Páginas

sábado, 30 de outubro de 2010

E o Nobel de 2010?

Algumas palavras bastante atrasadas sobre o trio que ganhou o Prêmio em Economia em memória a Alfred Nobel no ano de 2010.

Diamond, Mortensen e Pissarides ganharam o prêmio por suas pesquisas em "job searching" no mercado de trabalho. Sob informação perfeita e completa e sem intervenções, a oferta de trabalho (a única coisa que nós trabalhadores ofertamos, já que não temos empresas) e a demanda de trabalho (empresas demandam mão-de-obra), haveria equilíbrio de oferta e demanda. Mas os custos informacionais impõem problemas que geram esse desequilíbrio: a existência simultânea de muitos postos de trabalho abertos e desemprego é algo que a teoria clássica não conseguia explicar.

Um dos resultados das pesquisas desses sujeitos é de que "an unregulated search market does not give rise to an efficient outcome", como diz a informação "popular" dada pelo site oficial do prêmio. Aliás, esse documento dá dicas de leituras para iniciantes no tema. Novamente, falhas informacionais impedem que resultados eficientes sejam alcançados, como já foi chamado atenção por pesquisadores como Joe Stiglitz, George Akerlof, George Stigler, etc (que já ganharam Nobel também). Portanto, intervenções do governo nesses mercados podem ser justificadas - é claro, há intervenções e intervenções, mas estamos dizendo que é possível uma intervenção que gere um resultado mais eficiente, como ocorrem em casos de externalidades e bens públicos.

Nem sempre a rejeição empírica de teorias clássicas leva necessariamente à aceitação de uma teoria pós-keynesiana de desemprego, como alguns são levados a crer durante a graduação (nem vice-versa). Antes de decidir por uma teoria, é importante observar as outras existentes. Na minha vida as respostas econômicas têm sido mais em tons de cinza do que preto ou branco.

O site do Prêmio também oferece um documento chamado "Scientific Background" que resume as teorias, além de formalizá-las. Um aparato mais teórico que o visitante neófito do blog talvez evite. Conheço pouco o assunto, embora tenha estudado modelos de "searching" no mestrado. Talvez seja uma boa hora para me atualizar.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Clipping atrasado

Estou recomendando os seguintes posts (atrasados) de alguns blogs econômicos amigos.
Notícias eclesiásticas:
  • Eleição do P. Dr. Nestor Friedrich para o cargo de Pastor Presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil. Ver a palavra do P. Nestor em ocasião de sua eleição. Também eleita a primeira mulher vice-presidente
  • Discussão sobre quota de participação de jovens no Concílio será levada aos Sínodos. Um primeiro passo para que os jovens tenham mais voz nas instâncias decisórias da IECLB.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Artigo resumido sobre educação em SP

Um resumo do artigo do Renato Colistete e do Irineu de Carvalho Filho está circulando pelo Boletim de Informações da FIPE deste mês. Quem quiser olhar esse texto, bem menor que o working paper original, clique aqui. O tema é a educação no estado de São Paulo e o papel de inúmeros fatores como imigração, desigualdade, etc.

Pra quem quiser ler o artigo inteiro (que já divulguei aqui), é só clicar aqui.


segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Posicionamento da IECLB no atual debate eleitoral

O atual debate presidencial tem sido bastante controverso e centrado na questão do aborto. Questão importante, mas que desviou totalmente o debate lamentavelmente. O projeto de governo não está em pauta, mas apenas um assunto pontual.

A carta da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil sobre o tema é interessante. Caso alguém tenha curiosidade para saber qual é o posicionamento luterano a respeito desse debate, clique aqui.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Viagem à Albânia

Minhas desculpas aos leitores desse blog. Estive na última semana em uma reunião da Comissão das Igrejas em Assuntos Internacionais do Conselho Mundial de Igrejas. O encontro foi realizado em Durrës, Albânia. Mais precisamente, no Monastério de St. Vlash da Igreja Ortodoxa da Albânia.

Conhecer um país pobre na Europa foi uma experiência interessante. A Albânia foi mais um dos países comunistas que apenas se abriu em 1991. Até então, as religiões e a igreja tinham sido perseguidas implacavelmente. Enquanto passeava pelas ruas de Durrës, eu conversava com um sacerdote romeno e comentei que estava vendo um número muito grande de carros de luxo. O romeno explicou que, nesses países que saíram do comunismo, a repressão por anos de dechamento seriam a causa desses arroubos consumistas.

De qualquer forma, percebemos que lá ainda há muito para ser feito em termos de desenvolvimento econômico. Quem sabe um dia...