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sexta-feira, 8 de junho de 2007

Em meio aos heterodoxos

Economistas heterodoxos das mais variadas estirpes reuniram-se na FEA-USP para o Encontro Nacional de Economia Política. Estavam todos lá: Bresser, Belluzzo, Lessa, Cardim, Theotônio dos Santos, Leda Paulani, entre outros.

O encontro da SEP é sempre uma grande salada de frutas. Alguns falam disparates, na minha opinião, outros tentam ser mais "pé no chão". Surpreendi-me positivamente com alguns posicionamentos que, claramente, enfrentavam as interpretações mais radicais e menos úteis na minha opinião.

Alguns podem perguntar o que estive fazendo por lá. De fato, as palestras pareciam pouco promissoras, assim como a maioria das seções. No entanto, valeu a pena ouvir o Bresser falar ou a seção sobre metodologia da ciência - pelo menos pra pensar se algumas das coisas que foram faladas fazia sentido. Ao mesmo tempo, ouvi alguns absurdos, o que faz parte também. De qualquer forma, embora discordando fortemente, temos que respeitar a opinião alheia. Uma questão de tentar ser democrático e tolerante. O encontro da SEP é um bom lugar pra isso.

Bom, além disso, os coffee breaks estavam excelentes.

O próximo encontro na USP vai ser o EcoMod em julho: trata-se do encontro de economistas envolvidos com modelagem computacional (por exemplo, equilíbrio geral computável). Vou tentar comparecer em algum esquema deles.

3 comentários:

Ricardo Agostini Martini disse...

USP é outra coisa, em se tratando de seminários de Economia! Aqui, nós temos, no máximo, seminários às quartas-feiras, e nunca veio ninguém famoso.

E que corrente de pensamento dominou a encontro da SEP? Ainda tinha muitos marxistas, ou os caras já estão assumindo uma heterodoxia mais moderna?

Abraço

Diego da Silva Rodrigues disse...

Tenho a impressão de que a economia heterodoxa só tem esse caráter mais estreito com marxismo, anti-capitalismo, anti-globalização, essas coisas, aqui entre nós. Andei procurando acerca de economia heterodoxa em centros do exterior e, lá, isso está associado a campos que fogem ao "núcleo duro" da disciplina, como filosofia, religiosidade, novas idéias de racionalidade etc, e até instituições (o Thomas pode falar mais e melhor disso).

Sob essa interpretação, Hayek, por exemplo, seria um heterodoxo.

Ricardo Agostini Martini disse...

Pois é, Diego. Por isso, já pensei em me definir como "ortodoxo nacionalmente e heterodoxo internacionalmente".

E Hayek, assim como todos os neo-austríacos, são considerados heterodoxos no exterior (dá uma olhada no link "Heterodox Economics" da Wikipedia).