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domingo, 6 de janeiro de 2008

De onde vem a nossa desigualdade educacional - parte I

Relacionada aos assuntos debatidos exaustivamente na história econômica institucional, desigualdade, dotação iniciais de fatores e sufrágio nas antigas colônias, está a questão da escolaridade. A análise dos dados acerca dos níveis de escolaridade e alfabetização mostra claramente a desvantagem dos países latino-americanos em relação a seus vizinhos do norte e aos outros países desenvolvidos. Existem estudos acerca das origens dessa desigualdade educacional

Algumas hipóteses acerca das origens histórico-institucionais das desigualdades educacionais foram apresentadas por Mariscal & Sokoloff (2000). Diferentemente dos Estados Unidos, onde na primeira metade do século 19 o common school movement levou à elevação dos níveis de alfabetização por meio da expansão maciça da oferta de escolas públicas, os países latino-americanos, embora tivessem condições econômicas para arcar com investimentos desse tipo, não promoveram uma expansão similar da educação básica, segundo os autores, devido a problemas de ação coletiva derivados da alta desigualdade de riqueza, capital humano e poder político (p. 163). Não seria acidental o fato de que o common school movement nos Estados Unidos ocorreu logo após grande extensão do direito de voto (p. 167). Como argumentam Mariscal & Sokoloff:

“Uma vez que acabar com as restrições de propriedade para a obtenção de cidadania aumentou a voz política dos grupos que mais se beneficiariam com o estabelecimento de escolas gratuitas financiadas por meio de impostos, não é surpreendente que a conquista de maior igualdade na influência política levou às mudanças institucionais que contribuíram para uma maior igualdade na distribuição de capital humano” (2000, p. 167-168)

Em muitos países, o voto era permitido apenas para alfabetizados, o que poderia levar-nos a supor causalidade inversa. Entretanto, as experiências históricas parecem mostrar que países com baixos índices de alfabetização foram propensos a manter a exclusão dos analfabetos do processo eleitoral, enquanto que países cujas restrições foram suspensas em geral expandiram a oferta de escolas públicas e, por conseguinte, aumentaram os níveis de alfabetização (p. 204).

2 comentários:

Anônimo disse...

Dae Thomas! Voltei ao teu blog.
Super interessante essa mistura filosófica sobre igualdade e os debates sobre igualdade e instituiçoes que tu tá fazendo.
Cara... será que tu podes me mandar o texto que tu tá citando?
Vou ter uma cadeira no segundo semestre que vai ser tudo sobre as novas teorias de political economy of development...
Abraço!
Manoel

Thomas H. Kang disse...

Manoel, esse eu não tenho em pdf. Sei que existe uma versão de um texto parecido com esse de Engerman, Mariscal e Sokoloff, mas é um texto de discussão que eu nunca achei. Aí vai a referência do meu texto:

MARISCAL, E. & SOKOLOFF, K. “Schooling, Suffrage, and the Persistence of Inequality in the Americas, 1800-1945”. In HABER, S. Political Institutions and Economic Growth in Latin America: Essays in Policy, History, and Political Economy. Stanford, CA: Hoover Institution Press, 2000, p. 159-217.