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segunda-feira, 12 de maio de 2008

Resposta: protecionismo e fim das políticas

A controvérsia de indústrias nascentes remonta a Hamilton e List, que advogaram protecionismo temporário para indústrias que tivessem potencial. Contra eles, levantam-se os argumentos pró-livre comércio, que encontram eco hoje em economistas como, por exemplo, Anne Krueger (ela tem alguns artigos na AEA sobre isso). Um bom caminho é de repente ler um livrinho que eu só li um pedaço, de autoria do Jagdish Bhagwati chamado "Livre-comércio versus protecionismo" ou coisa parecida. Só pra lembrar, Bhagwati é mais favorável ao livre-comércio. Em inglês, está disponível na Livraria Cultura.

O ponto é: pelo que tenho lido, o protecionismo no Brasil e na América Latina em geral não teve o caráter temporário e racional advogado por List e seus sucessores. Por ter sido uma proteção pouco criteriosa, mais preocupada com a deterioração do balanço de pagamentos e com a substituição a qualquer custo com tendências autárquicas, entramos no pior dos mundos. Sejam defensores do livre-comércio ou dos teóricos do protecionismo, ambos hão de concordar que o protecionismo feito aqui foi falho e, provavelmente, deu margem a ineficiências, embora as evidências ainda precisem ser mais estudadas.

Quanto à industrialização (ou outra política qualquer) ser considerada um meio e não como um fim em si mesma, como argumentado pelo Diego, essa é uma proposição bastante influenciada pelos escritos de Amartya Sen. Como disse o Ricardo, isso é recente e parece ser a nova tendência, dada a morte da velha linha de teorias de desenvolvimento econômico (Development Economics): aquela de Rosenstein-Rodan, Nurkse, Myrdal, Hirschman, entre outros. Concordo plenamente com o Diego que o fim deve ser o bem-estar das pessoas e, por enquanto, sou favorável a abordagens como a de Sen (capacitações). Em breve, estarei mandando um texto sobre o pensamento de Sen para alguma revista que toca justamente nesse ponto.

*Em memória às vítimas do terremoto na China, acho que todos devemos nos lembrar da necessidade do desenvolvimento econômico trabalhar para minimizar danos causados por eventos do tipo.

Um comentário:

Ricardo Agostini Martini disse...

Thomas, cuidado quando diz que a teoria de Myrdal está morta. O pessoal da economia regional pode ter acessos de raiva ao ler isso (hehehe).

Mas, mesmo nessa área, os autores mudaram a ênfase da dinâmica regional cetro-periferia, da industrialização para o desenvolvimento de instituições pró-inovação tecnológica.

Pessoalmente, também sou da visão de que desenvolvimento econômico equivale ao aumento do bem-estar e redução da pobreza da população.

Abs.