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domingo, 30 de outubro de 2011

Publicações recentes

Todas as minhas três publicações em periódicos avaliados por pares resolveram ser lançadas nesse mês. Quem quiser comentar, criticar ou se interessa pelos assuntos, aí vai:



Agora eu espero mais uns anos até as próximas publicações...


sábado, 29 de outubro de 2011

III CLADHE

Recebi ontem o seguinte email:
Estimados todos, Adjuntamos la convocatoria al Tercer Congreso Latinoamericano de Historia Económica (CLADHE III)y las XXIII Jornadas de Historia Económica de la AAHE a realizarse en la Universidad Nacional del ComahueSan Carlos de Bariloche (República Argentina) del 23 al 27 de octubre de 2012. Saludos cordiales,

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Aumento do IPI para automóveis importados - parte 1

O decreto presidencial 7567 de 15/09/2011 aumentou na prática o IPI para automóveis importados. Semana passada, o STF julgou como inconstitucional a aplicação imediata do decreto, que só pode vir a ser aplicado 90 dias depois. De qualquer modo, o decreto colocou o debate da proteção em pauta novamente. Os blogs na internet comentaram a respeito - pretendo comentar a respeito tentando me abster ao máximo de fazer posicionamentos categóricos sobre o tema. A ideia é dar mais suporte teórico e histórico ao debate.

Os maiores atingidos pelas medidas são os carros asiáticos, que vinham ganhando mercado recentemente no Brasil. Outros carros vindos do México ou do Mercosul não são onerados com a tarifa, uma vez que já tinham acordos prévios estabelecidos com o Brasil. Japão e Coreia já enviaram questionamentos à OMC, uma vez que o Brasil é signatário dos acordos que preveem a não-discriminação. Europa, EUA e Austrália também reforçaram a questão. 

Afinal, a tarifa aumentou em cerca de 30 pontos percentuais. Mas isso não significa que tudo seja repassado ao consumidor, uma vez que no caso de mercados com demandas relativamente elásticas (ou seja, bastante concorrenciais), podemos até ter pouco repasse para o consumidor. A Kia, por exemplo, tinha aumentado em média sua tabela de preços em cerca de 8% apenas. Se o Brasil tiver grande poder de mercado enquanto demandante, a tarifa não prejudica tanto assim os consumidores. De qualquer maneira, há uma evidente perda para os consumidores, principalmente para os ramos mais elásticos da demanda, em que costumam estar as pessoas mais pobres. Essas terão problemas para comprar carros, uma vez que as demais montadoras poderão elevar seus preços ou mantê-los onde estão - ao invés de baixá-los devido à concorrência cada vez maior.

Mas até que ponto os ganhos da proteção não superam os malefícios? Segundo a economia do bem-estar (em que pesem todos os questionamentos acerca de sua validade, uma vez que uma série de pressupostos éticos precisa ser analisada), não há ganhos imediatos evidementente - apenas perda para os consumidores no curto prazo. O produtor nacional e o governo ganham parte do excedente do consumidor, mas não há ganhos líquidos para o país pequeno que não influencia o preço internacional - se estivermos supondo concorrência perfeita. Embora a análise tenha sérias limitações, sabemos que alguém paga o preço da proteção - e este pode ser alto, principalmente para nós consumidores.

A proteção só faz sentido se pensarmos em uma espécie de teoria de "proteção à indústria nascente". A ideia não é nova. Hamilton nos EUA a advogou no século XIX, List seguiu com a defesa em 1841 para a região que hoje é a Alemanha, Stuart Mill também a mencionou nos seus escritos. A CEPAL falou também disso no século XX e mesmo o mainstream não nega a possibilidade. Dani Rodrik e Joe Stiglitz mencionam sua utilidade. O'Rourke e Williamson inclusive já computaram ganhos da aplicação de tarifas em certas situações, embora Irwin costume refutar tais ideias em seus trabalhos. Mas talvez essa ideia mereça aprofundamento apenas no próximo post.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Notas sobre Vargas, Goulart e educação

Acabo de sair de uma palestra de Juremir Machado da Silva sobre a Campanha da Legalidade. A palestra era dirigida aos alunos da RI da ESPM, que gostaram bastante da apresentação - pelo menos foi a impressão que tive. Além de detalhar o contexto histórico, ele contou inúmeras anedotas dos episódios do período. Em suma, foi uma excelente palestra. Alguns pontos para reflexão:

  • Em termos gerais, concordei com o palestrante quanto ao governo Vargas, embora Juremir tenha uma opinião muito mais favorável a Vargas. Juremir destacou a questão educacional no governo Vargas, que criou o Ministério da Educação em 1930. De fato, é verdade isso, assim como é verdade que as décadas de 30 e 40 significaram mudanças na educação com as Reformas Campos e, posteriormente, com as Leis Orgânicas de Capanema. Todavia, em termos comparativos internacionais e mesmo latino-americanos, a melhoria educacional foi pífia. A ênfase no ensino técnico e o descaso com o ensino primário mostra que se tratava de uma política top-down bastante míope. Embora Capanema defendesse no discurso o ensino primário e este ser atribuição dos estados, sabe-se que a prioridade do ministro da Educação entre 1934-45 era a educação das elites (Ver o livro "Tempos de Capanema" de Schwartzman e associados; ou quem sabe, a minha dissertação de mestrado).
  • Juremir mencionou diversos casos anedóticos: alguns novos para mim, outros nem tanto. Eu já sabia que Jânio usava vassouras em sua campanha e que utilizava talco para simular que tinha caspa. Mas não sabia da conversa que Jânio tivera com Carlos Lacerda antes de sua renúncia, nem que Lacerda era conhecedor de vinhos.
  • Juremir respondeu-me por que motivo Goulart tinha contato com os sindicatos. Eu não sabia se o contato era anterior a seu cargo de Ministro do Trabalho no Segundo Governo Vargas - aparentemente, Vargas o preparou como líder e habilmente Goulart ganhou espaço junto aos trabalhadores com esse cargo. 
  • O palestrante concordou comigo que as reformas propostas por Goulart eram apenas reformas e talvez mais semelhantes à social democracia europeia do que a qualquer tipo de comunismo. Ainda ouço esse tipo de comentário: que se Goulart continuasse, teríamos nos tornado comunistas. Evidentemente, o contrafactual é complicado, uma vez que a pessoa sozinha não decide o rumo do país - tanto é que o resultado foi o golpe. No entanto, não era intenção de Jango a instauração de um comunismo, apesar da polarização que caracterizou o período da Guerra Fria. Em países latino-americanos, onde a Cortina de Ferro não era uma ameaça presente como era na Europa Ocidental, a construção de uma social-democracia não era necessária. Logo, qualquer reformismo poderia ser vinculado com comunismo. Mas certamente, essa minha opinião tem as influências do Pedro Fonseca e do Renato Colistete, meus ex-orientadores. Os dois até agora têm me convencido cada vez mais disso.


sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Escola de verão na FEA/USP


Anunciado o nova Escola de Verão em Economia do Desenvolvimento na FEA/USP. Fiquei empolgadíssimo com os cursos e tive vontade de participar. Entretanto, o foco é para alunos de pós-graduação (algo que eu tenho que voltar a ser algum dia), embora quem tenha feito mestrado nos últimos cinco anos possa também participar - vamos ver se eu arranjo tempo pra isso. Os cursos abrangem áreas muito diversas da economia como microdesenvolvimento, jogos evolucionários, equilíbrio geral computável e história econômica! É realmente bastante completo e diversificado. Confiram as ementas e a bibliografia. Está tudo lá!

Obrigado pelo email do Renato Colistete divulgando essa louvável iniciativa.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Justiça de gênero?

Para os que se interessam sobre questões de filosofia política contemporânea, fiz uma confusa e incompleta sistematização sobre justiça de gênero na família. Os comentários dos filósofos políticos de verdade do blog Desenvolvimento e Justiça prometem.