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domingo, 28 de outubro de 2007

Clipping e comentário: desigualdade

Um texto interessante do meu amigo Ricardo Martini sobre desigualdade e pobreza na visão de Feldstein e Milankovic.

Já dou meu pitaco, embora não tenha lido os textos, o que pode ser um pouco irresponsável: acho que o Milankovic tem razão até por questões pragmáticas. Feldstein argumenta contra a idéia de igualdade econômica, pois sua demanda adviria da inveja, mesmo quando a desigualdade aumentada fosse resultado de uma melhoria de Pareto. No entanto, mesmo que eu ache a inveja algo moralmente condenável, a igualdade de recursos ou de bem-estar (outro belo debate, ver Dworkin se conseguir entender o texto dele sobre o assunto), precisa ser buscada para garantir certa estabilidade social.

O segundo argumento que apresento é muito melhor: desigualdade de recursos gera desigualdade de poder político, criando instituições que beneficiam apenas a elite: ou seja, incentivando a persistência da desigualdade e pouco desenvolvimento, no sentido amplo. Acemoglu, Johnson e Robinson tem um belo texto que fala sobre isso que pode ser encontrado aqui.

Atualização: o Ricardo Martini me chamou atenção que o contrário também pode ocorrer: desigualdade de poder político gerar desigualdade de recursos. Acredito que é um mecanismo de retroalimentação, como está no texto de Acemoglu et al. Valeu, Ricardo.

4 comentários:

Ricardo Agostini Martini disse...

Desigualdade de recursos gera desigualdade política/institucional? Até onde eu já li a respeito disso, ocorreria o contrário...

Todo caso, muito o0brigado pela citação!

Julio Vega disse...

Caro colega, venho acompanhando seu blog há algum tempo, e me interesso por várias das discussões que você apresenta. Confesso que não li sobre Acemoglu et al., mas nesta questão, acredito que existem trabalhos interessantes (talvez você já os conheça) de um pesquisador da PUC-RIO – Francisco Ferreira – que explora basicamente este ponto de vista da influência das relações institucionais na distribuição de renda para o caso brasileiro, mas sob a perspectiva da desigualdade educacional. Segundo este autor, a heterogeneidade educacional gera uma desigualdade de riqueza, que acarreta uma assimetria de poder político entre os agentes, cujo resultado é reforçar e perpetuar a desigualdade de oportunidades via geração de políticas educacionais que privilegiam os detentores de maior influência política em função da riqueza. Faz sentido, pois para estes, pouco interesse teriam em um aumento do investimento estatal no ensino fundamental público uma vez que não o utilizam. Desta forma as três desigualdades se reforçariam mutuamente.
Boa sorte com os estudos aí na USP, um abraço.

Thomas H. Kang disse...

Julio,

Valeu pelo comentário. Já tinha ouvido falar no Ferreira, mas de fato nada li dele.

Acredito que ele tem uma parcela de razão. Pelo que tu disse, é também uma espécie de círculo vicioso, o que pra mim faz todo sentido.

Obrigado pela indicação: vou buscar alguma coisa dele pois pode ser útil para minha dissertação.

Abraço

Ricardo Agostini Martini disse...

Essa foi a bibliografia da minha primeira aula de Desigualdade e Pobreza. Pra próxima aula, uma semana depois do feriado, vou ter mais textos!

Abraço