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domingo, 31 de maio de 2009

CAPES/Fulbright

Muitas tarefas têm tirado todo o tempo, inclusive para escrever algo interessante neste blog. Em especial, esta semana foi marcada por tragédias gastro-intestinais e por correrias devido ao curto prazo dado pela CAPES àqueles que desejam concorrer a uma bolsa de doutorado nos Estados Unidos.

A CAPES e a agência Fulbright do governo americano tem um convênio. Precisamos mandar diversos documentos para as duas entidades. Não se pode perder essa chance, uma vez que as universidades estaduais norte-americanas costumam não oferecer bolsas a todos os estudantes. Por exemplo, gente que quer alguma UC (University of California at...) costuma pleitear a bolsa da CAPES. Por isso estamos na correria.

Nesse ano, podemos pedir por três universidades. Eu estou pedindo para a CAPES bolsa em UC Davis e UCLA, onde eu certamente arranjaria uma boa orientação nos tópicos que me interessam dentro da história econômica. UC Davis é um dos centros mais fortes e diversificados da área, contando com Lindert, Greg Clark, Alan Taylor, Olmstead e Chris Meissner. Já a UCLA tem poucos historiadores econômicos no departamento de Economia (Dora Costa e Naomi Lamoreaux), mas temos Summerhill no UCLA Center for Economic History

Ok, eu coloquei Harvard mesmo sem fazer sentido e mesmo sem ter a menor chance. Afinal, um application coerente era necessário. Não achei ninguém que pudesse fazer esse papel além de Claudia Goldin como uma possível orientadora. Enfim, amanhã é o limite e ainda faltam alguns documentos.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Engerman

Acabo de receber e-mail de Stanley Engerman. Mandei meu paper para o historiador econômico de Rochester. Engerman é co-autor de um clássico sobre a escravidão norte-americana junto com Robert Fogel. Ademais, é co-autor também de um paper muito influente na história econômica latino-americana quanto à influência da dotação de fatores no tipo de colonização: a famosa tese Engerman-Sokoloff.

Ele fez comentários positivos e deu sugestões para meu paper. Mas o que mais me chamou atenção foi que ele pretende checar o que o Caio Prado escreveu. Em meu paper, menciono que a tese Engerman-Sokoloff é parecida com a idéia do Caio Prado do sentido da colonização. Disse Engerman ter uma tradução em inglês do livro. Interessante.

Depois de feedbacks positivos de Summerhill, Lindert e Engerman, acho que posso dormir feliz hoje.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

O fenômeno Acemoglu

Ele escreve sobre tudo. Recentemente, Daron Acemoglu lançou um livro chamado Introduction to Modern Economic Growth. Cerca de mil páginas abrangendo desde as teorias básicas de crescimento (Ramsey, overlapping generations) chegando até questões de economia política do crescimento e instituições. 

Mais do que isso, ele e seus companheiros Simon Johnson e James Robinson tem memoráveis artigos sobre colonização e crescimento de longo prazo. Controversos mas conhecidos. Poucos nomes conseguem vir antes de Acemoglu nas referências bibliográficas. Em qualquer área de conhecimento da economia, não ter Acemoglu referenciado passou a ser estranho hoje em dia. Obviamente, ele ganhou a medalha John Bates Clark, concedido para economistas até os 40 anos. Não vou relacionar os papers, facilmente encontráveis na maioria das bibliografias de papers recentes na área de crescimento de longo prazo e instituições.

Livro premiado é o seu Economic Origins of Dictatorship and Democracy, que tem como co-autor James Robinson. Andamos discutindo suas teorias institucionais, baseado em um capítulo da autoria dos três (Acemoglu, Johnson a Robinson) que está contido no Handbook of Economic Growth. Nosso grupo de história econômica levantou o fato de que a sua teoria de instituições políticas e econômicas é muito geral. Todos reclamamos da dificuldade de aplicação direta de sua teoria, embora alguns insights sejam muito bons. De qualquer forma, é um avanço interessante na economia. A economia deixou de ser a ciência em que política apenas se refere aos problemas de escolha pública, em que o problema é sempre a intervenção estatal além da garantia de direitos de propriedade e a existência de grupos de interesse. Embora esse último campo seja importante, ao destacar questões distributivas e de poder político, Acemoglu, Johnson e Robinson acabaram fazendo uma contribuição importante. Grupos de interesse devem ser vistos de forma menos normativa às vezes.

Quem for ao site do Acemoglu no MIT, vai poder observar a sua produção frenética de working papers em muitas áreas da economia. Enquanto publica papers altamente teóricos e com modelos altamente sofisticados, ele ao mesmo tempo também será o conferencista principal do World Economic History Congress em Utrecht a ser realizado em agosto. E eu estarei lá.


terça-feira, 12 de maio de 2009

Fazendo as malas pra Suíça

Com uma Bíblia, alguns papers para ler, um livro e um monte de presentes, estou indo para a Suíça. Meu vôo parte às 18h30 de Guarulhos, pára em Zurique. Depois pego outro vôo para Genebra, onde participarei da reunião do Grupo de Assessoria em Assuntos Econômicos do Conselho Mundial de Igrejas. 

Meu texto sobre ética cristã e desenvolvimento já está pronto, com muitas referências à abordagem das capacitações. Felizmente, para escrever este curto texto (menos de 15 páginas), que deve ser publicado pelo CMI, contei com intenso apoio do grupo temático de desenvolvimento humano e religião da Human Development and Capability Association. Sabina Alkire, do QEH de Oxford, economista e reverenda anglicana, fez vários comentários legais. Outras pessoas também fizeram vários comentários, como o Alex Stahlhoefer e o Henrique Renck.

Domingo e segunda visitarei meus amigos suíços que vivem em Bern. Provavelmente meus melhores amigos estrangeiros. Terça dia 19 devo estar de volta ao Brasil.


domingo, 3 de maio de 2009

Primeira citação

Ontem recebi e-mail do historiador econômico Peter Lindert (UC Davis), ex-presidente da Economic History Association. Recentemente, tinha lhe enviado meu texto sobre educação no Brasil, que foi muito bem recebido por ele. Recebi ótimas sugestões em um e-mail anterior com comentários e correções. 

No e-mail de ontem, havia um anexo com novo texto dele sobre financiamento da educação ainda em fase preliminar. A surpresa foi ver que meu texto está citado na bibliografia!

Agora é torcer pra esse texto dele dar certo, hehe.