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segunda-feira, 26 de março de 2007

Complexidade: o fim da teoria neoclássica?

O título é pra ser lido com ceticismo. Também sou cético em relação a isso, mas foi mais ou menos isso o que afirmou o prof. Dr. Eleutério Prado em seminário do Complex, o grupo de pesquisa que estuda complexidade na USP.

Com base num texto escrito por ele analisando complexidade em Hayek e Marx, Prado disse haver problemas para se alcançar alguns equilíbrios matematicamente, o que significaria uma limitação à teoria neoclássica. Além disso, Prado falou de limitações da lógica aristotélica, citando o teorema de Godel. que, segundo ele, expõe contradições mesmo usando o arcabouço lógico formal.

Mas afinal, o que é complexidade? É uma visão de ciência diferente do reducionismo científico, paradigma atual. O fenômeno deve ser visto como um todo complexo, e não apenas as partes: as interações devem ser consideradas. Tem muito a ver com a biologia e as idéias evolucionistas. Na economia, visa superar os modelos físicos e mecânicos baseados no equilíbrio.

O que Hayek teria a ver com isso? Marx é óbvio. Mas e Hayek? Tire suas conclusões aqui. Eu não sei...

Um comentário:

Guilherme Stein disse...

Na realidade, acredito que Hayek é muito mais evolucionista do que Marx.

Hayek não acredita na existência de nenhum tipo de "equilíbrio" no mercado, mas sim acreditava no mercado com um processo de descobertas e de uso do "conhecimento". Se você ler "The Use of Knoledge in Society" e "The Meanig of Competition", você verá o que eu estou querendo dizer. Aliás, este último é, na minha opinião, uma boa crítica do modelo de concorrência perfeita.

Em "The use of Knoledge of society" ele começa falando:

"What is the problem we wish to solve when we try to construct a rational economic order? (...) If we posses all the relevant information, if we can start out from a given system of preferences, and if we command complete knowledge of available means, the problem which remains is purely one of logic. That is, the answer to the question of what is the best use of the available means is implicit in our assumptions.
(...)
This, however, is emphatically not the economic problem which society faces. And the economic calculus which we have developed to solve this logical problem, though an important spet toward the solution of the economic problem of society, does not yet provide and answer to it. The reason for this is that the "data" from which the economic calculus starts are never for the whole society "given" to a single mind which could work out the implications and can never be so given".