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domingo, 18 de novembro de 2012

Instituições e a Revolução Industrial

A Revolução Industrial sempre foi um dos assuntos mais discutidos, mas continua sendo um dos  mais inquietantes da história econômica. Principalmente depois do livro "The Great Divergence" de Kenneth Pomeranz (termo cunhado por Huntington aparentemente), a história econômica tem se perguntado por que a Revolução Industrial ocorreu na Europa e não em outros lugares como a China. Mas a pergunta anterior, que se refere ao pioneirismo britânico na Revolução Industrial, ainda está em debate. Quando a causa chama-se instituições, o clássico artigo de Douglass North e Barry Weingast (1989) é sempre o ponto de partida.

Neste paper, publicado na Journal of Economic History, North e Weingast ressaltam o papel da Revolução Gloriosa de 1688, que teria mudado drasticamente as instituições no período ao diminuir o poder absoluto do rei, dando maior voz ao Parlamento e ao Judiciário, equilibrando os poderes e levando-os a cooperarem entre si. Com maior enforcement dos contratos, mercados (como, por exemplo, o financeiro) teriam se desenvolvido mais, como mostram as evidências (ainda que escassas) dos dois autores. Embora eles não afirmem que esta é a causa da Revolução Industrial no século seguinte, os autores levantam essa hipótese nas considerações finais do texto. Ou seja, ao modificar suas instituições antes de seus vizinhos, os britânicos teriam tido vantagens para iniciar primeiro a industrialização.

O debate subsequente é muito rico. Em especial, reeditando o debate ocorrido no Congresso Mundial de História Econômica ocorrido em 2009, vale a pena comentar rapidamente as ideias de Joel Mokyr e Bob Allen, que têm se destacado nesse debate.

Para Mokyr, a ênfase nas instituições formais dada por North e Weingast é exagerada. Em um de seus textos sobre o tema, Mokyr tenta convencer o leitor de que instituições informais também importariam, afirmando que a cultura do cavalheirismo britânico na época e a ascensão do Iluminimo (que apesar de ser um fenômeno pan-europeu, teria tido papel nas ilhas) não pode ser simplesmente ignorado para favorecer a hipótese das instituições formais. Aproximando-se da posição de McCloskey, as ideias seriam importantes para o surto de inovação tecnológica ocorrida na Revolução Industrial. Embora instituições que garantam contratos e direitos de propriedade sejam importantes para a eficiência do sistema, isso não explicaria suficientemente o avanço tecnológico. A linha escolhida por Mokyr é claramente inspirada na ideia de que acumulação de capital não é suficiente para gerar inovação tecnológica e economias de escala, características do moderno crescimento econômico, o que também é enfatizado pelos modelos teóricos de crescimento endógeno (cuja inspiração teórica vem do insucesso da acumulação de fatores explicar o crescimento de acordo com os resultados empíricos de testes com o modelo de Solow).

Já para Allen, cujo argumento está bem detalhado aqui, temos o seguinte: mais do que instituições formais ou ideias/cultura, os preços relativos são a mais importante explicação. A evidência de que o carvão era relativamente barato e de que salários nas ilhas britânicas eram relativamente altos, facilitaram a industrialização, uma vez que a maior utilização de capital em termos relativos seria favorável à inovação, adoção e difusão de novas tecnologias. Seria uma questão de otimização microeconômica que, no longo prazo, levaria a maiores inovações.

É possível que, na verdade, as ideias de North e Weingast, Mokyr e Allen tenham todas seu papel na explicação do pioneirismo britânico. O debate continua em aberto e, aparentemente, tem estimulado alguns dos nossos alunos na ESPM-Sul, que têm comparecido e debatido no nosso clube de história econômica. A experiência tem sido muito positiva.

PS: Talvez ler o Instituional Revolution do Douglas Allen ajude a elucidar algumas coisas, o que não fiz ainda!

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