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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Ética e economia: análise normativa e comportamento real

Em resposta ao post do Ph nos Rabiscos, Stein, também nos Rabiscos, afirmou o seguinte:

Meu argumento é de que, embora pudesse concordar com Stein que a Economia enquanto ciência deveria tentar se abster de julgamentos de valor, na verdade eu estava defendendo que os economistas considerassem que as pessoas podem ter comportamentos baseados em alguma ética. Amartya Sen mostra com clareza os dois pontos que relacionam ética e economia:


Pode-se dizer que a importância da abordagem ética diminui substancialmente com a evolução da economia moderna. A metodologia da chamada “economia positiva” não apenas se esquivou da análise econômica normativa...


Até aqui é o ponto que o Stein levantou, embora eu acredite que Sen refira-se não a uma “economia pura” (se quisermos fazer essa distinção) como dizia Walras, mas à parte mais prática, na qual análises normativas são válidas. No entanto, Sen continua:


...como também teve o efeito de deixar de lado uma variedade de considerações éticas complexas que afetam o comportamento humano real e que, do ponto de vista dos economistas que estudam esse comportamento, são primordialmente fatos e não juízos normativos.


Ou seja, e assim o indiano conclui:


Examinando as proporções das ênfases nas publicações da economia moderna, é difícil não notar a aversão às análises normativas profundas e o descaso pela influência das considerações éticas sobre a caracterização do comportamento humano real.


Passagens retiradas de: SEN, Amartya Kumar (1999). Sobre ética e economia. São Paulo: Companhia das Letras. p. 23.

Um comentário:

Lucas Mendes disse...

Riquíssima essa discussão.

Fico com Rothbard que mostra que assim como a biologia, a engenharia, a medicina, os teoremas econômicos também são livres de juizo de valor. Assim como não podemos dizer que dada lei da física é imoral, não podemos dizer que a lei da oferta e da demanda seja. Quem faz os juízos é o homem ético, ou o cientista se quiserem, mas o juízo ético jamais pode ser dado por alguem ENQUANTO economista, engenheiro ou o que for.

O texto do Rothbard pode ser lido em pdf aqui http://www.mises.org/rothbard/value.pdf