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terça-feira, 28 de outubro de 2008

Escandinávia, uma pedra no sapato

Os nórdicos são sempre uma pedra no sapato dos economistas. Não sei o que causa o sucesso deles, mas não deixa de ser engraçado os propósitos de um centro de estudos em igualdade, organização social e desempenho econômico da Universidade de Oslo. Muitos pesquisadores conhecidos como Acemoglu, Robinson, Bowles e Loewenstein são associados a esse centro. Segundo o site deles:

The Nordic countries seem to violate what the economics profession views as necessary requirements for an economy to prosper. They have too small wage differences, too high taxes, too large public sectors, too generous welfare states, and too strong unions. Despite of these violations, they have for decades been doing extremely well. What most economists see as a recipe for serious economic trouble seems, in the Nordic countries, to be consistent with high growth, low unemployment, low inequality, and a fairly efficient allocation of resources. How come?

Has economics got it wrong? Or, is it rather a question about timing and luck? If the Nordic success stories are just luck, the renewed interest for the "Scandinavian model" in Europe and elsewhere is misguided. If economics has got it wrong, it is important to know how and why.


Um dia vou estudar esses países. Nesse exato momento, estou me informando acerca do sistema educacional sueco.

6 comentários:

Diego da Silva Rodrigues disse...

Thomas;

Apesar dessas características das economias escandinavas serem bastante conhecidas por nós (e pouco entendidas), já vi alguns trabalhos acerca da eficiência delas, como impostos bem distribuídos pela cadeia produtiva e pelas classes sociais, e excelente administração desses recursos públicos. Ou seja, pode ser que, no fingir dos ovos, essa "pedra no sapato" não seja tão grande assim.

Abraço.

pettersonvale disse...

Antes de mais nada, os países precisam ser divididos em termos de população. Os 5 do Norte (Suécia, Finlândia, Noruega, Dinamarca e Islândia) não têm mais do que 6 ou 7 milhões cada um. É a cidade do Rio de Janeiro!

Um professor que estuda desenvolvimento na A Latina fica irritado quando se compara Brasil com Chile sem fazer essa ressalva. De fato, o Chile cabe em São Paulo.

As decisões em países pequenos e homogêneos são tomadas por meio de referendos. Há naqueles cinco homogeneidade cultural, física, histórica, e de tudo o mais que se queira imaginar.

Como comparar essa realidade com a dos EUA? Ou com a da África do Sul?

Acho que a classificação precisa incluir pelo menos 4 categorias: micro-Nações (associação das pequenas ilhas); pequenos países - até uns 20 milhões, talvez; grandes países, como é o caso de Itália, Alemanha, Inglaterra, Brasil e EUA; e gigantes, como China e Índia.

A gestão do sistema educacional estadunidense, por exemplo, fornece desafios impensáveis para o sistema educacional finlandês. Inclusive, esta ressalva é constantemente feita por representantes governamentais desses países em palestras mundo afora.

VW disse...

Olá, tenho acompanhado já há bastante tempo esse blog e tenho gostado bastante dos comentários. Também possuo uma página pessoal (www.vitorwilher.com) e gostaria que você desse uma olhada e opinassem a respeito...

Caso os custos de oportunidade envolvidos não sejam tão altos, pediria que desse uma opinião sobre o último post (http://www.vitorwilher.com/2008/10/29/399/)...

E se não for pedir muito, peço também que adicione minha humilde página no seu bloglist...

Abraços,
Vítor Wilher

Ricardo Agostini Martini disse...

Acho q o segredo dos países nórdicos é uma combinação de capital humano (educação) e capital social, que integra conceitos como confiança, socialidade e cidadania entre as pessoas. Mas considero q é um excelente tema de pesquisa em história econômica o sucesso dessaas sociedades.

Mas, só para provocar, já folheei um livro num sebo de Porto Alegre chamado "Suécia: a Sexual-Democracia", que critica a cultura e as instituições nórdicas. O autor, não me lembro o nome, é conservador de fazer economistas austríacos se arrepiarem, comparando o modelo político sueco com a Espanha de Franco e Portugal de Salazar, concluindo que esses últimos "defendem a civilização cristão ocidental", enquanto que os nórdicos "se perderam na libertinagem e no coletivismo". O livro é do final da década de 60. Só para se divertir!

Abraços

Thomas H. Kang disse...

Diego: eu acho bem razoável o que dizes, mas é claro que é mais palpite do que conhecimento. Esse centro que citei de fato apenas faz a pergunta, abrindo a possibilidade de duas respostas. Assim, tudo depende da explicação pra saber o tamanho da pedra.

Petterson: sim, tamanho da população é importantíssimo. Mas é engraçado. Existem províncias e estados para isso. Sei que não é a mesma coisa, mas então tem algo muito errado em termos federativos, não? Apenas uma hipótese.

Ricardo: Sim, certamente capital social e humano contam! Quanto à "sexual-democracia", de fato os nórdicos surpreendem com suas idéias em relação à sexualidade e etc. Não é um julgamento, mas uma constatação de quem é brasileiro. É diferente e certamente causa horror a um conservador.

Diego Brandão disse...

Acho que os países nórdicos ficaram ricos apesar das coisas que foram apontadas. Não que isso seja ruim, porem gastos em bem estar tem um custo maior do que o aparente. Mas se a galera quer pagar entao ok hehe.