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Mostrando postagens com o rótulo crescimento

Educação para quê?

Quando se fala em educação no Brasil, as pessoas em geral pensam na questão da cidadania e da participação política. Educar o povo é alavancar a cidadania. Apenas em departamentos de Economia de universidades se pensa diferente - e apenas às vezes, pois há alguns que ignoram a literatura sobre capital humano (a questão aqui não é se a nomenclatura "capital humano" é correta, mas as consequências econômicas da educação que essa linha de pesquisa investiga). Estive conversando com um amigo que fez doutorado na Alemanha. Ele percebeu que lá, quando se fala em educação, eles estão pensando em crescimento econômico. Mais do que cidadania, é o crescimento que fica em evidência. É verdade que não é só o crescimento que importa - principalmente para mim, um ávido leitor de Amartya Sen. É verdade que cidadania é fundamental, a fim de que todos conheçam seus direitos e cobrem por eles. Por outro lado, o discurso do crescimento é politicamente muito mais interessante. O rico não se bene...

Van Leeuwen: capital humano e crescimento

Uma tese que parece interessante sobre capital humano e crescimento de longo prazo é a do holandês Bas Van Leeuwen (Utrecht, hoje em Warwick) - que faz um estudo comparativo dos casos de Indonésia, Índia e Japão. Visitem o site dele , baixem a tese, os papers , enfim. Vou ter que ler um dia desses...

Qual o conceito de desenvolvimento? - parte 2

Amartya Sen aponta para uma resposta para a pergunta destacada no título em um artigo de 1988, primeiro capítulo do Handbook of Development Economics, chamado "The Concept of Development". Uma característica que ele deixa clara é que o conceito de desenvolvimento sempre teve forte conteúdo valorativo. Talvez indo além do que ele escreve, eu pergunto: por que variáveis como PIB foram consideradas importantes? Certamente porque se pressupunha a direta e inequívoca relação entre bem-estar e PIB. No entanto, sabemos que não é bem assim. É fundamental portanto que se analise outros fatores que afetem o bem-estar, tais como saúde e educação. Seria muito simples fazer isso, não fossem os evidentes problemas filosóficos que estão por trás disso. A Economia, que sempre se baseou na filosofia utilitarista e, portanto, em uma concepção subjetivista, não poderia aceitar comparações interpessoais de utilidade. Explicando em palavras mais simples: de acordo com os pressupostos éticos da Ec...

Generalizações e Crescimento: Instituições ou Geografia?

Ciência é feita de generalizações. O problema, segundo alguns, é até que ponto podemos generalizar sem perder poder explicativo demais. Em Economia, a questão do crescimento econômico de longo prazo é uma das mais antigas e ainda uma das mais controversas. Saber os fatores que levam ao crescimento sustentado é um debate que continua até hoje, principalmente com as contribuições cruciais do institucionalismo. Convém, no entanto, chamarmos atenção para possíveis exageros: instituições passaram a ser explicação para tudo. É nisso que reside o perigo. Engerman e Sokoloff (1997, 2002), no debate sobre o crescimento econômico no Novo Mundo, afirmam que a dotação inicial de fatores foi fundamental para determinar o padrão de crescimento das diferentes regiões. A América do Norte, com poucos indígenas e clima parecido com o europeu, foi alvo de amplo povoamento, gerando instituições mais democráticas. No resto da América, instituições mais elitistas foram criadas devido à produção de mercadori...

Livro sobre crescimento e distribuição

Hoje pela manhã, o ex-reitor da USP e professor da FEA, Jacques Marcovitch, lançou um livro por ele organizado. Embora seja um professor do departamento de Administração, o título do livro chama-se Crescimento Econômico e Distribuição de Renda e conta com a participação de vários economistas. Os co-autores compareceram, à exceção de Márcio Pochmann. Todos eles falaram um pouco da sua parte do livro, mas o que mais me chamou atenção foi o que falaram Mirela de Carvalho e Ricardo Paes de Barros do IPEA. Na breve explanação deles, o capítulo que escreveram trata de uma proposta efetiva para diminuição maior da pobreza usando a base informacional bem-sucedida do Bolsa-Família. Os autores destacaram que o sucesso do Bolsa-Família no combate à pobreza e na melhora bastante efetiva que o coeficiente de Gini vem apresentando desde 2001, deve-se à base informacional, a qual de fato identifica os pobres. Antigamente, os mais pobres não eram identificados por não terem registro algum. Hoje, a Ca...

Modelos de crescimento na pós-graduação

Fizemos nossa primeira prova de macroeconomia na sexta-feira. Nada fora do esperado, mas tive dificuldades em um dos itens da prova. Faz parte. O baque é muito forte na passagem da graduação para a pós-graduação na disciplina de macroeconomia. A chamada microfundamentação pode se resumir (estou sendo pouco rigoroso) em um símbolo de integral ou somatório antes da função de utilidade de um agente representativo, o que representa a agregação das utilidades individuais. Daí em diante, nada mais é do que um ritual de maximização condicionada complicada por alguns detalhes, pelo menos tratando-se de crescimento. Os modelos são bastante simples: começam do Solow-Swan e passam por outros como Ramsey (ou Ramsey-Cass-Koopmans), Overlapping Generations (Diamond), Sidrauski, entre outros. As hipóteses são altamente simplificadoras, mas os resultados podem até prever satisfatoriamente sob algumas condições. Os testes propostos por Barro (1991)*, por exemplo, demonstram que, utilizando um conceito ...