quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Analfabetismo e Voto

Para os que tem acesso ao Valor, recomendo hoje a coluna de autoria do cientista político Jairo Nicolau, intitulada "Analfabetismo e voto no Brasil". Nicolau também cita os trabalhos de Peter Lindert, que foram fundamentais para a minha dissertação, uma vez que discutem a relação entre democracia e educação na história econômica. Fiz uma resenha do principal trabalho de Lindert sobre o tema na edição n. 3 da Estudos Econômicos do ano passado. 

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Comentários: políticas sociais e quotas

1. Políticas sociais I. Acho que devemos dar uma olhada no blog do Mansueto hoje. Obrigado ao Thales por me passar a dica.


2. Políticas sociais II. Hoje na FEE, tivemos uma palestra com o Márcio Pochmann, Presidente do IPEA. Ele apresentou dados de um estudo sobre a situação social do Rio Grande do Sul, comentando o período 2001-2009. O estudo é bastante descritivo, mas vale a pena dar uma olhada para uma visão geral da situação. Alguns dos pesquisadores da casa chamaram atenção para questões importantes. A falta de dados em relação à gênero, a falta de maiores dados relacionados à saneamento (os únicos dados em relação à saneamento diziam respeito à água), alguns estranhos dados amostrais da PNAD com taxas de analfabetismo subindo significativamente de um ano para o outro, etc. É esperado que, em um estudo tão descritivo, surjam mais perguntas do que respostas. 


3. Ação afirmativa. Recentemente uma polêmica veio à tona com o vestibular da UFRGS. O relaxamento de alguns requerimento para aprovação por quotas permitiu que candidatos com pontuação muito baixa, inclusive em relação a anos anteriores, entrassem em cursos disputados como Medicina. No Facebook, vários compartilharam uma figura com a pontuação mínima dos quotistas com os dizeres "a meritocracia no lixo". Embora a discussão sobre quotas seja interminável, acho que é necessário discutirmos meritocracia antes de mais nada. Acredito que, se alguém é contrário às quotas, apelar a uma suposta "justiça meritocrática" seja a pior maneira de combater ações afirmativas. Recorrendo a quem seja talvez o maior filósofo político do século XX, John Rawls, parte do diferencial de pontuação no vestibular entre estudantes de famílias abastadas e estudantes negros de escolas públicas não se devem a mérito. A "loteria da vida", ao definir em que família uma pessoa nasce e com que recursos, dá maiores vantagens a alguns de forma arbitrária e não meritocrática. 

Com isso, não quero dizer que não houve suficiente esforço de estudantes que fizeram 750 pontos e não passaram (enquanto outros com 500 e alguma coisa passaram). É totalmente compreensível o sentimento de injustiça, até porque é impossível saber se as quotas nivelam o campo de jogo adequadamente para definirmos quem mereceu passsar ou não. O que estou dizendo é que não devemos julgar as quotas com princípios meritocráticos. A análise precisa ser mais consequencialista e ver se (1) as quotas não são paliativos desnecessários de curto prazo, (2) que vantagens as quotas proporcionam à sociedade (formação de uma elite negra, aumento de mobilidade social, incentivos), (3) que politicas de longo prazo, principalmente no que se refere à saúde e educação pública, estão sendo feitas (políticas de curto prazo podem desincentivar ações de longo prazo). 


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Clipping: doutorado na USP e blog do Comim

Em primeira mão, repasso que em breve estarão abertas as inscrições para o Doutorado em Economia do Desenvolvimento da FEA/USP. Não precisa abrir a caixa de preconceitos antes: melhor olhar do que se trata. Pela estrutura, é o curso de doutorado hoje que mais me interessaria no país (claro, devido ao meu perfil). Infelizmente, São Paulo não é tão perto assim e geografia conta na decisão. 

Eu também pretendia comentar a reportagem da Folha desse domingo sobre classe média e educação - que nem entendi direito, tamanha a falta de critérios para definir o que é classe média. Mas o Comim fez toda a pesquisa por mim. E recomendo os últimos posts do blog dele, que tem sido excelentes, como este sobre o BBB e o estupro (acredite, é bom o post apesar do assunto).

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Salário dos professores

Meu colega Guilherme Risco me enviou uma entrevista antiga (maio de 2011) com o economista Gustavo Ioschpe sobre a educação no Brasil, mas relevante no atual contexto. Embora possa concordar com Ioschpe em diversos pontos, fiquei decepcionado com suas ideias quanto ao aumento do salário dos professores - e, portanto, com a valorização da carreira docente na educação básica. 

O piso salarial do professor que trabalha 40 horas semanais está em R$ 1187. Embora não estejamos tratando de médias, estados como o Rio Grande do Sul não querem pagar o piso - em que pesem os problemas fiscais do Estado, por demais conhecidos. Mas correndo o risco de cair em uma "conversa de bar", conheço algumas pessoas que, embora se sentissem vocacionadas para o magistério, desistiram da carreira devido aos salários aviltantes. 

Ioschpe, rechaçando a importância do aumento salarial, afirmou que "o salário do professor não é uma variável estatisticamente significativa ou relevante na determinação do aprendizado dos alunos". É razoável acreditar que aumento salarial dos professores não resulte em melhoria do aprendizado no curto prazo. Ioschpe reconhece o argumento de longo prazo e afirma posteriormente que:
 "quando se fala em aumento dos professores, as pessoas veem esta questão por dois lados. Um é aumentar os salários dos professores que estão na ativa hoje para que eles se sintam mais motivados e tenham resultados melhores. E a segunda é aumentar significativamente o salário dos professores para que um novo grupo de pessoas seja atraído à carreira."
O primeiro argumento (curto prazo) é rechaçado pelos estudos de acordo com ele. Quanto ao segundo (longo prazo), Ioschpe vê o seguinte problema:
"[Isso é] dizer que 2 milhões de professores, hoje na ativa não prestam e que não há nada que se possa fazer com eles para que tenham um rendimento melhor. Eu rejeito este argumento. Acho que os professores brasileiros têm bastante vontade de acertar e em vários casos estão fazendo um belo trabalho. E a partir do momento que tenham uma formação correta, o resultado vai melhorar."
É evidente que preparar melhor os professores que já estão na ativa pode melhorar os resultados. Também é evidente que existem muitos professores na ativa que são excelentes profissionais. No entanto, não podemos deixar de reconhecer que, com uma política de aumento salarial no longo prazo, haverá atração de mais gente qualificada - negar isso é no mínimo estranho à lógica econômica. Situações como de conhecidos meus que largaram o magistério diminuiriam. Além disso, a carreira docente seria mais valorizada pela própria sociedade em todos os seus aspectos. Os resultados disso não seriam imediatos, mas não há soluções fáceis e de curto prazo para a educação. O aumento consistente de salários é apenas um aspecto entre tantos outros, como bem assinalou Ioschpe, mas é fundamental. Dizer isso não significa que os atuais professores não prestam. E dizer que eles prestam e negar aumento salarial não serve para aumentar a auto-estima do professor.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Clipping: Arida e Veloso

Talvez eu discorde de Pérsio Arida em um ou outro ponto, mas quem sou eu para discordar dele? Além de ser um dos pais do famoso Larida, base teórica do que veio a ser o Plano Real, Arida escreveu um dos textos mais interessantes que já li em língua portuguesa: "A História do Pensamento Econômico como Teoria e Retórica", datado de 1983(ele se encontra nesse livro homônimo, mas a versão datilografada está aqui). Acho esse um texto mais interessante que o da McCloskey sobre retórica. As contribuições de Arida, tanto no combate à inflação quanto em história do pensamento, é inegável. Aqui há uma interessante entrevista dele na Folha de São Paulo. Se o leitor é menos liberal, talvez não goste do posicionamento dele, mas repito que os escritos de Arida devem ser lidos. É sempre interessante.

O Liderau me repassou essa sobre educação: uma entrevista do Fernando Veloso no Estadão. Não costumo ler o colunista, mas me pareceu uma avaliação sem muito partidarismo. Foi uma crítica leve à atual condução da política educacional da educação básica.


ATUALIZAÇÃO: O Guilherme Tinôco me repassou novamente o link para um texto do Arida para o Piauí. Não é sobre economia, mas é sensacional. 

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Banerjee e o papel do governo

Banerjee fala sobre o papel do mercado e do Estado no combate à pobreza - e há espaço para ambos (grifos meus):

But in the end, the government must remain at the center of anti-poverty policy, because without some help and resources from the outside the poor face an utterly unfair challenge. It does not need to do all the things it currently does (badly) and it should certainly focus more on paying for things rather than making them: Income support and strategically targeted subsidies to key delivery agents (NGOs, Microfinance Institutions, private firms) can go a long way in making the lives of the poor better, without involving the government in delivery. But we should not forget that a very important part of what the government does are things that the market will not—behavior change, preventive healthcare, education for those who live in  areas where there are no private schools, emergency relief, etc. Even in these cases, the government can work with implementing partners outside the government, as the example of BRAC in Bangladesh has shown, but realistically, the government will continue to be a major delivery agent in the economy. The challenge for those of us who are in what someone might call the ideas sector, is therefore to think of ways  of redesigning what the government does to make it work better both in terms of choosing between what it does and what it delegates, and in improving its effectiveness in what it must do.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Clipping: pobreza e desigualdade

Aqueles que são ratos de internet ou acompanham postagens no Facebook já devem ter visto, mas aí vai um clipping de reportagens bem interessantes que encontramos ultimamente por aí: