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domingo, 5 de julho de 2009

Exata ou social?

Quem conhece muito pouco sobre Economia costuma dizer que ela é uma ciência exata às vezes. De fato, a Economia de hoje se assemelha às ciências exatas em certos aspectos, mas, obviamente, a maioria das pessoas que afirma isso o faz pelos motivos errados.

A microeconomia como marco teórico é essencialmente matemática. Talvez esse seja o grande choque da pós-graduação. Enquanto na graduação simplesmente nos atemos mais à maximização de funções de utilidade ou lucro, a pós-graduação exige conhecimento em matemática que transcende muito o que se aprende na graduação. Isso não é um ode a superioridade da pós, até porque pouca intuição adicional é aprendida na pós-graduação.

Àqueles que tem verdadeira ojeriza a parte de exatas, eu realmente recomendo que não insista em mestrado ou doutorado em Economia. Pelo menos nas escolas ortodoxas. E, caso queira fazer nas escolas heterodoxas, é bom deixar claro que seu espaço de discussão pode ficar reduzido. Não digo isso por preconceito à heterodoxia, mas uma boa pesquisa alternativa seria muito enriquecida se o acadêmico tem o conhecimento técnico necessário para fazer críticas ao mainstream.

As inovações que os economistas costumam aceitar melhor muitas vezes partem de idéias que até foram consideradas heterodoxas em seu início. No entanto, só quando um economista com conhecimento da escola dominante se preocupa com a idéia é que se gera um programa de pesquisa mais sólido no tema. Vejamos o exemplo da Nova Economia Institucional, que retoma idéias sobre a importância das instituições ligando-as a custos de transação. Outro exemplo são idéias de justiça distributiva, praticamente marginalizadas até Sen criticar Rawls, utilitarismo e economia do bem-estar. Ambos partiram de conceitos microeconômicos já conhecidos.

Para quem quiser ver um curso de ciências sociais com teoremas e provas matemáticas, clique aqui no programa de Ph.D. da Caltech.

Sim, Economia continua sendo ciência social, mas isso não significa que a matemática seja descartada. Aliás, ela pode ser bem útil.

2 comentários:

Diego Maciel disse...

Kang, interessante falar sobre Matemática e Economia. Hoje mesmo li um artigo na internet falando sobre isso. Se tiver tempo, dá uma lida nele e dê sua interpretação. Segue o link abaixo.

http://www.libertarianismo.com/index.php/menuartigos/artigos/220-matematica-na-economia-bom-ou-ruim-

Acho uma boa discussão o assunto.

Thomas H. Kang disse...

Para ser sincero, embora eu acredite que o método austríaco não deva ser ignorado, achei pouco embasadas muito do que o autor disse. A microeconomia em geral não faz comparações interpessoais de utilidade quando a função de bem-estar é utilitarista. As curvas de indiferença são ordinais. A maximização de utilidade é marco teórico que é tão pouco verificável ou falisificável quanto todas as proposições austríacas.
A crítica à econometria até pode ser feita. Mas gostaria de ver uma alternativa austríaca para análises empíricas, o que não existe até onde sei.

Vou parar por aqui porque estou um pouco cansado de discutir com austríacos, que embora façam críticas interessantes eventualmente, têm dificuldades de montar um programa de pesquisa progressivo, para usar a terminologia Lakatosiana.