Páginas

sábado, 14 de agosto de 2010

Educação para quê?

Quando se fala em educação no Brasil, as pessoas em geral pensam na questão da cidadania e da participação política. Educar o povo é alavancar a cidadania. Apenas em departamentos de Economia de universidades se pensa diferente - e apenas às vezes, pois há alguns que ignoram a literatura sobre capital humano (a questão aqui não é se a nomenclatura "capital humano" é correta, mas as consequências econômicas da educação que essa linha de pesquisa investiga).

Estive conversando com um amigo que fez doutorado na Alemanha. Ele percebeu que lá, quando se fala em educação, eles estão pensando em crescimento econômico. Mais do que cidadania, é o crescimento que fica em evidência.

É verdade que não é só o crescimento que importa - principalmente para mim, um ávido leitor de Amartya Sen. É verdade que cidadania é fundamental, a fim de que todos conheçam seus direitos e cobrem por eles. Por outro lado, o discurso do crescimento é politicamente muito mais interessante. O rico não se beneficia da participação política do pobre, mas se beneficia do crescimento econômico.

E educação é benéfica para o crescimento. Não que seja a panacéia ou a única solução. As políticas macroeconômicas e de desenvolvimento tecnológico são fundamentais. Mas precisaremos também de trabalhadores qualificados.

3 comentários:

... DdAB - Duilio de Avila Bêrni, ... disse...

oi, Thomas:
do lado político, aprendi que a educação 'te ajuda a descobrir teus objetivos na vida e te dá energia para lutar por eles'. nesta linha, entendo que o lado econômico também se beneficia dela, pois uma pessoa mais educada terá maiores ambições quanto ao consumo, envolvendo-se mais desenvoltamente (eita, pós-modernismo) em projetos de crescimento.
DdAB

Leandro Damasio disse...

Thomas, que educação é uma pressuposto para cidadania desde os antigos gregos o sabemos. Mas eu não diria que: "Apenas em departamentos de Economia de universidades se pensa diferente". Isto não só porque desenvolvimento é objeto de estudo de outras ciências que não propriamente economia, mas também porque existem outras implicações (que não são política nem econômicas) da educação. A reprodução social, para trazer o exemplo de Durkheim.

Thomas H. Kang disse...

Obrigado aos comentários do Duílio e do Leandro. Acho que estão corretos em suas observações. =)