Pular para o conteúdo principal

Teoria e Índices de Desenvolvimento

Comecei a ler agora alguma bibliografia sobre indicadores de desenvolvimento, em particular esses indicadores compostos, tais como o IFDM da FIRJAN e o ISDM da FGV-SP. Ambos os índices, que tentam medir o desenvolvimento em nível municipal, tem problemas. A FEE também tem seu IDESE, que tampouco é isento de críticas. Mesmo o IDH, o mais famoso de todos, não passa incólume.

Para tudo isso, recebi a indicação desse livro, o Handbook on Construction Composite Indicators. O material não é tão novo, mas muito útil para aqueles que têm buscado entender indicadores compostos de todo o tipo, inclusive os de desenvolvimento. Agradeço ao Manoel pela indicação. As sentenças-chave do livro talvez sejam essas duas:

"What is badly defined is likely to be badly measured" (p. 22)
"The process should be ideally based on what is desirable to measure and not on which indicators are available" (p. 22)

Esse é o problema da construção de indicadores: como é possível ser teoricamente consistente com os indicadores disponíveis. Vale a pena ler a crítica do Flávio Comim ao IFDM, embora eu ainda o considere mais claro que o ISDM. 

Comentários

Anaximandros disse…
oi, falta-nos, em geral, um bom curso de teoria da medida e como resolver o problema dos pesos endógenos dos itens que entram no índice, além dos pontos que apontastes. Todos não são problemas triviais e de solução fácil e/ou amigável. abraço, s.

Postagens mais visitadas deste blog

Lutero e os camponeses

São raros os momentos que discorro sobre teologia neste blog. Mas eventualmente acontece, até porque preciso fazer jus ao subtítulo dele. É comum, na minha condição declarada de cristão luterano, que eu sempre seja questionado sobre as diferenças da teologia luterana em relação às outras confissões. Outra coisa sempre mencionada é o episódio histórico do massacre dos camponeses no século XVI, sancionado por escritos de Lutero.
O segundo assunto merece alguma menção. Para quem não sabe (e eu nem devo esconder isso), Lutero escreveu que os camponeses, que na época estavam fazendo uma revolta bastante conturbada, deveriam ser impedidos de praticarem tais atos contrários à ordem - inclusive por meio de violência. Lutero não mediu palavras ao dizer isso, o que deu a justificativa para a violenta supressão da revolta que ocorreu subsequentemente.
O objetivo deste post não é inocentar Lutero do sangue derramado sobre o qual ele, de fato, teve grande responsabilidade. Nem vou negar que Lutero t…

Endogeneidade

O treinamento dos economistas em métodos quantitativos aplicados é ainda pouco desenvolvido na maioria dos cursos de economia que existem por aí. É verdade que isto tem melhorado, até porque não é mais possível acompanhar a literatura internacional sem ter conhecimento razoável de técnicas econométricas.

Talvez alguns leitores deste blog ouçam falar muito em endogeneidade ou variáveis endógenas, principalmente no que se refere a modelos econométricos. Se pensamos em modelos de crescimento endógeno, o "endógeno" significa que a variável que causa o crescimento é determinada dentro do contexto do modelo. Mas em econometria, embora não seja muito diferente do que eu disse na frase anterior, endogeneidade se refere a "qualquer situação onde uma variável expicativa é correlacionada com o erro" (Wooldridge, 2011, p. 54, tradução livre).

Baseando-me em um único trecho do livro do Wooldridge (Econometric Analysis of Cross-Section and Panel Data, 2 ed, 2011, p. 54-55), lis…

A busca pelo ótimo de Pareto

Depois de um jogo entre São Paulo e Palmeiras, nada melhor do que uma conversa sobre Economia. Com uma caminhada de 45 minutos pela frente, eu e meu colega Richard, um especialista em Escola Austríaca e torcedor do porco, discutimos inúmeros assuntos, inclusive o famoso ótimo de Pareto.

O ótimo de Pareto (Vilfredo Pareto foi economista e sociólogo italiano da Escola de Lausanne) é um conceito fundamental na ciência econômica. Em muitas análises, busca-se chegar nesse ótimo, o que acontece quando melhorias de Pareto não são mais possíveis. Uma melhoria de Pareto é a melhora na situação de um sem piorar a dos outros. Quando se exaurem todas as melhorias paretianas, estamos no ótimo: só é possível melhorar a situação de alguém piorando a de outrem.

A pergunta é: embora o ótimo de Pareto esteja em muitas análises na Economia do Bem-Estar, não é esse ótimo um juízo de valor arbitrário?

Evidentemente, a resposta é sim. No entanto, sabemos que poucas pessoas achariam (em princípio) ruim melhora…