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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Minicurso sobre origens legais e desenvolvimento

A pós-graduação da FEA-USP mais uma vez com um minicurso interessante: "The Law and History of Economic Institutions of Capitalism" com a professora Veronica Santarosa, da University of Michigan Law School. Conferir aqui!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Salário mínimo gera desemprego?

A polêmica está ocorrendo nos Estados Unidos: Krugman afirmou que não há evidência de que a política de salário mínimo afete o nível de emprego, baseado nesse survey. De fato, a questão não é fechada, mas um bocado de gente argumentou sobre os problemas da política de salário mínimo, incluindo o Mankiw e o Steve Landsburg.

No facebook, eu iniciei essa discussão, levantando reações interessantes do Guilherme Stein, do Felipe Garcia, do Ely Mattos e também do Prof. Sabino. Resumindo a discussão, desde os trabalhos de Card e Krueger, suspeita-se que haja pouco efeito do salário mínimo sobre o nível de emprego, mas outros estudos encontram resultados diferentes. A questão é empírica, uma vez que a teoria pode gerar diversos resultados, como bem coloca o Hugo Jales na introdução de um trabalho seu sobre os efeitos da política de salário mínimo no Brasil:

"In a simple one-sector competitive markets model economic theory predicts that there will be some unemployment effects as long as the minimum wage is higher than the market clearing wage. If there is some market power from the employer, then the introduction of minimum wage can lead to both employment and wage increases. In an economy with a large informal sector, where some employers do not comply with the minimum wage legislation, minimum wage might not generate unemployment effects even in the absence of market power from the employer. [...] the task of understanding the effects of minimum wage becomes mostly empirical".

Como professor, acho importante mencionar os estudos existentes acerca do tópico, ao invés de somente mostrar a teoria de políticas de preços no modelo básico de oferta e demanda (isso evidentemente deve ser mostrado, mas não apenas). É fundamental que os alunos entendam as restrições de um modelo de equilíbrio parcial em concorrência perfeita. Pode muito bem ser verdade que o salário mínimo cause desemprego, como pode ser que não. Ademais, pode ser que o salário mínimo esteja abaixo do salário de equilíbrio do mercado de trabalho. De qualquer maneira, há outras questões interessantes relacionadas:

  • mesmo que haja aumento de desemprego, devemos pensar cuidadosamente na prescrição de política. Se a redução da desigualdade salarial for desejada, pode-se pensar em mecanismos compensatórios.
  • pode ser que outras políticas (como as transferências de renda) sejam melhores (em termos de eficiência e eficácia) no combate à pobreza e à desigualdade do que a política de salário mínimo. 

Talvez essas sejam questões mais importantes do que a inicial: se salário mínimo gera ou não desemprego. 


sábado, 16 de fevereiro de 2013

Igualdade e justiça

Talvez na semana do falecimento do filósofo Ronald Dworkin, autor de livros como "A virtude soberana" e "Taking rights seriously", devamos falar sobre justiça e igualdade. Dworkin foi um dos principais debatedores sobre o problema da justiça distributiva pós-Rawls. 

No facebook, tenho visto a seguinte figura sendo postada por aí:


Três pontos na discussão que podem ser elucidativos:
  1. Eu concordo com a ideia intuitiva do desenho: a de que igualdade nos meios nem sempre é suficiente por conta das diferentes capacidades de conversão de recursos em bem-estar (crítica de Arrow [Journal of Philosophy, 1973] e Amartya Sen [em um monte de trabalhos] a John Rawls na questão dos bens primários). 
  2. De qualquer forma, a nomenclatura não é consistente na minha opinião. Toda teoria de justiça requer algum tipo de igualdade (legal, de direitos, de oportunidades, de recursos, de fins atingidos, etc.), como argumenta o Sen em "Equality of what?" (é o primeiro capítulo dele do livro "Desigualdade Reexaminada"). Podemos pensar na primeira figura como igualdade de meios e na segunda como igualdade de fins. E há teorias de justiça que defendem uma ou outra noção. 
  3. Na verdade temos uma dificuldade enorme em definir o que é esforço do indíviduo e o que está fora do controle dele (dotação genética, background, etc.). Boa parte da discussão fica no "acho que isso se deve mais à falta de esforço" ou "isso se deve às condições como ele foi criado". Mesmo assim, a ideia de que se deve equalizar alguns fins básicos e certamente as oportunidades me parece atrativa. Boa parte do argumento do Rawls em favor do Princípio da Diferença se deve ao fato de que as pessoas ganham ou perdem na "loteria": seja genética ou do lugar/condições em que nasceu. O próprio Dworkin, a quem prestamos homenagem nessa semana, também tratou do assunto, com a defesa da ideia de um "seguro" para a loteria da vida.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Carta de Conjuntura FEE

Saindo quentinha hoje.