segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Escola de Verão - parte II

A Escola de Verão em Economia do Desenvolvimento da FEA-USP foi um sucesso. É claro que nem todos os minicursos agradaram a todos, uma vez que professores de diferentes perspectivas teóricas depararam-se com estudantes bastante heterogêneos em termos de formação. Mas as opiniões que ouvi foram em geral positivas, incluindo as palestras de Delfim Netto e Ricardo Abramovay (a foto abaixo é dessa última palestra).

Em particular, conhecer alguns assuntos foi particularmente útil para mim. No curso de pobreza e crédito, ministrado pelo Prof. Ricardo Madeira, fomos apresentados a uma forma simplificada do modelo de Stiglitz e Weiss (1981) - um dos modelos clássicos de Stiglitz no assunto informação imperfeita. É em parte baseado nesse modelo que se desenvolvou uma importante literatura teórica sobre imperfeições no mercado de crédito. Um bom resumo em português das contribuições de Stiglitz à literatura sobre mercados financeiros encontra-se aqui. 

Também foi interessante o curso do Prof. Mauro Rodrigues acerca de comércio e crescimento. Depois de apresentar o modelo básico de Solow e o modelo Heckscher-Ohlin na sua versão estática (a mais conhecida), o prof. Mauro falou dos modelos Heckscher-Ohlin dinâmicos que associam comércio a crescimento. Recomendo fortemente a leitura do paper do próprio Mauro sobre a industrialização via substituição de importações na Journal of Monetary Economics. Embora não seja uma explicação histórica, o modelo é uma tentativa de explicar os problemas causados pelo ISI. Para aqueles que conhecem pouco o modelo Heckscher-Ohlin e costumam tirar conclusões normativas demasiadas, é preciso conhecer o modelo melhor e entender a pesquisa atual. Para iniciantes, recomendo o livro do Feenstra e Taylor de Economia Internacional ou o livro do Helpman sobre comércio internacional

A Profa. Fabiana Rocha apresentou também o que há na fronteira da literatura de eficiência do gasto público. A maior conclusão é que há ainda muitas dificuldades e muito a ser feito. A Economia da Educação já está mais consolidada, mas Economia da Saúde e outros tópicos relacionados a eficiência estatal ainda merecem maior atenção. Um bom paper que ela apresentou foi o Barankay e Lockwood (2006), entre outros, que você pode encontrar aqui. 


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