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quinta-feira, 29 de março de 2012

Protecionismo: Debate na blogosfera

A conversa iniciada pelo Cristiano gerou debate na blogosfera. O Lucas da Economia Marginal resolveu então colocar uma série de links interessantes acerca do debate sobre protecionismo, motivado pelo Cristiano. Eu mesmo já havia escrito algo a respeito há pouco tempo, quando resolvi criticar alguns aspectos do livro "Chutando a escada". Eu tenho apenas algumas conclusões a respeito disso tudo:

  • Embora todos os resultados de livre comércio possam ser desafiados se colocarmos alguma hipótese de imperfeição de mercado, o fato é que muitas vezes mercados são de fato imperfeitos. Não é por outro motivo que Stiglitz (que ganhou o Nobel principalmente por seus escritos acerca de informação imperfeita) por vezes defende o protecionismo em alguns casos, como ocorre nesse livro. A literatura teórica em protecionismo encontra justificativas possíveis em transbordamentos, learning-by-doing e imperfeições no mercado de crédito (ver Feenstra e Taylor, cap. 9, ou qualquer livro atual de economia internacional). 


  • Proteger tem custos. Quem paga os custos? E o quanto da proteção que existe pode ser explicado por economia política? São questões importantes acerca dos custos da política (custos sempre há: podem ser maiores ou menores que os benefícios).

  • Adotar uma postura radicalmente contra o protecionismo ou contra o livre comércio em qualquer contexto não parece estar de acordo com a evidência empírica até hoje existente, embora evidentemente várias análises empíricas sejam limitadas. É claro que nem sempre nosso posicionamento deve defender o que foi encontrado na análise empírica (até por suas limitações), mas reconhecer que elas existem e refletir sobre isso é fundamental para o debate acadêmico construtivo.


2 comentários:

Anaximandros disse...

oi, essa foi a peça mais murista que já li por aqui, mas tem mais um argumento, em jogos, há sim o equilibro protege-protege, mas é sub-ótimo, ou seja, deve ser evitado a qualquer custo. Quanto aos mercados imperfeitos, a falha informacional aplica-se também ao regulador, então, não considero razoável centralizar uma decisão com problemas de transparência e informação para um ministro ou grupo no poder escolher os protegidos ou a proteger. O que fazer, então? Pensando no longo prazo e não no debate de conjuntura, eu optaria por criatividade e novas fórmulas e não cairia na tese da tsunami ou no maniqueísmo mercado versus estado. Lúcido e bem escrito, parabéns pelo post, abraço do s.

Thomas H. Kang disse...

Foi. Dessa vez foi porque eu realmente não tenho respostas categóricas a essa questão. O equilíbrio protege-protege é mencionado em trabalhos de história econômica de gente muito boa. Em particular, eu menciono Findlay e O'Rourke, Power and Plenty. E realmente, falhas de mercado existem, assim como falhas de governo. Difícil. Abs e obrigado pelos comentários.