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quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Monopólio, igrejas e eficiência missionária. Parte I: as igrejas históricas

O panorama religioso tem se diversificado bastante recentemente principalmente dentro do que chamamos de Cristianismo. De algumas poucas instituições que existiam, a oferta de denominações cristãs multiplicou-se com o crescimento dos evangélicos, mais especificamente os pentecostais e neo-pentecostais.

Embora a cisão da Igreja origine-se do início do milênio passado (católicos romanos x ortodoxos), tendo havido outra com a Reforma Protestante no século XVI, isso não significou o rompimento da posição monopolista das igrejas na maioria dos lugares. Embora a Igreja Católica Romana não fosse mais a única, cada país ou estado adotou a sua confissão. Alguns reis mantiveram seus países e colônias sob a égide do catolicismo, enquanto outros adotaram o protestantismo – pelo menos no mundo ocidental. Ou seja, em geral, as igrejas históricas (católica romana, luterana, reformada, anglicana e outras poucas) detiveram por séculos uma posição monopolista.

Não é por acaso que hoje, são justamente essas igrejas que não conseguem manter seus membros nem chamar novos membros. O crescimento do número de membros está diretamente relacionado à importância dada à missão e à evangelização por essas igrejas. Podemos assumir que a sobrevivência das igrejas depende da existência de um razoável número de membros. Antigamente, as igrejas históricas não precisavam se preocupar com isso.

A importância dada à evangelização reflete-se no desenvolvimento das idéias teológicas dentro dessas igrejas. Sabemos que grande parte da produção teológica tradicionalmente provinha da Europa no caso das igrejas históricas. As teologias que hoje alicerçam as igrejas tradicionais são originadas de uma época em que as igrejas detinham monopólio (Idade Média no caso dos católicos romanos, Idade Moderna no caso dos protestantes). Na Europa, as igrejas protestantes eram em geral estatais. Ou seja, não havia muitas alternativas na oferta religiosa. É evidente que, para as igrejas tradicionais, a ênfase missionária é muito menor em relação às igrejas que hoje crescem.

Não estou aqui querendo negar a importância dos fundamentos teológicos e de restrições éticas das igrejas. Entretanto, é difícil negar que, a falta de competição no “mercado religioso” pode ter ajudado a gerar teologias que enfatizavam pouco as atividades missionárias, ou seja, podem ter estimulado o surgimento de teologias ineficientes (na acepção econômica do termo).

[to be continued]


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