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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Escuela de Verano

Aí está o programa da Escola de Verão em História Econômica que vai ocorrer em Montevideo em breve. Apenas para citar alguns presentes, Stephen Broadberry, Jeff Williamson, Jan L. Van Zanden, Jörg Baten e, é claro, Luis Bértola. Gente conhecida na área. Nossos amigos Thales e Michel estarão por lá apresentando seus projetos ou papers! Boa sorte e bom proveito para eles.

domingo, 21 de novembro de 2010

Mudez

A longa mudez deste blog deve-se parcialmente ao fato de que:
(a) três pessoas se hospedaram na casa deste que vos escreve nesse período;
(b) corrigi cerca de 150 provas neste período
(c) estou pensando em três papers ao mesmo tempo: dois deles pensando no evento da Guiness Storehouse, digo, da Associação Europeia de História Econômica em Dublin no ano que vem.
(d) recebi de uma revista B2 as avaliações de três pareceristas. Todos acharam o paper interessante, mas pedem modificações. O famoso "revisar e resubmeter".
(e) final de semestre é sempre desesperador: tanto para professor quanto para aluno.

Ao corrigir provas e rever as listas de exercícios que passei para os alunos, percebi como realmente perdemos a noção da realidade. Lembro-me de que várias vezes observei como professores que vinham de doutorados lá fora acabavam exigindo demais dos alunos sem perceber. Percebi que passei uma lista um pouco pesada pros meus alunos e que a prova não foi tão simples assim. Não foi tão ruim assim, a média ficou entre 6 e 7 em todas as turmas.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Off-topic: na fila do show do Paul

[Post sem relação com os assuntos normalmente tratados neste blog].

Ontem ocorreu o show do ex-beatle Paul McCartney em Porto Alegre. Devido a uma reportagem da RBS (responsável pela transmissão da Rede Globo no RS e em SC), fui alçado à condição de famoso por um dia. Minha atuação musical na fila do show foi transmitida no horário nobre do noticiário "Fantástico", logo após os gols do Brasileirão [ver particularmente 1:00 - 1:10] . Uma reportagem mais extensa também foi transmitida no "Teledomingo", o noticiário local de domingo [ver particularmente 2:03 - 2:40].

Recebi uma enxurrada de emails, scraps e mensagens no mural do Facebook.

Obrigado, Paul. Pelo show, é claro.

sábado, 6 de novembro de 2010

Anos de escolaridade

Segundo o últimos dados divulgados pelo PNUD, o brasileiro adulto tem em média 7,17 anos de escolaridade, enquanto que o cidadão adulto do Zimbábue, país em último lugar no ranking do IDH e que ainda sofre com a ditadura de Robert Mugabe, tem em média 7,24 anos de escolaridade.

Agradeço ao Prof. Sabino por ter postado isso em seu Facebook.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Semper reformanda

No dia 31 de outubro de 1517, dizem que um monge agostiniano e professor de teologia chamado Martin Luther afixou um documento hoje conhecido como "As 95 Teses" na porta da Igreja do Castelo de Wittemberg (Schlosskirche), uma pequena cidade próxima a Berlin (cerca de 40 minutos de trem).

A chamada Reforma Protestante desencadeou profundas mudanças na sociedade europeia. Em primeiro lugar, o monopólio da Igreja Católica Romana na Europa Ocidental terminou. Mantiveram-se os monopólios regionais - certas regiões como o norte da Alemanha e os países escandinavos aderiram ao luteranismo, enquanto que diversos cantões suíços posteriormente adotaram a teologia reformada de Calvino e Zwinglio. Desenvolvimentos posteriores (e após muitos conflitos lamentavelmente violentos) geraram outras denominações protestantes. Nesse caldo efervescente, alguns exemplos de liberdade religiosa surgiram na Holanda - em que juntos conviveram por algum tempo os predominantes calvinistas, católicos, judeus e luteranos. Os ingleses, com a Igreja Anglicana e diversos conflitos, também tiveram que aprender a tolerar o diferente. E sem toda essa diversificação, é impensável o que teria sido da história não apenas eclesiástica, mas também secular, da Europa Ocidental e de todo o mundo.

Minha família coreana, pelo lado de meu pai, origina-se do calvinismo presbiteriano, mas morando no Rio Grande do Sul, meu pai optou pelo luteranismo. Por outro lado, minha mãe frequenta uma igreja pentecostal. E para complicar a situação, Porto Alegre é uma cidade extremamente secularizada - em que deve se contar o positivismo como ideologia dominante até o início do século XX e a pluralidade étnica e religiosa. No entanto, a minha participação em diversos eventos do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) tem sido frutífera em descobrir o que há de positivo na minha própria confissão. Tenho me tornado cada vez mais luterano e não apenas por uma questão de identidade. Ainda assim, tenho aprendido muito principalmente com ortodoxos e reformados. E não posso deixar de citar algumas leituras anglicanas. E estou cada vez mais cristão e luterano.

Ontem mesmo um pentecostal que conheço do CMI também disse que comemora a Reforma. E não porque significa uma ruptura com o catolicismo, do qual também aprendi através de alguns amigos católicos. A ruptura foi uma necessidade diante da situação, uma vez que não havia outra solução para o impasse. Lutero nunca quis a separação, mas queria que Cristo voltasse a ser o centro da fé. Houve muita briga, mas felizmente, hoje temos uma relação de colaboração com os católicos. Também erraram luteranos quando perseguiram anabatistas, mas também felizmente a Federação Luterana Mundial pediu perdão aos menonitas (que se originam dos anabatistas) há poucos meses.

A mensagem da Reforma para hoje já era dita naquele tempo: Ecclesia semper reformanda, ou seja, Igreja sempre em reforma. Sempre temos que cuidar para que Deus continue nos indicando os caminhos para que a Igreja seja cada vez mais solidária e continue falando do amor incondicional de Deus, da graça que não exige perfeição ou cobrança, de compromisso com a causa de Cristo, que pode ser identificado(a) naquele(a) que sofre por algum motivo.

Em 2017, a Reforma vai fazer 500 anos. Um jardim está sendo plantado na Alemanha em homenagem a esse evento.