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CAPES/Fulbright

Muitas tarefas têm tirado todo o tempo, inclusive para escrever algo interessante neste blog. Em especial, esta semana foi marcada por tragédias gastro-intestinais e por correrias devido ao curto prazo dado pela CAPES àqueles que desejam concorrer a uma bolsa de doutorado nos Estados Unidos.

A CAPES e a agência Fulbright do governo americano tem um convênio. Precisamos mandar diversos documentos para as duas entidades. Não se pode perder essa chance, uma vez que as universidades estaduais norte-americanas costumam não oferecer bolsas a todos os estudantes. Por exemplo, gente que quer alguma UC (University of California at...) costuma pleitear a bolsa da CAPES. Por isso estamos na correria.

Nesse ano, podemos pedir por três universidades. Eu estou pedindo para a CAPES bolsa em UC Davis e UCLA, onde eu certamente arranjaria uma boa orientação nos tópicos que me interessam dentro da história econômica. UC Davis é um dos centros mais fortes e diversificados da área, contando com Lindert, Greg Clark, Alan Taylor, Olmstead e Chris Meissner. Já a UCLA tem poucos historiadores econômicos no departamento de Economia (Dora Costa e Naomi Lamoreaux), mas temos Summerhill no UCLA Center for Economic History

Ok, eu coloquei Harvard mesmo sem fazer sentido e mesmo sem ter a menor chance. Afinal, um application coerente era necessário. Não achei ninguém que pudesse fazer esse papel além de Claudia Goldin como uma possível orientadora. Enfim, amanhã é o limite e ainda faltam alguns documentos.

Comentários

guto howe disse…
Fala Thomas,

tudo bem por aí??

Quando tiver tempo me responda uma coisa: Nesse seu desenvolvimento no estudo da economia, e na escolha da área de estudo (mestrado/doutorado), ha alguma relação com um chamado, no sentido evangelico da palavra?

Abracos

Guto Howe

Soli Deo Gloria
Thomas H. Kang disse…
Olha, Guto, chamado mesmo acho que não. Pelo menos não até agora.
Estudo história econômica por puro gosto acadêmico. É verdade que, o que estudo dentro da história econômica, sempre com ênfase em desenvolvimento humano, educação, condições de vida da população, tem muito a ver com minha ética cristão. Por isso, não posso negar que Deus pode estar agindo nisso, mas chamado mesmo, não.

Meus "chamados" estão mais em outras coisas. Por exemplo, compartilhar idéias como em http://cronicasdekang.blogspot.com/2009/05/fazer-por-merecer.html

Abs
guto howe disse…
Valeu Thomas,
acabei de conhecer seu outro blog. Otimo mesmo... e me deixou meio inspirado!!

Thank you

Guto Howe
Anônimo disse…
Thomas,

Não lhe imcomoda a relação Religião-Ciência ? Tenho pensado sobre isso. Me veio a mente uma passagem de "Anjos e Demonônios" na qual o Camerlengo pertunta ao Langdon se ele acredita em Deus e ele responde: "Sou um acadêmico" meio que como sinônimo de "Não". Enfim, tu me parece um cara bastante esclarecido sobre isso. Sem dúvida gostaria de ler algo a respeito. Se tu já escreveu, não custa disponibilizar o link.

Abração,
Thomas H. Kang disse…
Anônimo, sinta-se à vontade para se identificar, por favor! Se quiser, é claro.

Olha, não escrevi nada ainda (que eu me lembre) sobre a relação religião - ciência. Poucas vezes vi tensão nisso de fato, embora compreenda que, se eu fosse um cristão no século XIX, ficaria possivelmente chocado com as teorias de Darwin. Talvez valha a pena escrever sobre isso qualquer hora. De qualquer forma, tem muito cientista/acadêmico bom que é cristão por aí. Eu realmente não vejo isso como uma tensão. Talvez Dawkins pense assim, mas ele é ateu. =D

Fique à vontade para expor seus pontos de vista.

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