Isso foi em um seminário da FEE. De qualquer maneira, ele também não invalidou o uso da matemática evidentemente: ele afirmou que a matemática traz mais rigor e explicita os canais. Ainda estou com Krugman e Sen nessa (em ambos os links, eles falam de teorização). Evidentemente, precisamos melhorar nossas análises empíricas.
Seminários podem ser realmente úteis. Como eu anunciei no post passado, o Felipe Garcia apresentou nosso paper e recebemos excelentes comentários, em particular dos professores Marcelo Portugal e Sabino, além do Marcos, colega de FEE e de república em São Paulo.  O diálogo de hoje no Tweeter é o seguinte:
: Like Dani Rodrik and Jeff Sachs often do, Paul Farmer refers to me as "some economist"

Clipping: Banco Mundial, IPEA e seminário do PPGE/UFRGS

Escrevi sobre a disputa ao cargo de presidente do Banco Mundial em outra oportunidade. Com a escolha definitiva de Kim, a revista The Economist fez uma matéria resumindo o debate: basicamente macrodevelopment contra microdevelopment. Curiosamente, ao contrário de Easterly e Pritchett, Acemoglu e Robinson apoiaram Kim. Aqui nesse outro post, eles reforçam sua posição. Simon Jonhson também apoia Kim.
Não conheço bem ainda esses documentos do IPEA sobre Política e Economia Internacional, mas quem se interessa pela área deveria dar uma olhada (por exemplo, meus alunos, assim como também seu professor de Economia Internacional, é claro).
Amanhã, o Felipe Garcia (UFPel e doutorando da EESP/FGV-SP) vai apresentar um working paper nosso chamado "The Cuban Experiment: An Application of the Synthetic Control Method".  O horário é às 16h em alguma sala do 3º andar da FCE-UFRGS, no tradicional seminário de quarta-feira do PPGE/UFRGS. Os autores são o palestrante, este blogueiro e o Guilh…

Definição de Oikomania

Ao digitar erroneamente o nome do meu próprio blog, o Google me indicou a existência do vocábulo "oikomania". Segundo o Free Dictionary, "oikomania" é definido como uma "an abnormal attachment to home", ou seja, uma espécie de fixação pelo lar. Talvez seja um mal que todo gaúcho sofre e, curiosamente, me identifico um pouco com o significado original por ser muito ligado à minha cidade e ao meu estado. A escolha do nome do blog foi totalmente ao acaso - pensando em Economia e no meu gosto pelo assunto. Há outras definições mais completas por aí do vocábulo (google it!). 
Como todo economista sabe, oikos (οἶκος) de fato significa casa e, portanto, juntando isso com nomos (νόμος), temos a origem do termo economia, que é literalmente a "administração da casa" (assim, entende-se porque "economizamos" ao comprar algo barato). Ou seja, estamos falando da administração de nossos recursos: como dizem os livros-texto, estudamos a alocação de re…

EconAcademics e blogosfera

Recebi hoje um email de alguém do Fed de St. Louis (que tem esse interessante banco de dados) dizendo que este blog está na versão em português do EconAcademics.org. A única coisa que fiz, aparentemente, foi postar um link para algum artigo da EconPapers, RePEc ou dos blogs do NEP. Provavelmente o Erik do Moral Hazard também recebeu o email, que começa assim:

Dear Blogger,

Congratulations, you made the list!

The Federal Reserve Bank of St. Louis is lauching a blog aggregator, 
EconomicAcademics.org, to highlight and promote the discussion of 
economics research. Your blog is part of this effort. This email explains 
why and how you can help promote the discussion of economic research in 
the blogosphere.


A blogosfera está aumentando e muito. Quem escreve sobre isso, e muito bem, é o Drunkeynesian. Como já falei pro Shikida e pro Cristiano, nosso próximo evento deveria ser junto com esses caras aqui:




Resenhas de Why Nations Fail

Acho que essas resenhas sobre o aclamado livro de Aemoglu e Robinson, Why Nations Fail, podem ser interessantes (veja o blog do livro aqui). Em partiular, gostei muito da resenha do Bill Easterly, cuja crítica básica é que o livro é mais anedótico do que consistente do ponto de vista de mostrar evidências de causalidade - teria havido exagero na tentativa dos autores em tornar o livro acessível a um público maior do que os economistas. 
Por outro lado, a resenha de Clive Crook (são duas na verdade, mas vou me concentrar nessa aqui, a outra resenha está aqui), chama atenção para o uso do termo "instituições inclusivas" - termo  que para ele serve mais para vender a ideia do que dar certa precisão ao argumento. Para melhorar isso, Crook resolve voltar para Mancur Olson e seu conceito de "market-augmenting government". Um ponto duvidoso da resenha de Crook é seu certo ode ao "individualismo" que ele faz no final. Esse termo talvez seja tão problemático quan…

Protecionismo na América Latina e na Ásia

Continuando a discussão do post passado e desses outros posts de outros blogs aqui e acolá, temos aí mais resultados novos. Recebi o seguinte email do meu amigo Thales, historiador econômico, que leu o último paper de Clemens e Williamson (2012) na Revista de História Económica/Journal of Iberian and Latin American Economic History. O artigo desses autores, que na minha opinião são insuspeitos (é só olhar o Lindert e Williamson (2003), em que os autores são em geral favoráveis à globalização), levanta dúvidas acerca do papel do livre comércio. A discussão é muito difícil e é preciso entender se América Latina e Ásia cresceram por conta do livre comércio ou apesar do livre comércio (como costuma dizer o Nye) - quando cresceram. 
Citando o Thales, em email pessoal para mim: " [...] acho que o último paper do Williamson e do Clemens sobre America Latina pode te ajudar no debate sobre protecionismo. Está na última RHE:

'Latin America had the highest tariffs in the world before 1…