Pular para o conteúdo principal

DeLong na UFRGS

Em comemoração aos 100 anos da Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS, tivemos a presença de J. Bradford deLong aqui na UFRGS, professor do Departamento de Economia da University of California at Berkeley. DeLong é proeminente no debate sobre a atual crise econômica, propondo, a exemplo de Paul Krugman, maior intervenção e regulação governamentais para solucioná-la.

O interessante de DeLong é sua produção na área de história macroeconômica. Em sua exposição, DeLong explicou do caso que levou o Banco da Inglaterra a ser um emprestador de última instância com a iminente ameaça de falência de um importante banco em 1823. Mas além disso, mostrou as diferenças entre a Era Greenspan e as crises econômicas do passado, mostrando que as recuperações eram mais rápidas antes (pelo menos foi o que eu entendi após passar o dia inteiro estudando em um café).

Momento interessante da palestra foi ver o professor Ferrari da UFRGS cobrar menção sobre Minsky (aproveitando para identificar-se como pós-keynesiano). DeLong respondeu que preferia a abordagem histórica de Kindleberger acerca de crises e que Minsky lhe dava sono, mas afirmou que ambos têm pontos em comum na interpretação da atual crise.

Mas não houve nada de realmente novo na palestra. Como foi de graça, valeu a pena. Talvez nosso ex-colega Tarso, estudante de Berkeley que provavelmente vai assistir as aulas de história econômica com DeLong, possa nos dizer algo mais em alguns meses.

Comentários

"Minsky lhe dava sono".

Exato! Por isso, acho melhor estudar a teoria dos ciclos financeiros dele pelos textos do Cardim de Carvalho. O Minsky usa uma linguagem demasiadamente bancária nos seus artigos, parece que foge do Economês ao qual estamos acostumendos.

Abraço
O que?!?!?!?!? Delong esteve na UFRGS??? E ninguem me avisou nada....
(Culpa minha, que nao li o teu blog....)
Abracao,
Leo.

Postagens mais visitadas deste blog

Lutero e os camponeses

São raros os momentos que discorro sobre teologia neste blog. Mas eventualmente acontece, até porque preciso fazer jus ao subtítulo dele. É comum, na minha condição declarada de cristão luterano, que eu sempre seja questionado sobre as diferenças da teologia luterana em relação às outras confissões. Outra coisa sempre mencionada é o episódio histórico do massacre dos camponeses no século XVI, sancionado por escritos de Lutero.
O segundo assunto merece alguma menção. Para quem não sabe (e eu nem devo esconder isso), Lutero escreveu que os camponeses, que na época estavam fazendo uma revolta bastante conturbada, deveriam ser impedidos de praticarem tais atos contrários à ordem - inclusive por meio de violência. Lutero não mediu palavras ao dizer isso, o que deu a justificativa para a violenta supressão da revolta que ocorreu subsequentemente.
O objetivo deste post não é inocentar Lutero do sangue derramado sobre o qual ele, de fato, teve grande responsabilidade. Nem vou negar que Lutero t…

Endogeneidade

O treinamento dos economistas em métodos quantitativos aplicados é ainda pouco desenvolvido na maioria dos cursos de economia que existem por aí. É verdade que isto tem melhorado, até porque não é mais possível acompanhar a literatura internacional sem ter conhecimento razoável de técnicas econométricas.

Talvez alguns leitores deste blog ouçam falar muito em endogeneidade ou variáveis endógenas, principalmente no que se refere a modelos econométricos. Se pensamos em modelos de crescimento endógeno, o "endógeno" significa que a variável que causa o crescimento é determinada dentro do contexto do modelo. Mas em econometria, embora não seja muito diferente do que eu disse na frase anterior, endogeneidade se refere a "qualquer situação onde uma variável expicativa é correlacionada com o erro" (Wooldridge, 2011, p. 54, tradução livre).

Baseando-me em um único trecho do livro do Wooldridge (Econometric Analysis of Cross-Section and Panel Data, 2 ed, 2011, p. 54-55), lis…

A busca pelo ótimo de Pareto

Depois de um jogo entre São Paulo e Palmeiras, nada melhor do que uma conversa sobre Economia. Com uma caminhada de 45 minutos pela frente, eu e meu colega Richard, um especialista em Escola Austríaca e torcedor do porco, discutimos inúmeros assuntos, inclusive o famoso ótimo de Pareto.

O ótimo de Pareto (Vilfredo Pareto foi economista e sociólogo italiano da Escola de Lausanne) é um conceito fundamental na ciência econômica. Em muitas análises, busca-se chegar nesse ótimo, o que acontece quando melhorias de Pareto não são mais possíveis. Uma melhoria de Pareto é a melhora na situação de um sem piorar a dos outros. Quando se exaurem todas as melhorias paretianas, estamos no ótimo: só é possível melhorar a situação de alguém piorando a de outrem.

A pergunta é: embora o ótimo de Pareto esteja em muitas análises na Economia do Bem-Estar, não é esse ótimo um juízo de valor arbitrário?

Evidentemente, a resposta é sim. No entanto, sabemos que poucas pessoas achariam (em princípio) ruim melhora…