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Minha mãe é pé-frio

Observem o gráfico de Renda Nacional Bruta (PPP) per capita de Coreia do Sul e Brasil desde 1980 ( retirados daqui ). Minha mãe, sul-coreana, chegou ao Brasil em 1981. Mais ou menos nessa época, enquanto o Brasil entrava em crise, a Coreia acelerava o seu catching-up. Ou seja, onde a minha mãe está, a economia está estagnada. Ou seja, a causa da estagnação da Coreia deve ser a minha mãe, certo? Ou será que na verdade a causa tem a ver com o gráfico abaixo? Meus cumprimentos a Krugman e a Bernstein .

Protecionismo: Debate na blogosfera

A conversa iniciada pelo Cristiano gerou debate na blogosfera. O Lucas da Economia Marginal resolveu então colocar uma série de links interessantes acerca do debate sobre protecionismo, motivado pelo Cristiano. Eu mesmo já havia escrito algo a respeito há pouco tempo, quando resolvi criticar alguns aspectos do livro "Chutando a escada". Eu tenho apenas algumas conclusões a respeito disso tudo: Embora todos os resultados de livre comércio possam ser desafiados se colocarmos alguma hipótese de imperfeição de mercado, o fato é que muitas vezes mercados são de fato imperfeitos. Não é por outro motivo que Stiglitz (que ganhou o Nobel principalmente por seus escritos acerca de informação imperfeita) por vezes defende o protecionismo em alguns casos, como ocorre nesse livro . A literatura teórica em protecionismo encontra justificativas possíveis em transbordamentos, learning-by-doing e imperfeições no mercado de crédito (ver Feenstra e Taylor , cap. 9, ou qualquer livr...

Agency condition e história econômica

Rompendo um pouco a regularidade dos meus posts (que normalmente ocorrem às terças e sextas): esse post do blog do NEP-HIS é bastante interessante. Trata-se de um comentário sobre um paper do Van Zanden , conhecido historiador econômico holandês, acerca da relação entre o conceito de agência (agency) em Amartya Sen e sua possível utilização na história econômica. Para quem se interessa pelas duas áreas (justiça distributiva e história econômica), talvez seja uma leitura importante.

Pobreza no curto ou no longo prazo?

Recentemente temos visto que programas de transferência de renda como o Bolsa-Família tem reduzido a pobreza (apesar das controvérsias na definição de linhas de pobreza), assim como também a desigualdade de renda (os dados podem ser vistos no Ipeadata , ou peguem esse paper aqui do IPC-UNDP ). Mas ainda sabemos pouco dos efeitos de longo prazo com relação à redução da pobreza. O Bolsa-Família, assim como a versão anterior mexicana (o Oportunidades ), é caracterizado por ser uma transferência condicional de renda. Ele é focado nos pobres, mas condiciona a ajuda a determinadas exigências, tais como frequencia escolar dos filhos. Outras propostas de transferência, no entanto, existem. Mesmo libertários como Friedman e alguns outros economistas, por exemplo, falaram em imposto de renda negativo . Philippe Van Parijs tem uma defesa moral da renda básica de cidadania, tão propagada por gente como o Suplicy no Brasil . Por outro lado, existem transferência de bens - ou seja, ao invés de...

Presidência do Banco Mundial

Jeff Sachs estava há algum tempo fazendo uma espécie de campanha para que ele fosse indicado pelos EUA para a presidência do Banco Mundial. No seu blog, ele parabenizou a indicação de Jim Yong Kim feita pelo presidente norte-americano Barack Obama . Traduzindo um pouco do que Sachs quis dizer,  Kim é um verdadeiro "development practicioner" e, portanto, estaria qualificado para o cargo. O grande desafio é que Kim, nascido na Coreia, mas atualmente reitor do Dartmouth College nos EUA, é médico e não economista. De fato, Kim é muito envolvido com a causa da saúde pública em países pobres. No entanto, em reportagem do Washington Post, muitos como Bill Easterly levantam suas dúvidas a respeito de ter um médico e não um economista liderando uma organização como o Banco Mundial . Todavia, quem sabe as políticas bottom-up estejam mais presentes com essa nova liderança: Kim não apenas é médico, ele tem doutorado em Antropologia por Harvard - antropólogos costumam ser mais pre...

Hentschke e Educação na Era Vargas

A incipiente literatura em história econômica da educação brasileira ainbda ignora o livro escrito pelo alemão Jens Hentschke sobre o tema. Em "Reconstructing the Brazilian Nation: Public Schooling in the Vargas Era" , o historiador alemão traça as origens da política educacional de Vargas, passando pelo "Castilhismo" positivista quando o Partido Republicano Rio-Grandense dominava a política gaúcha, chegando às políticas varguistas a partir de 1930. Estudos de caso no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul adicionam evidências. Há uma completa revisão da literatura, além de um sério trabalho de documentos primários. Uma fonte valiosa, mas difícil de se achar, como pode se ver no site da Amazon - embora seja um livro editado em 2007.  Eu jamais teria sabido do livro se não fosse a indicação do conhecido brasilianista Joseph Love. No Congresso Mundial de História Econômica em Utrecht, 2009, o simpático Love indicou-me esse estudo depois de discutir meu projeto d...

Clipping: Copa, políticas sociais e welfare state

O meu amigo historiador econômico Thales achou essa reportagem da Veja de uma SUPOSTA edição de seis décadas atrás sobre a vindoura Copa do Mundo de 1950  (ATUALIZAÇÃO: suposta porque a Veja foi fundada em 1968, como me explicou o Drunkeynesian , e criou essa série "Veja na História" com assuntos anteriores a sua criação). Como se percebe, parece que nada mudou! Não li ainda, mas quem quer saber de políticas sociais no Brasil talvez se interesse por esse paper novo sobre o período 1995-2009 .  Desde fevereiro, o Krugman tem postado continuamente no seu blog uma bibliografia sobre "Economics of the Welfare State" . A primeira indicação está aqui, mas procure pelo termo que me referi na busca do blog. Já há seis listas de bibliografias disponíveis sobre o tema com notas de aula.