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domingo, 8 de novembro de 2009

Ética e história perdidas no pensamento econômico

Embora Jevons e Marshall tenham difundido com sucesso o uso do cálculo diferencial na economia, isso não significou que não tenham havido discussões sobre a questão da história e da ética e sua relação com a economia na Inglaterra.

Backhouse, em seu Penguin History of Economics, menciona economistas como Thomas Leslie (1827-1982), que, influenciado pela Escola Histórica Alemã, propôs métodos mais indutivos, aparentemente com o mesmo excesso dos germânicos. Mas pelo menos, foi um inglês que reconheceu a importância das instituições (assim como os velhos históricos alemães como List e mesmo Adam Smith já reconhecia).

Mas mais importante que ele foi Arnold Tonybee (1852-1883), que morreu com apenas 31 anos. Baseado em Oxford, rejeitava que a ética permanecesse separada da economia (principalmente em questões distributivas) e afirmou a autonomia da história econômica e social de outras formas de história. Ficou conhecido por ter popularizado o termo "Revolução Industrial".

Outro que acabamos não ouvindo falar muito em nossos cursos de HPE é John Bates Clark. O norte-americano é conhecido por ser o nome da medalha concedida a jovens economistas promissores (com menos de 40 anos). Também advogou a importância da ética, embora tenha proposto, como Jevons e Menger, uma teoria de utilidade marginal, álém de ter defendido o uso de análises estáticas. Muito próximo da convergência que hoje vemos de teoria formal e instituições.

É bom sabermos que algumas idéias que novamente estão em voga como a análise institucional, não só na história (North) como também na firma (Oliver Williamson), já estavam presentes muito anteriormente. A ética (hoje com Amartya Sen e outros) também estava presente, paralelamente ao desenvolvimento dos modernos métodos matemáticos que viriam em seguida.

Mas no fundo, como Sen e outros reconhecem, já estava tudo em Adam Smith. Não é a toa que, como dizia o prof. Eugênio Lagemann nas minhas aulas de história econômica, o velho Adão é nosso pai.

Um comentário:

Fernando Genta disse...

Kangao,
Sexta-feira teve um seminario bacana aqui na FEA apresentado pelo Pedro, discutindo taxa de desconto da funcao utilidade e a questao etica de dar peso menor para geracoes futuras no problema do planejador central. Dado que vc deixou a florida Sao Paulo por essa sua cidadezinha meia boca, pelo menos busque o texto no Google.
Abs,
Genta