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Mostrando postagens com o rótulo desigualdade

Lara-Resende sobre desigualdade e bem-estar

*** ATUALIZAÇÃO O site do Ministério do Planejamento disponibilizou o artigo do Lara-Resende que não conseguimos ler no site do Valor (como está escrito abaixo). Clique aqui e leia! *** A coluna de André Lara-Resende , um dos pais do Plano Real, no caderno "Eu&Fim de semana" do Valor Econômico é sobre desigualdade e bem-estar. Um interessante artigo que debate não apenas os efeitos diretos da desigualdade sobre o bem-estar, como também questões de valor que estão sempre envolvidas nesse debate. Infelizmente, o site do Valor não permite que leiamos o artigo inteiro (eu recebi por email de um colega). Se você não tem login do Valor ou não tem o jornal em casa, vá à biblioteca da sua faculdade de Economia e leia a coluna.

Texto sobre globalização e desigualdade

Estava hoje lendo um artigo de Peter Lindert e Jeffrey Williamson sobre globalização e desigualdade em perspectiva histórica . Um excelente survey da literatura sobre o tema. Importante para mim, que estou tentando escrever um texto relacionando ética cristã e globalização (para horror de alguns amigos meus, mas vamos ver o que sai disso) que me foi pedido. Ele faz parte desse livro organizado por Bordo, Alan Taylor e Jeff Williamson . Recomendo fortemente a leitura. Ainda recomendo a irem atrás da referência existente do texto de Hadass e Williamson (2001), que é uma avalição da tese Prebisch-Singer de deterioração dos termos de intercâmbio. Em vez de acreditar ou não na tese, vamos olhar para os trabalhos empíricos.

Economia e desigualdade na Science

Eu não sabia que a revista Science publicava sobre economia, mas Daron Acemoglu e James Robinson conseguiram. E mais do que isso, ainda falaram bastante sobre a passagem do nomadismo para o sedentarismo no Neolítico, defendendo a idéia de que o sedentarismo precedeu a agricultura. Não sei muito dessa área, mas vale a pena dar uma lida no pequeno artigo da Science, de uma página, de outubro de 2009 .

Desigualdade ou pobreza crônica?

Encontrei o Prof. Sabino recentemente em minhas andanças pela Faculdade de Ciências Econômicas da UFRGS, onde fiz minha graduação. Leitor assíduo de diversos blogs, Sabino comentou sobre a minha pergunta do post anterior: por que afinal somos desiguais? Há alguns que defendem que apenas a pobreza crônica deva ser combatida. Podemos argumentar moralmente com relativa facilidade em favor disso. Entretanto, defender algum tipo de igualdade já é mais complicado. Em primeiro lugar, precisamos saber de que tipo de igualdade estamos falando: a clássica pergunta do primeiro capítulo de Desigualdade Reexaminada: equality of what? Igualdade de renda é complicado em diversos aspectos. Além de desconsiderar diferenças de necessidade (pessoas muito doentes, por exemplo, precisam de mais renda), também desconsidera diferenças de capacidade (o que para os mais meritocráticos, é terrível). Ademais, há o problema da eliminação dos incentivos, quando utilizamos o pressuposto de que pessoas geralmente o...

E a desigualdade latino-americana?

O convite para o concerto de piano na Sala São Paulo foi o coroamento de uma semana de palestras com Jeff Williamson , professor emérito de Harvard . Por conta da impossibilidade de Renato Colistete e sua cônjuge de irem ao evento de música clássica, o prêmio, que incluía um fino jantar, parou nas minhas mãos e nas da Molly, doutoranda da UCLA fazendo seu trabalho de campo por aqui. O concerto foi merecido para Jeff, que fez uma excelente apresentação de seu paper no seminário de sexta-feira. O polêmico ensaio sobre a desigualdade latino-americana desde a época da colonização levou a muitos questionamentos por parte dos professores e alunos. Para Williamson, mais do que devido às instituições originadas do período colonial, a desigualdade é fruto do século 19 e 20. Jeff fez uma crítica à abordagem de Engerman e Sokoloff, o que obrigou-me a levantar a mão e protestar, assim como já tinha feito o Prof. Mauro . De qualquer forma, as palestras do Jeff foram muito instigantes, incluindo es...

Impressões sobre as palestras com Jeff Williamson

Jeff Williamson e sua mulher Nancy assitiram um samba conosco em um bar na Vila Madalena. Além do casal ser bem-humorado, pagaram todas as despesas (incluindo táxi e bebidas). Das cervejas que experimentamos, ele gostou bastante da Bohemia. Mas indo para o assunto principal, o curso do professor emérito de Harvard está sendo muito interessante. Na terça-feira, Jeff discutiu globalização e desigualdade, tentando mostrar que grande parte da queda da desigualdade na Inglaterra a partir de meados do século XVIII não teria se devido apenas ao aumento da produtividade causado pela Revolução Industrial. Um fator importante também teria sido a abertura comercial, aumentado a taxa salários-renda da terra: uma conclusão de modelos como Stolper-Samuelson. Aqui na periferia, teria ocorrido o oposto. Na quarta, discutimos muitas questões. Saí confuso em relação aos efeitos de protecionismo, tarifas e livre comércio. Há muito para ser estudado ainda em relação ao tema. Resta saber o que Jeff William...

Escandinávia, uma pedra no sapato

Os nórdicos são sempre uma pedra no sapato dos economistas. Não sei o que causa o sucesso deles, mas não deixa de ser engraçado os propósitos de um centro de estudos em igualdade, organização social e desempenho econômico da Universidade de Oslo. Muitos pesquisadores conhecidos como Acemoglu, Robinson, Bowles e Loewenstein são associados a esse centro. Segundo o site deles: The Nordic countries seem to violate what the economics profession views as necessary requirements for an economy to prosper. They have too small wage differences, too high taxes, too large public sectors, too generous welfare states, and too strong unions. Despite of these violations, they have for decades been doing extremely well. What most economists see as a recipe for serious economic trouble seems, in the Nordic countries, to be consistent with high growth, low unemployment, low inequality, and a fairly efficient allocation of resources. How come? Has economics got it wrong? Or, is it rather a question a...

Sobre os males da desigualdade - parte 2

Em sua resposta ao meu último post nos comentários, Joel do Terra à Vista defende que o poder político, seja lá de quem for, seja diminuído, porquanto poder político seria a influência de grupos de pressão sobre o Estado em relação à alocação de recursos. Tais interferências estatais distorceriam o funcionamento natural do mercado, levando a uma situação injusta no sentido procedimental. Richard do "Depósito de" , claro adepto de concepções deontológicas, advoga o mesmo e vai além: "é altamente recomendado que países com grande desigualdade social não busquem diminuir tal desigualdade através de programas estatais". Do mundo ideal sem Estado advogado pelos neo-austríacos, a passagem para o mundo real é normalmente problemática. É difícil conceber uma situação de extrema desigualdade de recursos econômicos sem que a parcela privilegiada da sociedade utilize desses recursos para criar instituições que lhe favoreça. Uma vez que o poder político momentâneo dessa par...

Sobre os males da desigualdade - parte 1

Joel do Terra à Vista escreveu há algumas semanas acerca das benesses da desigualdade social , contrariando a moda reinante. Em resposta, seguirei um pouco mais a tendência popular a ver com maus olhos a desigualdade. É evidente que Joel tem razão quando afirma que um certo grau de desigualdade é necessário para sabermos que setores estão sendo mais remunerados, orientando a oferta para os setores em que a demanda mostra-se relativamente excessiva. É o próprio mercado que cria essas desigualdades. Nenhum economista negaria que essa desigualdade em níveis razoáveis é positiva. Aliás, são poucos os teóricos igualitários que desconsideram esse ponto. O Princípio da Diferença advogado pelo liberal-igualitário John Rawls em sua influente obra "Uma Teoria de Justiça" permite que haja desigualdade quando ela favorece a parte da sociedade menos avantajada em relação a uma situação de igualdade estrita. Assim, Rawls não defende a igualdade estrita, uma vez que ela acabaria com os inc...

Considerações sobre educação pública

A comunidade universitária costuma debater em termos de "público vs. privado" quando se fala de educação superior. Muitos economistas costumam dizer que os países prósperos investiram em educação primária primordialmente, tendo ocorrido o contrário no Brasil. Assim, economistas são considerados como aqueles que querem acabar com a universidade pública. Não obstante alguns economistas realmente queiram acabar com universidades públicas, não é exatamente esse o ponto do argumento quando analisamos empiricamente. O problema não é a universidade ser pública e o Estado gastar recursos em sua manutenção. Quando se soma isso à falta de gastos no primário é que é preocupante. Muitos países prósperos também investiram em universidades públicas, mas não existe país próspero que não tenha investido maciçamente em educação básica. Lindert (2003, p. 325-6) propõe algumas medidas para detectarmos quando as políticas educacionais estão claramente favorecendo a elite: (1) taxa de suporte ao ...

Os estranhos marxistas analíticos

Na disciplina de Teorias de Justiça, que curso no Departamento de Ciência Política, preciso entregar um trabalho sobre um dos tópicos trabalhados em sala durante o semestre. Disse ao professor que puxaria para a Economia, tendo como resposta a indicação de um livro chamado "Theories of Distributive Justice" de um economista. John Roemer (1996) formalizou elegantemente nesse livro as principais teorias de justiça. Mais do que isso, ele era conhecido por ser um "marxista analítico", os caras que juntam Marx e filosofia analítica (como me corrigiu o Drumond - vide comentários). Só vim a entender um pouco de como Roemer pensa ao ler essa passagem da introdução: I do not deal with the theory of exploitation because [...] after studying it for some time, I came to believe that it is not in itself a fundamental theory of (in)justice. I do not mean that workers are justly treated under capitalism, but rather that the view that what's unjust about their treatment is expl...

Mais um seminário em história econômica

Eustáquio Reis, do IPEA, foi o convidado desta quarta para o seminário do g rupo de estudos em história econômica aqui da FEA-USP. Eustáquio tem pesquisado algumas novas fontes de dados que ele tem acesso no IPEA. Alguns dos dados, como ele mesmo admitiu, não são muito confiáveis. Um de seus papers tentou estimar a distribuição de renda no Brasil em certos anos do século XIX. Tal estudo faz parte de um projeto maior de estimação da desigualdade no mundo conduzido pelo Prof. Bértola do Uruguai. No entanto, os resultados apresentaram índices de Gini muito baixos: similares aos atuais índices escandinavos, que são os países mais igualitários. O resultado gerou grande suspeita por parte dos presentes. Mas o autor concordou plenamente que a precariedade dos dados era significativa. O outro de seus papers mostrou um resultado mais interessante mas igualmente surpreendente. Interessante pois se tratam de dados mais confiáveis dos votantes no Brasil circa 1870. O surpreendente foi a evident...

Clipping e comentário: desigualdade

Um texto interessante do meu amigo Ricardo Martini sobre desigualdade e pobreza na visão de Feldstein e Milankovic. Já dou meu pitaco, embora não tenha lido os textos, o que pode ser um pouco irresponsável: acho que o Milankovic tem razão até por questões pragmáticas. Feldstein argumenta contra a idéia de igualdade econômica, pois sua demanda adviria da inveja, mesmo quando a desigualdade aumentada fosse resultado de uma melhoria de Pareto. No entanto, mesmo que eu ache a inveja algo moralmente condenável, a igualdade de recursos ou de bem-estar (outro belo debate, ver Dworkin se conseguir entender o texto dele sobre o assunto), precisa ser buscada para garantir certa estabilidade social. O segundo argumento que apresento é muito melhor: desigualdade de recursos gera desigualdade de poder político, criando instituições que beneficiam apenas a elite: ou seja, incentivando a persistência da desigualdade e pouco desenvolvimento, no sentido amplo. Acemoglu, Johnson e Robinson tem um belo ...

Direitos de propriedade - não apenas para alguns

Direitos de propriedade são importantes, mas não do modo como muita gente prega. Acemoglu, Johnson e Robinson (2004, p. 9) explicam bem o que são "boas instituições": For example, a set of economic institutions that protects the property rights of a small elite might not be inimical to economic growth when all major investment opportunities are in the hands of this elite, but could be very harmful when investments and participation by other groups are important for economic growth (see Acemoglu, 2003b). To avoid such a tautology and to simplify and focus the discussion, throughout we think of good economic institutions as those that provide security of property rights and relatively equal access to economic resources to a broad cross-section of society. Although this definition is far from requiring equality of opportunity in society, it implies that societies where only a very small fraction of the population have well-enforced property rights do not have good economic insti...