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Mostrando postagens com o rótulo capacitações

Utilitarismo e subjetivismo

Há pouco mais de um mês, fiz algumas perguntas a Eduardo Giannetti após uma palestra proferida por ele. Como eu disse em um post anterior , eu esgotei o pobre coitado. Minha pergunta pra ele foi sobre sua posição pessoal acerca do utilitarismo e da abordagem das capacitações. Ele evitou responder diretamente sua posição, mas depois de um tempo, disse que era muito crítico ao utilitarismo. Em meus poucos estudos sobre justiça distributiva, lembro que classicamente a utilidade pode ser identificado com (a) prazer, (b) felicidade e (c) satisfação de desejo (esse argumento está bem claro em um clássico artigo de Amartya Sen chamado "Well-Being, Agency and Freedom: the Dewey Lectures, 1984", publicado na Journal of Philosophy em alguma edição de 1985). Quaisquer dessas opções nos levam a um forte subjetivismo. É comum, por causa disso e até pela forma com que a Economia trata das funções de utilidade, que liguemos utilitarismo diretamente a subjetivismo. No entanto, não precisa se...

Esperando...

Em setembro de 2007, fui à Nova York para ver a Conferência da Human Development and Capability Association. Na palestra principal, Amartya Sen discorreu sobre as principais idéias de seu novo livro sobre justiça, que ele estava escrevendo. Uma palestra muito legal, com direito a comentários de George Soros, o especulador keynesiano. Nesse meio tempo, escrevi um paper para uma matéria de Teorias de Justiça que fiz lá no Departamento de Ciência Política da USP. O paper discorre sobre as idéias de justiça e desenvolvimento no pensamento de Sen. Incentivado pelo Prof. Álvaro de Vita, arrumei o texto, enviei para a conferência latino-americana sobre capacitações em Montevideo ocorrida em outubro de 2008 e ainda enviei uma versão para uma revista. Cheguei a enviar para a o congresso da ANPEC, mas a banca marxista não viu qualidade e/ou validade no meu trabalho. A revista não me respondeu até hoje. Pensei que era importante publicar isso antes do lançamento do livro do Sen. Finalmente, ao pa...

Fazendo as malas pra Suíça

Com uma Bíblia, alguns papers para ler, um livro e um monte de presentes, estou indo para a Suíça. Meu vôo parte às 18h30 de Guarulhos, pára em Zurique. Depois pego outro vôo para Genebra, onde participarei da reunião do Grupo de Assessoria em Assuntos Econômicos do Conselho Mundial de Igrejas.  Meu texto sobre ética cristã e desenvolvimento já está pronto, com muitas referências à abordagem das capacitações. Felizmente, para escrever este curto texto (menos de 15 páginas), que deve ser publicado pelo CMI, contei com intenso apoio do grupo temático de desenvolvimento humano e religião da  Human Development and Capability Associatio n. Sabina Alkire, do QEH de Oxford , economista e reverenda anglicana, fez vários comentários legais. Outras pessoas também fizeram vários comentários, como o Alex Stahlhoefer e o Henrique Renck. Domingo e segunda visitarei meus amigos suíços que vivem em Bern. Provavelmente meus melhores amigos estrangeiros. Terça dia 19 devo estar de volta ao Brasil.

Conferência no Uruguai: algumas impressões de minha estréia em eventos acadêmicos internacionais

Acabo de voltar de Montevideo, capital do Uruguai, onde ocorreu a II Conferência sobre Desenvolvimento Humano e a Abordagem das Capacitações. Cheguei na segunda e dei muitos passeios pelas ruas da Ciudad Vieja de Montevideo. Mas na quarta, começou a coisa séria: iniciou-se a conferência. Houve excelentes palestras sobre a temática da desigualdade e do desenvolvimento humano. O evento contou com a presença de pessoas de renome nesse assunto. A filósofa Adela Cortina de Valencia e meu ex-professor Flávio Comim lançaram algumas questões polêmicas para o público sobre a abordagem de Amartya Sen. Sabina Alkire (Oxford) também foi muito bem, atualizando-nos na fronteira das tentativas de mensuração de pobreza multidimensional. Um bom expositor também foi Francisco Ferreira, brasileiro no Banco Mundial e ex-professor da PUC-Rio, que mostrou um trabalho empírico sobre mensuração da desigualdade de oportunidades baseado em um belo modelo de John Roemer. (Os filósofos sempre se surpreendem com a...

Resposta: protecionismo e fim das políticas

A controvérsia de indústrias nascentes remonta a Hamilton e List, que advogaram protecionismo temporário para indústrias que tivessem potencial. Contra eles, levantam-se os argumentos pró-livre comércio, que encontram eco hoje em economistas como, por exemplo, Anne Krueger (ela tem alguns artigos na AEA sobre isso). Um bom caminho é de repente ler um livrinho que eu só li um pedaço, de autoria do Jagdish Bhagwati chamado "Livre-comércio versus protecionismo" ou coisa parecida. Só pra lembrar, Bhagwati é mais favorável ao livre-comércio. Em inglês, está disponível na Livraria Cultura . O ponto é: pelo que tenho lido, o protecionismo no Brasil e na América Latina em geral não teve o caráter temporário e racional advogado por List e seus sucessores. Por ter sido uma proteção pouco criteriosa, mais preocupada com a deterioração do balanço de pagamentos e com a substituição a qualquer custo com tendências autárquicas, entramos no pior dos mundos. Sejam defensores do livre-comércio...

Visões sobre educação e desenvolvimento

A tradicional visão sobre desenvolvimento econômico considera crescimento e desenvolvimento como sinônimos. Muitos também consideram desenvolvimento como crescimento com melhora de outros indicadores. Com relação à educação, a maior parte da literatura costuma apontá-la como algo que conduz ao desenvolvimento. A partir dos trabalhos de Gary Becker, pioneiro na análise do capital humano, a educação passou a ganhar destaque na academia. Saltos econômicos, como os dos paises dos lestes asiáticos, são entendidos como resultado do acúmulo de capital humano, como afirma Gary Becker : The outstanding economic records of Japan , Taiwan , and other Asian economies in recent decades dramatically illustrate the importance of human capital to growth. Lacking natural resources—they import almost all their energy, for example—and facing discrimination against their exports by the West, these so-called Asian tigers grew rapidly by relying on a well-trained, educated, hardworking, and conscien...

Voltando à produtividade marginal...

De fato, o amigo Stein do Rabiscos tem razão ao indiretamente dizer que eu fiz uma pequena confusão. Ele, de fato, não tocou na questão normativa. Ninguém aqui quer que os pobres continuem pobres. Contudo, meu ponto principal é que a produtividade marginal é insuficiente para a explicar a distribuição porque não explica a razão para que diferentes agentes econômicos tenham produtividade tão diferenciada, aceitando-se que a hipótese esteja correta (no que não vejo problemas em princípio e o Stein deu boas razões para tal). Assim, o erro da economia neoclássica tradicional, a qual ignora o papel institucional, foi desdenhar questões distributivas sem explicar realmente as causas. Não estou falando do "dever ser" neste momento. Apenas acredito que é teoricamente incompleta a explicação tradicional. Com o intuito de resolver isso, surgiram as idéias de capital humano, por exemplo, sem negar a igualdade entre preços de fatores e suas respectivas produtividades. A abordagem das c...