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segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Libertário critica anarquista

A despeito de todas as divergências que tenho com os libertários, não deixa de ser interessante o que diz Buchanan em relação aos que acreditam no anarquismo. Afirma Buchanan (p. 35) em "The Economics and the Ethics of Constitutional Order", xingando socialistas e anarco-capitalistas:

The romantic image of the state as an omniscient and benevolent entity, an image that had been around since Hegel, was shattered by the simple observation that those who act on behalf of the state are also ordinary humans, like the rest of us [...]. Centralized economic planning, with state ownership and control over means of production, has entered history as intellectual folly.

Até aí, nada de novo. A parte mais interessante vem a seguir:

At the opposing end to socialism on the imagined ideological spectrum stands the equally romantic ideal of laissez-faire, the fictional image of anarcho-capitalists, in which there is no role for the state for all. In this model, freely choosing individuals, who have somehow costlessly escaped from the Hobbesian jungle, will create and mantain markets in all goods and services, including the market for protection of person and possessions. It is as difficult to think sistematically about this society as it is to think of that society peopled by the "new men" of idealized communism [...].

Any plausible realistic analysis of social order, whether positive or normative, must be bounded by the limits set by these ideological extremes. The state is neither omniscient nor benevolent, but a political-legal framework is an essential element in any functioning order of human interaction.

O mais interessante de Buchanan é se fizermos um exercício de análise retórica. É notório que ele sempre se coloca como uma alternativa entre os extremos. O subtítulo de um outro livro dele é sintomático: "between Anarchy and Leviathan". Sabemos, no entanto, que Buchanan está muito mais próximo da anarquia do que do Leviatã, pois é um "libertarian". Não precisamos conhecer o "teorema do eleitor mediano" para saber que um discurso mais brando sempre é mais convincente para a maioria.

De qualquer forma, como ataque aos extremos, suas declarações são bastante úteis. E suas contribuições em relação a escolha pública não devem ser desconsideradas. Apenas não precisamos advogar o que ele defende. Acredito que, dentro de limites razoáveis, a questão não é o tamanho do Estado, mas sim como esse Estado atua.

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