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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Desigualdade ou pobreza crônica?

Encontrei o Prof. Sabino recentemente em minhas andanças pela Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS, onde fiz minha graduação. Leitor assíduo de diversos blogs, Sabino comentou sobre a minha pergunta do post anterior: por que afinal somos desiguais?

Há alguns que defendem que apenas a pobreza crônica deva ser combatida. Podemos argumentar moralmente com relativa facilidade em favor disso. Entretanto, defender algum tipo de igualdade já é mais complicado. Em primeiro lugar, precisamos saber de que tipo de igualdade estamos falando: a clássica pergunta do primeiro capítulo de Desigualdade Reexaminada: equality of what?

Igualdade de renda é complicado em diversos aspectos. Além de desconsiderar diferenças de necessidade (pessoas muito doentes, por exemplo, precisam de mais renda), também desconsidera diferenças de capacidade (o que para os mais meritocráticos, é terrível). Ademais, há o problema da eliminação dos incentivos, quando utilizamos o pressuposto de que pessoas geralmente olham para o próprio umbigo - o que não significa que o comportamento ético seja necessariamente desconsiderado. É por essa compreensão que Rawls não elimina as desigualdades em sua idéia de sociedade justa, mantendo os incentivos individuais, mas mostrando suas preocupações igualitárias ao defender os bens primários e o Princípio da Diferença como forma de dirimir as desigualdades.

Se formos até Sen, a idéia dele é equalização e expansão de capacitações, o que respeita as diferenças de necessidade das pessoas. As pessoas azaradas que acabam em situação ruim na loteria da vida, nascendo com alguma deficiência, por exemplo, tem suas situações diretamente consideradas. Sen e Rawls vão além da igualdade formal de oportunidades.

Igualdade de certos tipos para mim continua na agenda e combate à pobreza crônica também. De fato, não defendo a igualdade de renda como objetivo da política pública, mas se a desigualdade de renda é muito acentuada, isso pode gerar desigualdades em outros aspectos (oportunidades, por exemplo) e mesmo pobreza crônica. Ademais, não podemos desvincular desigualdade e pobreza das questões de poder político.

Apenas algumas idéias jogadas sobre o tema de forma confusa e ligeiramente desconexa.

Um comentário:

Fábio M. Ostermann disse...

Meu caro Thomas,

Fico com uma citação do livro "Myths of Rich and Poor", de Cox & Alm, sobre igualdade nos EUA (e em qualquer sociedade humana, afinal):

"America isn’t an egalitarian society. It wasn’t designed to be. Socialism, a failed and receding system, sought to impose an artificial equality. Capitalism a successful and expanding system, doesn’t fight a fundamental fact of human nature–we vary greatly in capabilities, motivation, interests, and preferences. Some of us are driven to get ahead. Some of us are just plain lazy. Some of us are willing to work hard so we can afford a lifestyle rich in material goods. Some of us work just hard enough to provide a roof overhead, food, clothes, and a few amenities. It shouldn’t come as a surprise that our incomes vary greatly."

Abraço,
Fábio