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quinta-feira, 9 de julho de 2009

Utilitarismo e subjetivismo

Há pouco mais de um mês, fiz algumas perguntas a Eduardo Giannetti após uma palestra proferida por ele. Como eu disse em um post anterior, eu esgotei o pobre coitado. Minha pergunta pra ele foi sobre sua posição pessoal acerca do utilitarismo e da abordagem das capacitações. Ele evitou responder diretamente sua posição, mas depois de um tempo, disse que era muito crítico ao utilitarismo.

Em meus poucos estudos sobre justiça distributiva, lembro que classicamente a utilidade pode ser identificado com (a) prazer, (b) felicidade e (c) satisfação de desejo (esse argumento está bem claro em um clássico artigo de Amartya Sen chamado "Well-Being, Agency and Freedom: the Dewey Lectures, 1984", publicado na Journal of Philosophy em alguma edição de 1985). Quaisquer dessas opções nos levam a um forte subjetivismo. É comum, por causa disso e até pela forma com que a Economia trata das funções de utilidade, que liguemos utilitarismo diretamente a subjetivismo.

No entanto, não precisa ser necessariamente assim. Como eu disse, eu estudei pouco o assunto e Giannetti me chamou atenção para o utilitarismo em Stuart Mill (o livro clássico, que eu não li, chama-se Utilitarianism, nada mais óbvio). Para Mill, é possível fazer uma espécie de ranking de coisas que podem ser mais valiosas do que outras, o que claramente é uma guinada em direção a algum tipo de objetivismo. Comentários sobre utilitarismo e Mill são portanto bem-vindos, já que eu conheço pouco do assunto. Será que uma posição utilitarista subjetivista é sustentável? Temo que não.

De qualquer forma, Giannetti pareceu no final da conversa achar a posição de Sen interessante, ao dizer que as capacitações refletem a liberdade de fazer escolhas (já que o que se busca é a expansão de funcionamentos ou functionings). Assim, a posição de Sen não seria tão objetivista. Acho que escrevi as dificuldades de encaixar a abordagem das capacitações em objetivismo ou subjetivismo em um trabalho que apresentei em Montevideo. No entanto, deixo para os leitores opinarem sobre o assunto.

Alguém leu o Felicidade do Giannetti pra ver se ele discorre sobre os problemas do utilitarismo?

4 comentários:

Eduardo disse...

Kang, não estou com o livro aqui e não conheço o suficiente de utilitarismo para entrar no debate. Mas adianto que o Gianetti toca em utilitarismo sim no livro, mas não lembro qual a argumentação dele, nem o capítulo do livro.

Lucas Mendes disse...

Thomas, vale a pena ler Felicidade, não só pelo tema específico do utilitarismo que lá pelas tantas é também discutido, mas pelo todo.

Um texto muito bom e que analise com profundidade os critérios subjetivos e objetivos para "medir" bem-estar é um do Alvaro de Vita que está no livro "Utilitarismo em Foco" (Ed. UFSC) que reúne ensaios de diversos pesquisadores brasileiros sobre o assunto, críticos e defensores. Recomendo fortemente a leitura (do livro todo inclusive).

Esse texto do Vita é um capítulo do seu livro "Liberalismo Igualitário" (M. Fontes, 2008).

Abraço
Lucas

Obs: A Dicta é uma baita revista. Sou fã de carteirinha.

Anônimo disse...

Tomas, uma pergunta off topic. Qual a nota média (ou do último colocado) de aprovação para o mestrado na USP? Pergunto pq este ano farei Anpec.
Grato pela atenção e parabéns pelo blog,

D.Morgenstern

Thomas H. Kang disse...

Tente ficar entre os 50 primeiros.
Foque nos 40 primeiros por via das dúvidas.
Isso significa fazer 7 em cada prova, mais ou menos, pelo menos em anos normais...