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domingo, 25 de outubro de 2009

E a desigualdade latino-americana?

O convite para o concerto de piano na Sala São Paulo foi o coroamento de uma semana de palestras com Jeff Williamson, professor emérito de Harvard. Por conta da impossibilidade de Renato Colistete e sua cônjuge de irem ao evento de música clássica, o prêmio, que incluía um fino jantar, parou nas minhas mãos e nas da Molly, doutoranda da UCLA fazendo seu trabalho de campo por aqui.

O concerto foi merecido para Jeff, que fez uma excelente apresentação de seu paper no seminário de sexta-feira. O polêmico ensaio sobre a desigualdade latino-americana desde a época da colonização levou a muitos questionamentos por parte dos professores e alunos. Para Williamson, mais do que devido às instituições originadas do período colonial, a desigualdade é fruto do século 19 e 20. Jeff fez uma crítica à abordagem de Engerman e Sokoloff, o que obrigou-me a levantar a mão e protestar, assim como já tinha feito o Prof. Mauro. De qualquer forma, as palestras do Jeff foram muito instigantes, incluindo esse último seminário.

O curso foi um sucesso, contando com presença maciça de alunos da graduação e de muitos alunos da pós-graduação, além de professores. E deixou na cabeça de alguns a pergunta sobre as origens da nossa desigualdade. Por que afinal somos desiguais? E o que então deve ser corrigido? Perguntas que talvez fiquem sem uma resposta conclusiva por um bom tempo.

3 comentários:

Ricardo Leal disse...

Como não pude estar lá, qual exatamento foi o seu protesto e a resposta dele?

abs

Thomas H. Kang disse...

Meu protesto foi que ele reduziu a tese Engerman e Sokoloff a desigualdade de renda. Ele mostrou que os dados que ele têm evidenciam que a distribuição de renda na América Latina nos primeiros séculos da colonização era menor ou igual a da Europa Ocidental. Embora isso seja um ponto, ES falaram de desigualdade em poder político e capital humano. Assim, o Jeff esqueceu da questão das dotações de fatores: importantes para determinar que tipo de trabalho foi adotado. Por ex: escravidão. Acho que em questões de poder político, faz uma baita diferença institucional futura, por mais que em algum momento, os europeus também recebessem apenas o que era necessário para sobreviver, assim como os escravos.

Ricardo Leal disse...

Ah tá, no artigo dele, ele até menciona desigualdade política, mas realmente não passa de uma menção de ela talvez explique alguma coisa.