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Mostrando postagens de Julho, 2012

Instituições e diferenças dentro dos estados

Se Naritomi et al. (2012) querem ver o efeito de diferentes atividades econômicas em todo o Brasil, por conta das diferentes estruturas institucionais criadas por tais atividades, má ideia não é verificar o que acontece dentro de estados brasileiros. O Rio Grande do Sul é um excelente caso. Em parte, quem tratou disso foram o Irineu e o Leo Monastérionesse paper aqui, já publicado online pela Regional Science and Urban Economics.
Resolvemos recentemente aqui na FEE e observar os dados de pobreza absoluta no RS. O Marcos Wink já publicou a respeito na Carta de Conjuntura da FEE em janeiro. Lá, na página 2, temos um bonito mapa mostrando onde estão os clusters de pobreza no estado: é o mapa aí em cima. Em algumas regiões, a incidência de pobreza é notória (quanto mais escuro, maior a incidência de pobreza). No norte do estado, por exemplo, temos vários pequenos municípios, destacando-se Redentora, com 23,45% de população em pobreza extrema. Por outro lado temos no sul do estado uma eno…

Comentários sobre Naritomi et al. (2012)

Resolvi ler ontem a versão final do paper de Naritomi, Soares e Assunção (2012), finalmente publicada pela Journal of Economic History, depois de anos de versões anteriores circulando por aí. No final das contas, embora os resultados façam sentido, corroborem Engerman e Sokoloff, AJR e até Caio Prado Jr., não me dei por satisfeito. O paper trata de ver o efeito de atividades econômicas importantes sobre diversas variáveis como distribuição de terra, governança e provisão de bens públicos. Essas atividades teriam criado instituições extrativas que poderiam ter afetado negativamente os municípios ligados ou próximos aos centros dessas atividades.
Os resultados são intuitivos: regiões próximos ao açúcar em desvantagem no que se refere a desigualdade de terra, assim como alguns resultados negativos advindos da extração aurífera (em termos de acesso à justiça e governança). Ademais, as regiões antigas do café também tiveram alguma desvantagem. O novo no artigo é uma metodologia quantitat…

Sobrevivendo ao congresso

Estive em silêncio durante minha estadia em Stellenbosch. Voltamos do XVI World Economic History Congress na cidade sul-africana próxima à Cape Town. O frio era muito semelhante ao de Porto Alegre, até porque exatamente como aqui, não havia calefação. A diferença é que as cidades do Western Cape são muito bonitas. Praias e montanhas fazem parte da paisagem da região, além das cidades serem bem mais organizadas que as brasileiras - pelo menos nas partes centrais.

Como esperado, recebi comentários interessantes em relação aos papers, tanto elogiosos quanto críticos. No primeiro dia, apresentei meu paper sobre educação no Brasil entre 1947 e 1962. Não mudei muito o que apresentei em relação à Tübingen em 2010. Talvez até por isso, o Peter Lindert (UC Davis) tenha feito uma forte crítica em relação a alguns detalhes econométricos: ele acha que a utilização de efeitos fixos nas minhas regressões está modificando os resultados que ele esperaria. Fiquei feliz por não ser o único: parece que…

XVI World Economic History Congress

Primeiras notícias de Stellenbosch. Escrevi esse pequeno post quando estava na África do Sul, mas por algum motivo, o blogger.com não queria publicar.


Confusa a primeira palestra de James Robinson sobre África. A palestra foi proferida na Kruiskerk (uma igreja), a exemplo do que ocorrera na edição passada do WEHC em Utrecht. Acemoglu também palestrou em uma igreja. Como estávamos na África, a ideia foi discutir os motivos do atraso econômico na África. Evidentemente, Robinson falou o tempo todo em instituições. Stellenbosch é uma cidade muito simpática, onde é nítida a forte influência holandesa. O Afrikaans é uma língua bastante interessante e incompreensível.Eles têm uma boa cerveja, a tal de Black Label. Superior às que temos no mercado industrial. Comentário interessante de Steven Broadberry sobre o Why Nations Fail, criticando-o evidentemente... Palestra de Deirdre McCloskey sobre o papel da ideologia na Revolução Industrial. Pra ela, essa história de instituições formais (North a…

Sobre o regime cubano

Outro paper que apresentarei no XVI WEHC será o controle sintético que aplicamos para Cuba. Antes que opiniões surjam por aí sobre as conclusões de nosso paper, vou colocar aqui meu posicionamento pessoal acerca da situação em Cuba. Meus coautores não tem qualquer relação com as minhas opiniões.

1. Segundo nossas estimativas, se Cuba não tivesse adotado o regime comunista, acabando com instituições de mercado, Cuba teria, ao longo do período 1959-1974 um nível de PIB maior do que o apresentado de fato - embora possivelmente fosse sofrer mais com a crise internacional se sua economia estivesse aberta. É apenas isso que o controle sintético encontra e nada mais, sem extrapolações políticas adicionais. De qualquer maneira, a fase que é considerada por alguns (Brundenius, 2009) como bem-sucedida (os primeiros 25 anos de Revolução), não teria sido tão boa assim de acordo com o que encontramos. Nossa conclusão não difere de Ward e Devereux (2011). Para explicar isso, utilizamos argumentos q…