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segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Atraso econômico e "pecado original" (não é teológico)

Hoje iniciou um mini-curso em história econômica com o Prof. William Summerhill, do Departamento de História da UCLA. O curso trata especificamente do crescimento de longo-prazo e do atraso latino-americano. A primeira aula foi interessante: ele discutiu algumas das teorias para o atraso baseado em instituições.

Depois de Summerhill apresentar extensivamente o trabalho de Acemoglu, Johnson e Robinson (2002) e criticar alguns de seus aspectos, alguns de nós começamos a discutir acerca do determinismo dessas teorias. Todas elas buscam uma explicação no começo da colonização para o surgimento das subseqüentes instituições que teriam levado ao atraso latino-americano.

Afinal, é pelo início da colonização que se explica o atraso? A sensação geral é de uma idéia de "pecado original" e que, portanto, não é possível melhorar muito a situação. Até que ponto ou qual a proporção do atual atraso que podemos atribuir a fases iniciais da colonização?

Apenas uma questão para os leitores refletirem.

3 comentários:

Diego Baldusco disse...

Responderei com um link. Dizer que é "pecado original" é omitir muita coisa que já aconteceu de errado e Nesse link o Diogo explica melhor do que eu isso. A culpa é toda "nossa"...

http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/270808/mainardi.shtml

Joao Melo disse...

Thomas, sem usar o termo "pecado original", eu acredito que "nossa origem portuguesa bandida", prejudica até hoje este nosso BRAZIL. Tem realmente algo de colonização com pecado, sem lucro que nos causa atraso sem fim.
Abraço,
João Melo

Henrique disse...

Caro Thomas,
Não sei, mas não interpreto o paper de AJR (2002) como um indício de "pecado original" ou determinismo histórico. O que eu entendo de AJR é que a colonização representa um variação exógena nas instituições (um experimento natural), que permite identificar o efeito das instituições sobre o desempenho econômico. Isso não significa que a colonização é o único fator. A mensagem parece ser o contrário. Ao invés de fatores alheios ao homem, como o clima ou a geografia, as instituições são construções humanas, portanto, passíveis de serem mudadas.