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Mostrando postagens com o rótulo Amartya Sen

Justiça e pessoas com deficiência

Nessa semana, estamos na Semana Nacional da Pessoa com Deficiência. Confesso que achei difícil encontrar qualquer coisa a respeito, tirando em sites de órgãos como a APAE . Fiquei sabendo disso pelo site de minha própria igreja na verdade. Infelizmente, isso é pouco divulgado. Muitos acham que política ou economia não tem muito a ver com isso. Mas quando lidamos com questões de justiça, é importante considerarmos as pessoas com deficiência. Essas pessoas geralmente precisam de mais renda e de mais facilidades do que as outras a fim de que tenham uma vida de razoável conforto. É a partir dessa constatação, de que nem todas as pessoas têm a mesma capacidade para converter renda em bem-estar, que Amartya Sen critica visões que se baseiam na igualdade de renda como objetivo maior (sem contar todos os problemas de incentivos). Mesmo que não houvesse problemas de incentivos, tal objetivo ainda seria eticamente questionável. Pensemos não apenas nas pessoas com deficiência, mas também em que...

Utilitarismo e subjetivismo

Há pouco mais de um mês, fiz algumas perguntas a Eduardo Giannetti após uma palestra proferida por ele. Como eu disse em um post anterior , eu esgotei o pobre coitado. Minha pergunta pra ele foi sobre sua posição pessoal acerca do utilitarismo e da abordagem das capacitações. Ele evitou responder diretamente sua posição, mas depois de um tempo, disse que era muito crítico ao utilitarismo. Em meus poucos estudos sobre justiça distributiva, lembro que classicamente a utilidade pode ser identificado com (a) prazer, (b) felicidade e (c) satisfação de desejo (esse argumento está bem claro em um clássico artigo de Amartya Sen chamado "Well-Being, Agency and Freedom: the Dewey Lectures, 1984", publicado na Journal of Philosophy em alguma edição de 1985). Quaisquer dessas opções nos levam a um forte subjetivismo. É comum, por causa disso e até pela forma com que a Economia trata das funções de utilidade, que liguemos utilitarismo diretamente a subjetivismo. No entanto, não precisa se...

Esperando...

Em setembro de 2007, fui à Nova York para ver a Conferência da Human Development and Capability Association. Na palestra principal, Amartya Sen discorreu sobre as principais idéias de seu novo livro sobre justiça, que ele estava escrevendo. Uma palestra muito legal, com direito a comentários de George Soros, o especulador keynesiano. Nesse meio tempo, escrevi um paper para uma matéria de Teorias de Justiça que fiz lá no Departamento de Ciência Política da USP. O paper discorre sobre as idéias de justiça e desenvolvimento no pensamento de Sen. Incentivado pelo Prof. Álvaro de Vita, arrumei o texto, enviei para a conferência latino-americana sobre capacitações em Montevideo ocorrida em outubro de 2008 e ainda enviei uma versão para uma revista. Cheguei a enviar para a o congresso da ANPEC, mas a banca marxista não viu qualidade e/ou validade no meu trabalho. A revista não me respondeu até hoje. Pensei que era importante publicar isso antes do lançamento do livro do Sen. Finalmente, ao pa...

Críticas que não entendo (1) - (cont.)

Em primeiro lugar, acho melhor esclarecer que, quando falo de equilíbrio, não estou especificamente falando do equilíbrio geral. Embora eu mesmo não veja o equilíbrio geral como algo nefasto à economia, até entendo que tenha gente que não goste. A prova da existência de equilíbrio geral (Arrow-Debreu) é bastante complexa e abstrata. Ainda, em um tópico que não estudei, apresenta problemas (Teorema Sonnenschein-Mantel-Debreu, MWG cap 17). Mas isso não significa que é inválido. Falando de equilíbrio em sua forma mais simples, pensemos em um simples equilíbrio de mercado com a curva de oferta cruzando a de demanda, determinando preços e quantidades. Alguém ser contra isso é difícil entender. Uma coisa estimável, aplicada, com inúmeros estudos e altamente esclarecedora. Uma ferramenta simples e poderosa.  Em segundo lugar, falaram que muita gente seria contra o equilíbrio geral, incluindo Amartya Sen. Vamos deixar claro que Sen não é um heterodoxo (quem ganha Nobel é ou tornou-se ortodoxia...

Smith e Keynes na visão de Sen

Novamente, como fã do pop-star Amartya Sen, farei propaganda de um escrito seu no New York Review of Books . Sen escreveu um pequeno artigo sobre a crise, o capitalismo e as idéias de Smith, passando por Keynes e por seu professor Pigou, tão mencionado negativamente na Teoria Geral. Vou copiar alguns trechos que merecem ser transcritos (agradeço a Ana Barufi por mandar o mapa da mina): " For example, the pioneering works of Adam Smith in the eighteenth century showed the usefulness and dynamism of the market economy, and why—and particularly how—that dynamism worked [...]" "[...] the huge limitations of relying entirely on the market economy and the profit motive were also clear enough even to Adam Smith. Indeed, early advocates of the use of markets, including Smith, did not take the pure market mechanism to be a freestanding performer of excellence, nor did they take the profit motive to be all that is needed." "Smith's economic analysis went well beyond ...

Resposta: protecionismo e fim das políticas

A controvérsia de indústrias nascentes remonta a Hamilton e List, que advogaram protecionismo temporário para indústrias que tivessem potencial. Contra eles, levantam-se os argumentos pró-livre comércio, que encontram eco hoje em economistas como, por exemplo, Anne Krueger (ela tem alguns artigos na AEA sobre isso). Um bom caminho é de repente ler um livrinho que eu só li um pedaço, de autoria do Jagdish Bhagwati chamado "Livre-comércio versus protecionismo" ou coisa parecida. Só pra lembrar, Bhagwati é mais favorável ao livre-comércio. Em inglês, está disponível na Livraria Cultura . O ponto é: pelo que tenho lido, o protecionismo no Brasil e na América Latina em geral não teve o caráter temporário e racional advogado por List e seus sucessores. Por ter sido uma proteção pouco criteriosa, mais preocupada com a deterioração do balanço de pagamentos e com a substituição a qualquer custo com tendências autárquicas, entramos no pior dos mundos. Sejam defensores do livre-comércio...

Auto-promoção: Kang fala sobre Amartya Sen

O Lucas Mendes do blog Austríaco tem estudado os escritos de Amartya Sen, uma vez que ele tem trabalhado com Rawls e os libertários em seu mestrado em Filosofia Política pela UFSM. Não acho que eu seja o mais indicado, mas o Lucas achou que eu poderia falar sobre Sen para o seu blog, apesar do blog Austríaco ser um divulgador de idéias libertárias. Vocês podem achar a entrevista que concedi clicando AQUI. (Agradeço a dica do Enoch). De qualquer forma, agradeço a oportunidade: foi boa pra relembrar Sen, que foi deixado um pouco de lado após a conclusão de meu trabalho sobre Teorias de Justiça em janeiro. Enquanto isso, vou aproveitando o fim de semana chuvoso de turismo no Rio de Janeiro...

O debate liberal-igualitário - parte II

O foco nos fins ao invés dos meios na definição do equalisandum gerou estranheza para John Rawls, que argumentou da seguinte maneira: [...] an index of primary goods is not intended as an approximation to what is ultimately important as specified by any particular comprehensive doctrine with its account of moral values. (Rawls, 1988, p. 259). A idéia de Rawls, ao focar nos bens primários, era reafirmar que a sua concepção de justiça era política e que, portanto, não poderia definir o que é o certo (ou o bem). Equalizar bens primários, para que a partir daí os indivíduos buscassem seus próprios objetivos, foi a solução encontrada como alternativa a dominante métrica utilitarista, ainda hoje infuente na teoria econômica do bem-estar. Sen respondeu em paper na Philosophy and Public Affairs (1990, versão levemente modificada em Sen 1993) afirmando que Rawls tinha interpretado erroneamente a crítica dele. Para Sen, Rawls não levara em conta a diferença fundamental entre capability e funct...

O debate liberal-igualitário - parte I

No debate sobre justiça, temos um pequeno debate entre Rawls e Sen. Um debate em família, na verdade, como diz Roemer (1996). Ambas são propostas do chamado liberalismo igualitário, mas se diferenciam em um aspecto fundamental para um teoria igualitária: eles adotam equalisanda diferentes. O equalisandum - ou seja, aquilo que deve ser equalizado - para Rawls são os chamados bens primários, que são coisas que todo ser humano racional presumidamente desejaria. Rawls de certa forma define alguns deles no seguinte trecho: For simplicity, assume that the chief primary goods at the dispositions of society are rights and liberties, powers and opportunities, income and wealth. [...]. These are social primary goods. Other primary goods such as health and vigor, intelligence and imagination, are natural goods; although their possession is influenced by the basic structure, they are not so directly under its control. (Rawls, 1971, p. 62) A crítica de Sen para a escolha de uma forma de recurso ...

Perfeccionismo moral e subjetivismo welfarista

O problema que vejo no debate que vem sendo travado até agora é saber se (a) não estamos caindo em algum tipo de perfeccionismo moral e, (2) se algum tipo de perfeccionismo moral é aceitável. Quando falo de perfeccionismo, estou me referindo a concepções morais como as defendidas na Grécia Antiga: o homem estaria próximo à perfeição moral à medida que participasse ativamente da vida política da pólis. Dessa forma, estavam definidos que tipo de vida um homem devia levar - trata-se de uma concepção objetiva. Do lado oposto, temos a idéia welfarista, traço marcante do utilitarismo, na qual a satisfação de desejos subjetivos torna-se a métrica. Na concepção clássica de Bentham, falava-se na dicotomia prazer-dor. Quem sabe o que é o melhor para si é o indivíduo. Se, como disse o Joel, uma pessoa gosta de se enlamaçar ou fazer qualquer outra coisa que a maioria das pessoas considere absurda, não importa: o que importa é que ele está agindo de acordo com suas preferências. Contudo, ambas as ...

Violações de direitos podem ser justificadas? (2)

O debate tem sido frutífero na questão da violação de direitos naturais. Eu lancei a pergunta com base em Amartya Sen e Richard respondeu a seu modo costumeiramente apriorístico e defensor instransigente de princípios. Renato Drumond resolveu opinar em seguida, contrapondo-se a alguns argumentos de Richard. Dias depois, Joel foi mais conseqüencialista reagindo criticamente às proposições anarco-capitalistas (é no blog do Joel que o debate se concentrou: 14 comentários em dois dias). Logo após, Stein voltou a defender posições mais apriorísticas, à semelhança de Richard, contra os argumentos de Sen. Em meio a tudo isso, o Cláudio do De Gustibus ajudou na divulgação do debate aqui e aqui . Meu pequeno comentário em relação a todo esse debate, cujo pontapé inicial foi questionar se A pode invadir a propriedade de D para impedir que B mate C: A minha formação convencional como economista levava-me a confundir o conseqüencialismo com o utilitarismo de forma bastante errônea. Indubita...

Produto marginal ou valor-trabalho?

No capítulo intitulado "Class, Gender and Other Groups" do famoso livro "Inequality Reexamined", Amartya Sen (1992) discorre um pouco sobre um velho debate na história do pensamento econômico: quem afinal foi responsável pela produção? E quem merece receber a remuneração advinda dessa produção? Segundo Sen: Production is an interdependent process involving a joint use of many resources, and there is in general no clear way of deciding which resource has produced what. The concept of 'marginal product' of a resource is not really concerned with who has 'actually produced' what, but with guiding the allocation of resources by examining what would happen if one more unit of a resource were to be used (given all the other resources). To read in that counterfactual marginal story (what would happen if one more unit were applied, given everything else) an identification of who has 'in fact' produced what in the total output is to take the margin...

Nova teoria de justiça no forno

"Reasons for Justice". Pelo que entendi, esse será o novo livro de Amartya Sen propondo uma alternativa teoria de justiça. Justiça foi o tema da palestra Mabdul Ul-Haq que ocorre anualmente durante a conferência da Human Development and Capability Association. Para fazer justiça a algumas pessoas, Sen lembrou de Ul-Haq e de Rawls, para quem ele deve muito de suas idéias. Em sua palestra, Sen enfatizou quatro pontos: (1) vida e liberdades (freedoms), (2) responsabilidade e poder efetivo, (3) abordagem comparativa e não-transcendental e (4) desenvolvimento humano como abordagem que cobre irrestritamente e globalmente. Outra hora, em momento mais apropriado, posso também comentar a respeito disso. Jogados dessa forma, os pontos apresentados parecem não fazer sentido algum. Embora o sotaque indiano de Sen tenha me impedido de entender a maior parte das piadas, acho que entendi a mensagem. Essas características são as que diferenciam a teoria de Sen das outras teorias contemporâne...

O equívoco da primazia da riqueza

Meu último post foi bastante superficial e bem confuso, escrito no intervalo entre estudos do Mas-Collel e do Greene. No entanto, Stein não perdeu a oportunidade para me rebater em uma questão específica: Respondendo ao Thomas, ao meu ver, a educação não importa muito. Ela parece importa porque ela é uma proxy da riqueza. Quanto mais rica uma sociedade, mais bem educada ela tende a ser. O que conta para a adoção de boas políticas é a riqueza da população. Embora Stein esteja se referindo à importância da educação para que hajam boas políticas, é notório a preponderância que ele dá à riqueza em geral, uma vez que a educação é apenas proxy, uma conseqüência quase natural. Na visão tradicional da economia, o mesmo se aplica a outras variáveis como expectativa de vida, analfabetismo, mortalidade infantil, etc. Para começar, cito Amartya Sen em um exemplo relacionado à saúde: [...] African Americans are very many times richer in income terms than the people of China or Kerala (even after co...

Malthus e Condorcet: como reduzir o crescimento populacional?

A preocupação quanto à questão populacional é grande, face o boom populacional que assistimos no último século. A aceleração desse crescimento era perceptível desde a Revolução Industrial e, nas últimas décadas, o problema tem se intensificado: saltamos dos 4 bilhões de pessoas para os 5 bilhões em apenas 13 anos. Como disse no post anterior, Thomas Malthus foi o primeiro economista a falar de fome e população. No entanto, o conhecido matemático Condorcet foi o primeiro a falar do assunto, como cita o próprio Malthus em sua obra. Embora concordassem no problema do crescimento populacional frente aos meios de subsistência, Condorcet, como bom iluminista, acreditava que o progresso da razão solucionaria o problema: a taxa de reprodução diminuiria voluntariamente, dado o avanço da educação. Malthus discordava e, por isso, pregou medidas compulsórias que provocassem o declínio do crescimento populacional. Hoje em dia, há países que advogam proposições mais próximas a malthusiana. A China, ...

Fome e democracia

A greve dos funcionários da USP deixou um problema para nossos estômagos: o fechamento do bandeijão. É evidente que não passamos fome, embora tenhamos que comer menos e pagando mais em outros lugares. Mas são custos que só temos por vivermos em uma democracia. No entanto, em outros lugares, o problema da fome existe. Provavelmente, o primeiro economista a falar no assunto foi meu xará Thomas Malthus em seu "Ensaio sobre a População". Os economistas o conhecem mais por Keynes considerá-lo seu precursor e por ter travado discussões com David Ricardo em defesa dos proprietários de terra, aqueles que com suas vidas ociosas poderiam reestabelecer o equilíbrio acabando com o problema do subconsumo. No entanto, sua teoria populacional ficou mais conhecida em outros meios e, sombriamente, Malthus disse que a produção de alimentos crescia a taxas aritméticas, enquanto a população seguia em progressão geométrica. Ou seja, o mundo conheceria no futuro uma terrível fome. O tempo mostrou...

Otimalidade de Pareto: sintetizando

A otimalidade de Pareto, como bem chamou atenção meu amigo Guilherme Stein , é de fato o resultado encontrado em construções dedutivas da microeconomia através das trocas livres. De fato, nesse sentido , o ótimo de Pareto não é um julgamento moral. Todavia, a Economia do Bem-Estar utiliza a otimalidade de Pareto como critério de avaliação do bem-estar . Nesse sentido, utilizá-lo normativamente parece ser arbitrário, embora seja o resultado natural das trocas na caixa de Edgeworth na ausência de externalidades. Na verdade, a evolução da economia positiva impediu a sobrevivência de outros critérios de avaliação. A avaliação utilitarista clássica baseava-se no sum-ranking , a soma total das utilidades. Com as críticas de Lionel Robbins às comparações interpessoais de utilidades, como bem analisa Sen (1999) em "Ética e Economia", estas passaram a ser consideradas éticas/normativas. Assim, afirma Sen o seguinte: com o desenvolvimento da tendência anti-ética, quando as compara...

Utilitarismo

O utilitarismo muito influenciou a Ciência Econômica ao longo de sua história. Seu surgimento como uma teoria de justiça deve-se a Jeremy Bentham, que viveu na Inglaterra do século XVIII. Posteriormente, o utilitarismo tornou-se parte integrante da ortodoxia econômica a partir de sua adoção por John Stuart Mill, já no século XIX. Naquela época, o utilitarismo já era bastante conhecido nos meios intelectuais: era a teoria ética dominante. A consagração veio depois com a escola marginalista e neoclássica com William S. Jevons e Alfred Marshall no final do século XIX e Francis Edgeworth e A. C. Pigou no XX, por exemplo. É evidente que o utilitarismo foi sendo aperfeiçoado enquanto isso. Embora nos estudos de HPE, o utilitarismo se destaque e todos já tenham ouvido falar dele em algum momento, poucos sabem no que de fato consiste o pensamento utilitarista. Amartya Sen, em cujos escritos tenho baseado meus últimos posts (quando eu acabar de lê-los, prometo mudar), tenta detectar uma es...

Ética e economia: análise normativa e comportamento real

Em resposta ao post do Ph nos Rabiscos , Stein, também nos Rabiscos , afirmou o seguinte: Ao dizer que não devemos separar a ética da teoria econômica, estamos tentando dizer algo a respeito das preferências e objetivos das pessoas. Estamos dizendo como deveria ser e não como é . [...] Além do mais, se vamos colocar a ética no meio, nós criaremos um problema sério. Qual ética é a que devemos colocar? A sua? A minha? A muçulmana? Protestante? Cristã? Budista? Oriental? Socialista? Nazista? Meu argumento é de que, embora pudesse concordar com Stein que a Economia enquanto ciência deveria tentar se abster de julgamentos de valor, na verdade eu estava defendendo que os economistas considerassem que as pessoas podem ter comportamentos baseados em alguma ética. Amartya Sen mostra com clareza os dois pontos que relacionam ética e economia: Pode-se dizer que a importância da abordagem ética diminui substancialmente com a evolução da economia moderna. A metodologia da chamada “economia...