Pular para o conteúdo principal

Considerações e clippings para meus alunos sobre a crise europeia

A crise na Europa tem gerado um bom debate acerca de políticas monetária e fiscal. No Twitter, Roubini e Rodrik discutem a questão de soberania e liberdade de políticas:

Trichet proposes EU's full takeover of fiscal policy of bankrupt countries. It totally undermines national sovereignty
Monetary union requires fiscal union, which requires political union. As simple as that.

I fully agree. EZ needs fis/pol union Monetary union requires fiscal union which requires political union. As simple as that
Conversely, fiscal union without political union means bye-bye democracy.

A Europa não seria exatamente uma área monetária ótima segundo o trabalho clássico de Mundell - embora o próprio Mundell tenha sido favorável à moeda única na Europa. Isso certamente está relacionado aos dilemas de política econômica na Europa. Regimes de câmbio fixo, em particular uniões monetárias, impedem a existência de políticas monetárias autonômas em países muito diferentes. Agora Trichet propõe o fim da política fiscal autônoma. Isso faz sentido se pensarmos em uma união política, como disse Rodrik. Discussão importante da relação entre democracia e políticas econômicas.

Sobre os gregos, o conhecido historiador econômico Kevin O'Rourke discute o programa de austeridade e, na linha de Krugman, acredita que o fracasso é evidente e que os gregos têm boa razão para votarem do jeito que estão votando.

Também sobre o tema da crise europeia, uma das melhores coisas que li recentemente foi esse artigo do Eichengreen - que postei anteriormente. Ele compara a atual situação com o que aconteceu na Grande Depressão.  E aqui tem mais alguma coisa sobre a crise.

Comentários

Chutando a Lata disse…
Não sei se sabe, mas o livro de Amartya Sen A Idéia de Justiça tem uma versão em português: Editora Almedina Portugal
Thomas H. Kang disse…
Pois é, acho que tinha ouvido falar, mas confesso que é mais fácil ler em inglês nesse caso, hehe. Mas é uma boa indicação de leitura aqui no blog, para quem prefere enfrentar o Sen em português.
Obrigado

Postagens mais visitadas deste blog

Lutero e os camponeses

São raros os momentos que discorro sobre teologia neste blog. Mas eventualmente acontece, até porque preciso fazer jus ao subtítulo dele. É comum, na minha condição declarada de cristão luterano, que eu sempre seja questionado sobre as diferenças da teologia luterana em relação às outras confissões. Outra coisa sempre mencionada é o episódio histórico do massacre dos camponeses no século XVI, sancionado por escritos de Lutero. O segundo assunto merece alguma menção. Para quem não sabe (e eu nem devo esconder isso), Lutero escreveu que os camponeses, que na época estavam fazendo uma revolta bastante conturbada, deveriam ser impedidos de praticarem tais atos contrários à ordem - inclusive por meio de violência. Lutero não mediu palavras ao dizer isso, o que deu a justificativa para a violenta supressão da revolta que ocorreu subsequentemente. O objetivo deste post não é inocentar Lutero do sangue derramado sobre o qual ele, de fato, teve grande responsabilidade. Nem vou negar que Lutero ...

Cotas e incentivos

Os resultados do vestibular da UFRGS tem novamente gerado discussões a respeito da política de cotas. A adoção de um sistema de cotas pela UFRGS, no qual 30% das vagas foram reservadas para candidatos egressos de escolas públicas, sendo que metade dessas para negros auto-declarados, desde que atingissem certo patamar mínimo, gera enorme polêmica principalmente agora. Muitos candidatos, que seriam aprovados caso não existisse essa política, sentem-se injustiçados e pretendem entrar com um processo contra a universidade. As denúncias poderiam se basear no princípio constitucional da isonomia. Sem querer discutir a justiça ou não de tal sistema, uma análise dos incentivos de um sistema de cotas no médio prazo pode ser interessante para entender que possíveis reações ela pode provocar. Uma das possibilidades seria uma alteração na demanda das famílias por escolas particulares: passa a valer menos a pena pagar uma escola cara para o filho, uma vez que há reservas de cotas para alunos de esc...

Para os que prestarão ANPEC II: Que centros escolher?

Recentemente, um visitante deste blog perguntou-me que centros eu recomendaria a pessoas interessadas no mestrado em Economia. A resposta é a mais freqüente entre os economistas, independentemente da pergunta: depende. Depende da área de pesquisa e de seus objetivos acadêmicos. Evidentemente, os cursos com melhores contatos para um possível PhD. no exterior são os principais centros: EPGE-FGV, PUC-Rio e, de perto, IPE-USP. É claro que há alunos de outros centros que foram ao exterior. E mais, não pense que é simples ir para o exterior... não querendo estudar MUITO, nem vale a pena pensar nisso. Por área de pesquisa, acredito que, tratando-se de ortodoxia, os três centros mencionados têm excelentes quadros. Posso falar pela USP, que não tem nomes pesquisando em Teoria Microeconômica pura, mas é certamente um dos melhores centros para se estudar Econometria e Economia Regional. Nesse último assunto, se destaca também o CEDEPLAR-UFMG. Para aqueles que querem cursos mais ecléticos, sugiro ...