Pular para o conteúdo principal

Aborto e estupro: posicionamento oficial da IECLB

Clicando aqui, temos um resumo acerca do posicionamento da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil sobre o caso da menina que, estuprada pelo padrasto, teve seu filho abortado por decisão da mãe da menina. Declarações de clérigos católico-romanos pediram pela excomunhão dos médicos que fizeram a operação.

O texto completo do posicionamento (que tem apenas três páginas), pode ser encontrado aqui.

Tendo a concordar com o argumento geral de que a teologia luterana não pode desrespeitar "o critério de que a decisão deva ser tomada pelas pessoas implicadas, em responsabilidade própria".
Acredito que “Deus, em sua graça, permite, em situações extremas como essa, opções carregadas de mal – pois o aborto certamente não é um bem – e as acolhe como expressão de um servir responsável ao próximo em necessidade.”

Comentários

Rafael Ferreira disse…
Uma correção importante: o estuprador foi o padrasto, não o pai da criança.
Thomas;

Uma pergunta de leigo: a IECLB sempre teve esse posicionamento em relação ao aborto, ou este ocorreu somente perante ao caso da menina estuprada pelo padrasto, especificamente?

Abraço!
Humbert Serna disse…
Diego, espero estar respondendo sua indagação:
" (...)não há no âmbito de igrejas evangélicas protestantes um magistério que tenha a prerrogativa de estabelecer normas éticas que deveriam ser seguidas por todos os fiéis. Nem poderia haver. Na tradição da Reforma protestante essas igrejas não (re)conhecem uma instância eclesiástica autoritativa(...)" ;
"(...)sempre haverá a ambigüidade da condição humana e da realidade histórica. Todo ser humano é criatura de Deus e a ele destinada; mas todo ser humano também vive distante de Deus na condição de ser pecador(...)" ; "(...) o ser humano com frequência se vê confrontado com situações em que o discernimento ético não terá a seu dispor a opção perfeita, sequer uma opção boa(...)"

Postagens mais visitadas deste blog

Lutero e os camponeses

São raros os momentos que discorro sobre teologia neste blog. Mas eventualmente acontece, até porque preciso fazer jus ao subtítulo dele. É comum, na minha condição declarada de cristão luterano, que eu sempre seja questionado sobre as diferenças da teologia luterana em relação às outras confissões. Outra coisa sempre mencionada é o episódio histórico do massacre dos camponeses no século XVI, sancionado por escritos de Lutero.
O segundo assunto merece alguma menção. Para quem não sabe (e eu nem devo esconder isso), Lutero escreveu que os camponeses, que na época estavam fazendo uma revolta bastante conturbada, deveriam ser impedidos de praticarem tais atos contrários à ordem - inclusive por meio de violência. Lutero não mediu palavras ao dizer isso, o que deu a justificativa para a violenta supressão da revolta que ocorreu subsequentemente.
O objetivo deste post não é inocentar Lutero do sangue derramado sobre o qual ele, de fato, teve grande responsabilidade. Nem vou negar que Lutero t…

Endogeneidade

O treinamento dos economistas em métodos quantitativos aplicados é ainda pouco desenvolvido na maioria dos cursos de economia que existem por aí. É verdade que isto tem melhorado, até porque não é mais possível acompanhar a literatura internacional sem ter conhecimento razoável de técnicas econométricas.

Talvez alguns leitores deste blog ouçam falar muito em endogeneidade ou variáveis endógenas, principalmente no que se refere a modelos econométricos. Se pensamos em modelos de crescimento endógeno, o "endógeno" significa que a variável que causa o crescimento é determinada dentro do contexto do modelo. Mas em econometria, embora não seja muito diferente do que eu disse na frase anterior, endogeneidade se refere a "qualquer situação onde uma variável expicativa é correlacionada com o erro" (Wooldridge, 2011, p. 54, tradução livre).

Baseando-me em um único trecho do livro do Wooldridge (Econometric Analysis of Cross-Section and Panel Data, 2 ed, 2011, p. 54-55), lis…

A busca pelo ótimo de Pareto

Depois de um jogo entre São Paulo e Palmeiras, nada melhor do que uma conversa sobre Economia. Com uma caminhada de 45 minutos pela frente, eu e meu colega Richard, um especialista em Escola Austríaca e torcedor do porco, discutimos inúmeros assuntos, inclusive o famoso ótimo de Pareto.

O ótimo de Pareto (Vilfredo Pareto foi economista e sociólogo italiano da Escola de Lausanne) é um conceito fundamental na ciência econômica. Em muitas análises, busca-se chegar nesse ótimo, o que acontece quando melhorias de Pareto não são mais possíveis. Uma melhoria de Pareto é a melhora na situação de um sem piorar a dos outros. Quando se exaurem todas as melhorias paretianas, estamos no ótimo: só é possível melhorar a situação de alguém piorando a de outrem.

A pergunta é: embora o ótimo de Pareto esteja em muitas análises na Economia do Bem-Estar, não é esse ótimo um juízo de valor arbitrário?

Evidentemente, a resposta é sim. No entanto, sabemos que poucas pessoas achariam (em princípio) ruim melhora…