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segunda-feira, 30 de abril de 2007

Estude econometria

Se existe algo que vale a pena estudar e que não tem recebido muita atenção lá na UFRGS é a econometria. Para uma boa pós-graduação, ter estudado econometria para a ANPEC antes faz uma boa diferença. É evidente que diversos conceitos da microeconomia são retomados na pós. No entanto, não lembrar deles não é um grande problema: o Mas-Collel (re)ensina. Contudo, econometria não é bem assim e ter noção clara da abordagem matricial é fundamental.

Meu ex-colega Tarso, que atualmente está na PUC-Rio, concordaria comigo. Infelizmente, durante meus estudos para a ANPEC, deixei econometria um pouco de lado, o que vem me prejudicando desde o curso de verão. Também é visível que alunos de outros centros têm muito mais preparo na área. Somando UFRGS e falta de estudo, temos um aluno que precisa correr atrás.

A USP tem econometristas de ponta. Recomendo fortemente que futuros econometristas pensem com carinho especial na USP. Pena que não é minha área. É possível que sejamos o melhor centro nessa área no país tendo professores como Denisard Alves (Yale), Naércio A. Menezes Filho (London - painel), Ricardo Avelino (Chicago), Vera Fava (séries temporais), entre outros.

Rodrik em crescimento e pobreza

http://ksghome.harvard.edu/~drodrik/poverty.PDF

Responde a algumas questões bem básicas acerca da relação entre crescimento e pobreza.
Sugiro também que vocês visitem o blog do Rodrik:

http://rodrik.typepad.com/dani_rodriks_weblog/

sábado, 28 de abril de 2007

Estado e Educação

É robusta a constatação de que o investimento público em educação básica apresenta retornos muito altos. Como bom economista, eu deveria mostrar dados infindáveis acerca disso e, se possível, utilizar algum método econométrico. Não o farei aqui nesse curto espaço, mas é notório que a maioria dos países desenvolvidos tem um bom sistema educacional público no nível básico.

O papel do governo nos mais diversos assuntos é motivo de discussão recorrente entre muitos cientistas sociais, inclusive os economistas. Apesar das evidências a respeito da relação entre ensino básico e crescimento econômico, muitos ainda teimam em deixá-las de lado.

Por um lado, os libertários, sempre contrários a toda e qualquer intervenção estatal, ignoram os dados ao achar que educação básica não deve ser oferecida pelo governo. É claro, suas opiniões a respeito da educação superior são as mesmas, o que, por acaso, é coerente com os dados. Reconhecemos que os libertários costumam ser metodologicamente coerentes: eles de fato ignoram as conseqüências porque estas não podem jamais sobrepor os princípios. A liberdade formal, como inclusive um liberal moderado como Rawls dizia, sempre é a prioridade. A crítica de Sen é interessante: afinal, por que a liberdade deve tomar precedência sobre outros fatores? É preferível que muitas pessoas pereçam do que abrir mão em certos momentos da prioridade absoluta da liberdade formal? É óbvio que liberdade pra eles gera naturalmente conseqüências boas. De fato, liberdade é muito importante. Mas não é o único fator importante.

Por outro lado, alguns esquerdistas no Brasil, por exemplo, ignoram os dados ao dizer que podemos e devemos manter os benefícios concedidos para a educação superior do jeito que está. O ensino superior é privilegiado com enormes subsídios, enquanto a educação básica tão valorizada nos países que se desenvolveram, sofre com o pequeno investimento que recebe. A esquerda defende nada mais do que uma transferência de renda dos pobres para os ricos que usufruem do ensino superior gratuito. Enquanto isso, os pobres sofrem em escolas públicas mal-estruturadas. Ricos matriculam seus filhos em escolas particulares. Esses esquerdistas têm dificuldade para entender que o governo tem uma restrição orçamentária, que não dá pra aumentar os gastos com o ensino básico sem tirar recursos de outro lugar. Preferem então amaldiçoar a iniciativa privada e hipertrofiar o Estado.

Dados ignorados: discussão estéril. Não significa ignorar princípios. Significa tentar levar em conta princípios e conseqüências equilibradamente. É simplesmente tentar dar alguma atenção aos dados e não apenas fiar-se nos posicionamentos contra ou favor do Estado. Coréia investiu maciçamente em educação básica. Brasil a ignorou. Crescimento não é apenas educação, mas essa tem um papel importante e não deve ser ignorada.

sábado, 21 de abril de 2007

Otimalidade de Pareto: sintetizando

A otimalidade de Pareto, como bem chamou atenção meu amigo Guilherme Stein, é de fato o resultado encontrado em construções dedutivas da microeconomia através das trocas livres. De fato, nesse sentido, o ótimo de Pareto não é um julgamento moral.

Todavia, a Economia do Bem-Estar utiliza a otimalidade de Pareto como critério de avaliação do bem-estar. Nesse sentido, utilizá-lo normativamente parece ser arbitrário, embora seja o resultado natural das trocas na caixa de Edgeworth na ausência de externalidades.

Na verdade, a evolução da economia positiva impediu a sobrevivência de outros critérios de avaliação. A avaliação utilitarista clássica baseava-se no sum-ranking, a soma total das utilidades. Com as críticas de Lionel Robbins às comparações interpessoais de utilidades, como bem analisa Sen (1999) em "Ética e Economia", estas passaram a ser consideradas éticas/normativas. Assim, afirma Sen o seguinte:

com o desenvolvimento da tendência anti-ética, quando as comparações interpessoais de utilidade passaram a ser evitadas na economia do bem-estar, o critério sobrevivente foi a otimalidade de Pareto. (Sen, 1999, p. 47).


Essa frase não deixa claro se a otimalidade de Pareto em si é um julgamento ético, mas a leitura de outros parágrafos indica que é um critério de avaliação, o que para mim, não permite possibilidade para não considerá-lo como algo arbitrário. Como não ser normativo na economia do bem-estar? Essa é uma humilde pergunta que faço aos leitores desse blog.

Aniversário

Este blogueiro está comemorando anos de vida: são 22.

Agradeço os parabéns daqueles que lembraram (ou daqueles que o orkut lembrou).

Nos próximos posts, provavelmente um pouco de macroeconomia da pós-graduação e algo sobre simpatia, compromisso e racionalidade econômica.


Abraços

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Ingresso no mestrado da USP: mudanças

Caros amigos (as),

Recentemente, foi decidido aqui na USP que o ingresso para o mestrado via ANPEC será modificado em relação ao ano passado.

NÃO haverá a divisão entre "Teoria Econômica" e "Economia das Instituições e do Desenvolvimento". Haverá apenas uma opção para a USP e, portanto, um curso. Quem entrar na USP terá como disciplinas obrigatórias Micro I, Macro I e Econometria I convencionais. Posteriormente, nos semestres seguintes estará livre para escolher disciplinas eletivas das mais diversas áreas (tem muita opcão mesmo).

ACREDITO que os pesos serão os que vigoravam para "Teoria Econômica", mas não tenho certeza. Quando eu tiver mais informações, eu aviso.

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Agora só faltam mais três...

Ontem foi o dia da minha primeira prova no mestrado (desconsiderando o curso de verão). É incrível como a capacidade de estudo das pessoas se multiplica antes de uma prova de microeconomia. A primeira de quatro ao longo do semestre. As horas de sono foram poucas.

A quarta-feira só terminou mesmo na quinta de madrugada às 3 da manhã, quando saímos eu e o Fernando da casa de dois colegas mineiros, Bruno e Raphael. Após um banho, dormi às 4h e acordei às 7h para a monitoria. A prova só aconteceu às 16 horas, prolongando-se até às 19h. Nesse momento, saímos e fomos a um bar. Era necessário.

Basicamente, no quarto do curso, aprendemos a fundo a Teoria do Consumidor. Das duas abordagens da microeconomia, preferências e escolha, podemos derivar as mais diversas relações econômicas sobre o comportamento dos agentes, cujo objetivo final é determinar o comportamento da demanda. A abordagem da escolha e o axioma da preferência revelada, bastante marginalizado em livros de graduação, torna-se bastante importante. Recomendo aos que querem mestrado a não desconsiderarem o único capítulo dedicado a isso no Varian, até porque pode ser útil para a ANPEC mesmo. Homogeneidade, Lei de Walras e convexidade estão sempre bastante presentes. De forma geral, a microeconomia na pós-graduação é formalizada e não dispensa, se necessário, muitas ferramentas originadas da análise e do cálculo avançado.

Na prova de cinco questões, em três éramos requisitados a provar certos resultados. No outro, discorremos sobre preferências e escolha. Na única questão restante, era necessário reproduzir uma proposição do livro.

Nunca aprendi tanta microeconomia como no dia anterior à prova. Espero sinceramente ter ido bem. Em Economia Matemática, 8,6 não foi suficiente para obter o conceito A. Vejamos mais à frente.

domingo, 8 de abril de 2007

A busca pelo ótimo de Pareto

Depois de um jogo entre São Paulo e Palmeiras, nada melhor do que uma conversa sobre Economia. Com uma caminhada de 45 minutos pela frente, eu e meu colega Richard, um especialista em Escola Austríaca e torcedor do porco, discutimos inúmeros assuntos, inclusive o famoso ótimo de Pareto.

O ótimo de Pareto (Vilfredo Pareto foi economista e sociólogo italiano da Escola de Lausanne) é um conceito fundamental na ciência econômica. Em muitas análises, busca-se chegar nesse ótimo, o que acontece quando melhorias de Pareto não são mais possíveis. Uma melhoria de Pareto é a melhora na situação de um sem piorar a dos outros. Quando se exaurem todas as melhorias paretianas, estamos no ótimo: só é possível melhorar a situação de alguém piorando a de outrem.

A pergunta é: embora o ótimo de Pareto esteja em muitas análises na Economia do Bem-Estar, não é esse ótimo um juízo de valor arbitrário?

Evidentemente, a resposta é sim. No entanto, sabemos que poucas pessoas achariam (em princípio) ruim melhorar a situação de um sem piorar a dos outros. Afinal, quem seria contra algo que não prejudica ninguém?

O problema é que a otimalidade de Pareto passa a ser uma grande defensora do status quo na sociedade. Imaginemos uma sociedade em que a distribuição de renda apresente absurda disparidade (ex: Brasil). Aqui estou colocando outro juízo de valor: o de que a distribuição precisa ser mais equânime. Adotando o critério valorativo de Pareto, dificilmente poder-se-ia fazer algo para mudar a situação a qual me referi.

Ora, não há motivo para que a teoria econômica adote o Pareto-ótimo como critério se ele tem conteúdo claramente valorativo. Ao invés disso, posso então utilizar outros critérios quaisquer que não sejam tão indiferentes em relação a distribuição. Ou então, abandonemos todos eles. Melhor do que utilizar apenas o Pareto como se esse fosse "científico" e isento de valor.

Páscoa

Este blog deseja Feliz Páscoa a todos.


Neste ano, todos os cristãos do mundo comemoram a Páscoa no mesmo dia: uma feliz coincidência entre o nosso calendário eclesiástico e o calendário das igrejas de rito ortodoxo.

Este blog, que tem um lado religioso bem forte, deixa de lado a razão e a ciência nesse momento para celebrar a ressurreição de Cristo.

Abraços.

Amanhã, post sobre o ótimo de Pareto.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Discutindo vantagens comparativas

Thomas H. Kang disse...

Desculpa, Stein.

Não entendi o que disseste no último parágrafo. Talvez seja por burrice. Mas como é que um país não vai produzir relativamente melhor um bem? A não ser no caso de que ele produza os dois bens (suponhamos que ele só possa produzir dois bens) com exatamente a mesma eficiência, algum bem ele vai produzir melhor: mesmo que seja pior que o mesmo bem em outro país. Suponhamos que esse seja o bem x. Em A, x é produzido por $2 e em B, por $1. Em A, y é produzido por $5, em B, por $1. Nesse caso, A produz pior os dois bens, mas segundo a TVC, ele deve se especializar na produção de x, enquanto B se especializa em y, mesmo produzindo melhor as duas mercadorias.

Ótimo, só repeti o que Ricardo disse. Com isso, não entendi o que vc quis dizer. "se um país não é relativamente mais produtivo em nenhum bem em relação a qualquer outro país". Como assim? Deve se produzir o que tiver com a relação de preços menos desfavorável...

Se vc não entendeu o que eu disse, me avisa.