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domingo, 9 de setembro de 2007

Divagações de um viajante na Suíça

Ontem passamos a tarde em Neuchâtel: a primeira cidade da Suíça de língua francesa que conheci. A arquitetura por lá é um pouco diferente das cidades germânicas. Não obstante o fato de ser menos conhecido que Luzern, Neuchâtel é muito relaxante e menos turística. Em Luzern, havia turistas demais na minha opinião... e eu era um deles.

Hoje foi a vez de conhecer a maior cidade do país: Zürich. Os carros lá em geral parecem ser mais caros. Os bancos podem ser encontrados em várias esquinas. É, de fato, a cidade economicamente mais imporante que vi até agora, pelo menos na aparência. Como disse o Daniel, os habitantes de Bern não passam de camponeses perto do pessoal de Zürich. Por isso, eles talvez tenham a mente mais aberta, pro bem e pro mal, como quase tudo nesse mundo.

As fotos estão no meu álbum do orkut. Recomendo fortemente que dêem uma olhada.

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O sistema democrático suíço é bastante curioso. Eles tem sete governantes a nível federal. Embora exista um parlamento, qualquer cidadão pode enviar uma proposta para o legislativo e, de repente, é possível que seja convocado um plebiscito para decidir a questão. Isso foi o pouco que me explicaram a respeito disso. É um modelo interessante, mas creio que impraticável em países grandes como Brasil ou EUA.

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Depois de voltar de Zürich, encontrei uma amiga do Daniel e da Alena para ir a um culto evangélico (não no sentido de Evangelische-reformierte...). Lá existe a Vineyard Bern: Vineyard é uma igreja que existe em vários lugares do mundo que enfatiza muito o louvor. Seus álbuns de música são conhecidos por todo o mundo evangélico por gravarem músicas cristãs ao gosto pop, de acordo com a tendência. Geralmente músicas fáceis de cantar e tocar e, por vezes, com refrões repetitivos. Muitas das letras são meio pobres, mas é inegável que a forma buscada por eles alcança um grupo muito maior de pessoas.

Embora a Suíça esteja no meio da Europa, sempre considerada por demais secularizada, os evangélicos e pentecostais existem por lá. Evidentemente, não são fenômenos de popularidade como as igrejas brasileiras. Mas o culto que eu fui tinha bastante gente. A Gabi, a moça que foi comigo, participa daquela igreja regularmente. No culto que fomos, há tradução simulatânea para o inglês através de fones. Infelizmente, não estava em condições físicas de acompanhar o culto com atenção. Mas foi legal, as pessoas foram muito gentis e simpáticas ao final do culto. Muito melhor do que a frieza que algumas vezes sentimos quando vamos a um culto.

Eu até queria ver um culto reformado no país onde Calvino e Zwinglio pregaram. Mas assistir um culto em alemão suíço seria duro demais...

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Amanhã é dia de ir para Genebra, cidade onde Calvino liderou um dos movimentos de Reforma protestante. A Comissão das Igrejas em Assuntos Internacionais do Conselho Mundial de Igrejas realizará sua primeira reunião depois da Assembléia, ou seja, é um novo mandato com novos integrantes. Eu sou um deles e estarei representando não só a minha Igreja mas as igrejas do meu país que fazem parte do CMI. Muita responsabilidade talvez. Mas Deus ajudará a guiar os passos da gente. Não é algo para se orgulhar, é apenas uma oportunidade de servir - pelo menos deveria ser.

Finalmente, espero, poderei ver que papel positivo o CMI pode ter para os fins buscados por Cr isto. Direitos humanos, diálogo, violência e desenvolvimento: esses são assuntos tratados por esse braço do CMI. Espero, no entanto, que haja espaço para buscarmos soluções para esses problemas sem perder o foco no verdadeiro sentido de ser igreja.


Um comentário:

Joel Pinheiro disse...

Olá Thomas.
Já que você está participando da reunião do Conselho Mundial de Igrejas, gostaria de lhe fazer uma pergunta sobre o tema:

Quais foram, na sua visão, as conquistas e avanços concretos do movimento ecumênico até hoje? E o que se espera do ecumenismo para o futuro?

Pergunto isso porque, como católico, e não-ecumênico (no sentido de não participar de nenhuma iniciativa ecumênica), tenho a impressão externa de que, apesar das muitas reuniões e congressos ecumênicos, pouco de concreto foi realizado. E para falar a verdade, nem sequer entendo o que de concreto esperam as iniciativas ecumênicas.