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terça-feira, 27 de novembro de 2012

Congresso na Europa de História Econômica

Olhem aí!


Tenth Conference of the European Historical Economics Society (EHES)
Call for Papers

The Tenth European Historical Economics Society Conference will be held at the London School of Economics, Friday-Saturday, 6-7 September 2013.

The Conference Programme Committee consisting of Stephen Broadberry (London School of Economics), Herman de Jong (University of Groningen), Giovanni Federico (European University Institute) and Sybille Lehmann (Hohenheim University) invites proposals for individual papers on any aspect of European or global economic history covering a wide range of periods, countries and regions.

The Society encourages submissions from young scholars. There will be 10 bursaries of €500 each to help PhD students cover the costs of travel and accommodation. Further details are available on the EHES website.

For each proposed paper, an abstract not exceeding 500 words together with the institutional affiliation and e-mail address of the authors should be uploaded by 6 February, 2013 via the Society’s website (
www.ehes.org).

All submissions will be acknowledged. Notices of acceptance will be sent to corresponding authors by 6 April, 2013.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Minorias e democracias


Estou recebendo boas lições de filosofia política com um livro de bolso de David Miller da coleção da Oxford. Aliás, recomendo a série. Pelo menos até agora não me decepcionaram.

Embora eu conheça o argumento antigo da "tirania da maioria", creditada à Tocqueville (segundo o que aprendi anos atrás), acabei nunca pensando mais detidamente acerca das minorias em regimes democráticos. É talvez uma questão crucial - o bom senso faz a gente pensar nisso, mas não de forma sistemática. Miller coloca bem o problema no seu capítulo sobre democracia (capítulo 3).

O filósofo coloca dois problemas que a votação por maioria pode trazer na democracia, afetando nossas noções de igualdade política:
  1. a maioria pode ser menos afetada do que a minoria ou tem menos interesses em jogo (intense minority).
  2. um grupo é persistentemente minoritário quando rodadas de votação são feitas (persistent minority).

Como resolver isso?
  • garantias constitucionais de respeito a certos direitos: nesse caso, uma autoridade especial, em geral uma corte constitucional, teria poder para julgar os casos. A maioria não pode violar esses direitos apenas por ser maioria.
  • criação de subcomissões que fazem o grupo que tem mais interesses em jogo se tornar majoritário (em cada subcomissão).
  • permitir que haja discussão pública para que um ouça o outro e considere a visão da minoria (até para garantir que todos sejam ouvidos e considerados, uma vez que todos podem ser minoria em um determinado assunto).

Essas soluções são as que Miller levanta nesse livro introdutório. Evidentemente, pessoas com maior formação em filosofia e ciência política podem contribuir mais. O livro me ensinou, por exemplo, que o termo idiota vem do grego e designava a pessoa que vivia uma existência privada e não se ocupava dos assuntos da pólis (p. 48). Nesse sentido, acho que esse livro é uma boa maneira de nos afastar um pouco dessa categoria.

domingo, 18 de novembro de 2012

Instituições e a Revolução Industrial

A Revolução Industrial sempre foi um dos assuntos mais discutidos, mas continua sendo um dos  mais inquietantes da história econômica. Principalmente depois do livro "The Great Divergence" de Kenneth Pomeranz (termo cunhado por Huntington aparentemente), a história econômica tem se perguntado por que a Revolução Industrial ocorreu na Europa e não em outros lugares como a China. Mas a pergunta anterior, que se refere ao pioneirismo britânico na Revolução Industrial, ainda está em debate. Quando a causa chama-se instituições, o clássico artigo de Douglass North e Barry Weingast (1989) é sempre o ponto de partida.

Neste paper, publicado na Journal of Economic History, North e Weingast ressaltam o papel da Revolução Gloriosa de 1688, que teria mudado drasticamente as instituições no período ao diminuir o poder absoluto do rei, dando maior voz ao Parlamento e ao Judiciário, equilibrando os poderes e levando-os a cooperarem entre si. Com maior enforcement dos contratos, mercados (como, por exemplo, o financeiro) teriam se desenvolvido mais, como mostram as evidências (ainda que escassas) dos dois autores. Embora eles não afirmem que esta é a causa da Revolução Industrial no século seguinte, os autores levantam essa hipótese nas considerações finais do texto. Ou seja, ao modificar suas instituições antes de seus vizinhos, os britânicos teriam tido vantagens para iniciar primeiro a industrialização.

O debate subsequente é muito rico. Em especial, reeditando o debate ocorrido no Congresso Mundial de História Econômica ocorrido em 2009, vale a pena comentar rapidamente as ideias de Joel Mokyr e Bob Allen, que têm se destacado nesse debate.

Para Mokyr, a ênfase nas instituições formais dada por North e Weingast é exagerada. Em um de seus textos sobre o tema, Mokyr tenta convencer o leitor de que instituições informais também importariam, afirmando que a cultura do cavalheirismo britânico na época e a ascensão do Iluminimo (que apesar de ser um fenômeno pan-europeu, teria tido papel nas ilhas) não pode ser simplesmente ignorado para favorecer a hipótese das instituições formais. Aproximando-se da posição de McCloskey, as ideias seriam importantes para o surto de inovação tecnológica ocorrida na Revolução Industrial. Embora instituições que garantam contratos e direitos de propriedade sejam importantes para a eficiência do sistema, isso não explicaria suficientemente o avanço tecnológico. A linha escolhida por Mokyr é claramente inspirada na ideia de que acumulação de capital não é suficiente para gerar inovação tecnológica e economias de escala, características do moderno crescimento econômico, o que também é enfatizado pelos modelos teóricos de crescimento endógeno (cuja inspiração teórica vem do insucesso da acumulação de fatores explicar o crescimento de acordo com os resultados empíricos de testes com o modelo de Solow).

Já para Allen, cujo argumento está bem detalhado aqui, temos o seguinte: mais do que instituições formais ou ideias/cultura, os preços relativos são a mais importante explicação. A evidência de que o carvão era relativamente barato e de que salários nas ilhas britânicas eram relativamente altos, facilitaram a industrialização, uma vez que a maior utilização de capital em termos relativos seria favorável à inovação, adoção e difusão de novas tecnologias. Seria uma questão de otimização microeconômica que, no longo prazo, levaria a maiores inovações.

É possível que, na verdade, as ideias de North e Weingast, Mokyr e Allen tenham todas seu papel na explicação do pioneirismo britânico. O debate continua em aberto e, aparentemente, tem estimulado alguns dos nossos alunos na ESPM-Sul, que têm comparecido e debatido no nosso clube de história econômica. A experiência tem sido muito positiva.

PS: Talvez ler o Instituional Revolution do Douglas Allen ajude a elucidar algumas coisas, o que não fiz ainda!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Endogeneidade

O treinamento dos economistas em métodos quantitativos aplicados é ainda pouco desenvolvido na maioria dos cursos de economia que existem por aí. É verdade que isto tem melhorado, até porque não é mais possível acompanhar a literatura internacional sem ter conhecimento razoável de técnicas econométricas.

Talvez alguns leitores deste blog ouçam falar muito em endogeneidade ou variáveis endógenas, principalmente no que se refere a modelos econométricos. Se pensamos em modelos de crescimento endógeno, o "endógeno" significa que a variável que causa o crescimento é determinada dentro do contexto do modelo. Mas em econometria, embora não seja muito diferente do que eu disse na frase anterior, endogeneidade se refere a "qualquer situação onde uma variável expicativa é correlacionada com o erro" (Wooldridge, 2011, p. 54, tradução livre).

Baseando-me em um único trecho do livro do Wooldridge (Econometric Analysis of Cross-Section and Panel Data, 2 ed, 2011, p. 54-55), listo aí as três fontes tradicionais de endogeneidade em econometria aplicada:

  1. Variáveis omitidas: se há uma variável omitida no modelo, ela acaba sendo incorporada ao erro. Caso esta variável omitida seja correlacionada com alguma das variáveis explicativas que já está no modelo (o que é bem comum), necessariamente haverá correlação entre variável explicativa e erro.
  2. Erro de mensuração: se há apenas uma variável com erro de mensuração e não temos a variável sem erro que deveria estar no modelo, podemos ter correlação entre a variável que temos (com erro) e o erro (porque o erro contém uma parte daquilo que não foi mensurado corretamente). Isso depende da relação entre a variável que temos (com erro) e a que não temos mas gostaríamos de ter (sem erro).
  3. Simultaneidade: quando uma das variáveis explicativas é determinada pela variável explicada no modelo. Ou seja, x influencia y, mas y também influencia x simultaneamente. Nesse caso, x e o erro geralmente possuem correlação entre si. 

E qual é o problema da endogeneidade? Além do viés, o grande problema que podemos ter é a inconsistência. Nesse caso, nossas estimativas não convergirão ao parâmetro populacional. Para que então rodar uma regressão? O importante de uma estimativa amostral é que, através dela, possamos dizer algo sobre a população.

PS: Agradeço algumas correções feitas pelo Prof. Fernando Sabino.