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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Salário mínimo gera desemprego?

A polêmica está ocorrendo nos Estados Unidos: Krugman afirmou que não há evidência de que a política de salário mínimo afete o nível de emprego, baseado nesse survey. De fato, a questão não é fechada, mas um bocado de gente argumentou sobre os problemas da política de salário mínimo, incluindo o Mankiw e o Steve Landsburg.

No facebook, eu iniciei essa discussão, levantando reações interessantes do Guilherme Stein, do Felipe Garcia, do Ely Mattos e também do Prof. Sabino. Resumindo a discussão, desde os trabalhos de Card e Krueger, suspeita-se que haja pouco efeito do salário mínimo sobre o nível de emprego, mas outros estudos encontram resultados diferentes. A questão é empírica, uma vez que a teoria pode gerar diversos resultados, como bem coloca o Hugo Jales na introdução de um trabalho seu sobre os efeitos da política de salário mínimo no Brasil:

"In a simple one-sector competitive markets model economic theory predicts that there will be some unemployment effects as long as the minimum wage is higher than the market clearing wage. If there is some market power from the employer, then the introduction of minimum wage can lead to both employment and wage increases. In an economy with a large informal sector, where some employers do not comply with the minimum wage legislation, minimum wage might not generate unemployment effects even in the absence of market power from the employer. [...] the task of understanding the effects of minimum wage becomes mostly empirical".

Como professor, acho importante mencionar os estudos existentes acerca do tópico, ao invés de somente mostrar a teoria de políticas de preços no modelo básico de oferta e demanda (isso evidentemente deve ser mostrado, mas não apenas). É fundamental que os alunos entendam as restrições de um modelo de equilíbrio parcial em concorrência perfeita. Pode muito bem ser verdade que o salário mínimo cause desemprego, como pode ser que não. Ademais, pode ser que o salário mínimo esteja abaixo do salário de equilíbrio do mercado de trabalho. De qualquer maneira, há outras questões interessantes relacionadas:

  • mesmo que haja aumento de desemprego, devemos pensar cuidadosamente na prescrição de política. Se a redução da desigualdade salarial for desejada, pode-se pensar em mecanismos compensatórios.
  • pode ser que outras políticas (como as transferências de renda) sejam melhores (em termos de eficiência e eficácia) no combate à pobreza e à desigualdade do que a política de salário mínimo. 

Talvez essas sejam questões mais importantes do que a inicial: se salário mínimo gera ou não desemprego. 


2 comentários:

Thales disse...

Para contribuir:

If the long-run effect of minimum wages is substantial, why then don’t we see this effect? Isaac argues it is because there have been very few long-run changes in the minimum wage in the United States, so evidence on their effects is scant.
Fonte: http://blog.supplysideliberal.com/post/43482772288/isaac-sorkin-dont-be-too-reassured-by-small-short-run

Chutando a Lata disse...

Questão relevante para o Brasil. Por aqui o salário mínimo , principalmente na gestão petista, tem recebido uma boa dose de estímulo e pouco impacto no emprego temos percebido. Numa primeira avaliação, considero a política do salário mínimo muito ligada à questão da exploração escancarada. Há, no Brasil, uma certa hipocrisia no debate sobre escravidão e trabalho desumano. Para piorar, temos observado um inchaço nas cidades, acolhendo "paraíbas" de todos os gêneros, em degradação urbana acelerada. De outro lado, temos a informalidade que acolhe os desamparados. Nesta salada de eventos, me ocorre considerar que o salário efetivo de mercado pode não estar bem definido e a política de reajuste dos salários mínimos não ter, de fato, efeito prático. De qualquer forma, creio que temos muito que pesquisar para chegar a um entendimento pleno da questão.