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Educação básica na República Velha (2)

Warren Dean escreveu diversos livros sobre a história econômica do Brasil, todos magistralmente escritos. Suas obras sobre a devastação da Mata Atlântica ou sobre a organização das lavouras em Rio Claro são bastante conhecidas. A sua outra obra famosa, "A Industrialização de São Paulo" (1971), entra no debate das origens da industrialização brasileira. Além de sua interpretação revisionista em relação ao papel dos choques adversos (para ele menor do que considerado por Furtado, por exemplo) e a importância do comércio cafeeiro para a industrialização, Dean descreve um pouco de outras características da sociedade da época. Ao falar sobre a educação, afirma o autor:

"O governo do Estado ignorava as necessidades dos que não possuíam terras com a mesma efetividade que favorecia as dos fazendeiros. Não tentou criar uma classe alfabetizada, estável ou especializada de cidadãos, quer nas cidades, quer no interior. Não havia política pública de redistribuição de terras, nem instrução universal, nem direitos políticos ampliados que tivessem podido eliminar a dependência dos trabalhadores e técnicos importados ou induzissem os imigrantes a encararem o Brasil como uma nova pátria. Os gastos do Estado com a instrução primária não excediam, em média, 65 cents (três mil-réis) per capita, ao ano, entre 1890 e 1900. Em conseqüência disso, as classes da sociedade que não possuíam terras se viam privadas de uma das principais vias de mobilidade ascendente. Por outro lado, as oportunidades educacionais dos filhos da elite eram muito extensas. A aprendizagem técnica no estrangeiro tornou-se corriqueira, e novas escolas superiores de Engenharia Civil, Medicina e Agricultura foram acrescentadas à tradicional faculdade de Direito. O ingresso nessas escolas era limitado, pois quase todos os colégios secundários pertenciam a particulares" (p. 53-54).



Uma pena que Dean faleceu prematuramente em um hotel no Chile devido a um vazamento de gás. Talvez tivéssemos mais livros escritos por ele, sempre de agradável leitura e com informações detalhadas que demonstram a sua seriedade na pesquisa em história econômica. O trecho acima apenas confirma a estupidez da política educacional brasileira desde os seus primórdios, sempre favorecendo as elites.

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