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terça-feira, 23 de outubro de 2007

A lucidez de Max Weber

Embora poucos economistas leiam o velho Max Weber, certas passagens demonstram que ele já sabia o que ainda é considerado novidade na economia. Por exemplo, vejam essa passagem que, inicialmente, parece ser uma crítica aos modelos:

Os tipos ideais de ação social que, por exemplo, são usadas na teoria econômica são portanto irrealistas ou abstratos, pois sempre perguntam que curso de ação ocorreria se esse fosse puramente racional e orientado apenas para fins econômicos. (p. 21)

Mais adiante, no entanto, Weber explica:

Quanto mais claro e preciso é o tipo ideal construído, ou seja, quanto mais abstrato e irreal é nesse sentido, mais apto está o tipo ideal para desempenhar suas funções em formulação de terminologia, classificações e hipóteses. (p. 21)

E para aqueles que pensam que Sen foi o primeiro a associar ética (compromisso) à racionalidade, esse trecho talvez seja bem esclarecedor. No mínimo, Sen deveria citá-lo:

Exemplos de [ações orientadas para] racionalidade de valor pura seriam as ações de pessoas que, desconsiderando o possível custo para eles próprios, agem para pôr em prática suas convicções naquilo que parece-lhes requerido pelo dever, pela honra, pela busca pelo belo, por um chamado religioso, pela lealdade pessoal, ou pela importância de uma causa, não importando no que ela consiste. (p. 25)

Para Weber, existe a racionalidade instrumental (zweckrational) e a racionalidade de valor (wertrational), além de outros tipos de motivações como a afetiva e a tradicional. Leiam o primeiro capítulo de "Economy and Society" de Max Weber.

obs: Todas as citações foram traduzidas da edição em inglês de 1968 , publicado em New York pela Bedminster Press.

Um comentário:

Ricardo Agostini Martini disse...

O professor de metodologia é o Hugo E. A. da Gama Cerqueira. Tem doutorado em filosofia.

Convidei ele para postar no blog, vamos ver se ele dá as caras por lá!