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Mostrando postagens com o rótulo desenvolvimento

Novo Doutorado em Desenvolvimento

Esse blog está de férias ainda - o blogueiro está com um número excessivo de horas-aula na Escola Superior de Propaganda e Marketing-Sul e na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Não é muito simples dar 22 horas-aula por semana e ainda orientar um TCC. Principalmente se você leciona Microeconomia, Macroeconomia, Economia Internacional e Introdução à Economia... Mas a boa notícia é que a FEA/USP reformulou seu doutorado em Economia do Desenvolvimento. E ficou muito bom. Confiram aqui: http://www.usp.br/feaecon/ posgraduacao.php?i=226 As inscrições vão de 2 de maio a 10 de junho. Mais informações e o edital estão aqui: http://www.usp.br/feaecon/ posgraduacao.php?i=224

Ética, cooperação e equilíbrios

O papel da ética no desenvolvimento tem sido discutido há muito tempo na história do pensamento econômico, ainda que os advogados do egoísmo ético como Stigler e Friedman continuem a seguir à risca os passos de Mandeville, afirmando que “vícios privados” geram “benefícios públicos”, como bem mostrou Giannetti (Vícios Privados, Benefícios Públicos: a ética na riqueza das nações. São Paulo: Companhia das Letras, 2007). Na economia contemporânea, os benefícios da cooperação passaram a fazer parte da agenda de pesquisa através de trabalhos como os de Olson (1957) sobre ação coletiva, Arrow (1959), entre outros. O recente Nobel dado a Oliver Williamson e Elinor Ostrom também está relacionado a essa agenda. Temas como capital social, em que se destacam Putnam (1993) e Coleman (1988), tem tudo a ver com o papel da ética na economia – em que pese diretamente a contribuição de Sen (Ética e Economia. São Paulo: Companhia das Letras, 1999). O teólogo Valério Schaper das Faculdades EST me cham...

20 Years of Human Development

Recebi do meu ex-professor Flávio Comim (da UFRGS, economista do PNUD-Brasil e do Capability and Susteinability Centre da Universidade de Cambridge ) um convite para acompanhar as discussões em um grupo do Facebook sobre "20 Years of Human Development". Aqueles que têm Facebook e se interessam pela discussão econômica-filosófica acerca do bem-estar, dêem uma olhada. Alguns dos debates referem-se à comparação entre IDH e medidas de felicidade ou aos resultados atingidos ao longo dos 20 anos em que o IDH tem sido calculado. Está interessante.

Paper no prelo

Meu paper "Justiça e Desenvolvimento no Pensamento de Amartya Sen" foi aceito para publicação na Revista de Economia Política - REP. Ou como dizem alguns, na Brazilian JPE. Brincadeiras à parte, é uma das revistas mais importantes de Economia no país (gostem ou não, hehe). Resta saber em que edição ele será publicado. De quebra, virei parecerista da mesma revista imediatamente. Anunciam que vão publicar meu paper e já me mandam trabalho. Assim que é bom, hehe. PS: Eu gosto da REP, mas também gosto de piadas. =)

Fazendo as malas pra Suíça

Com uma Bíblia, alguns papers para ler, um livro e um monte de presentes, estou indo para a Suíça. Meu vôo parte às 18h30 de Guarulhos, pára em Zurique. Depois pego outro vôo para Genebra, onde participarei da reunião do Grupo de Assessoria em Assuntos Econômicos do Conselho Mundial de Igrejas.  Meu texto sobre ética cristã e desenvolvimento já está pronto, com muitas referências à abordagem das capacitações. Felizmente, para escrever este curto texto (menos de 15 páginas), que deve ser publicado pelo CMI, contei com intenso apoio do grupo temático de desenvolvimento humano e religião da  Human Development and Capability Associatio n. Sabina Alkire, do QEH de Oxford , economista e reverenda anglicana, fez vários comentários legais. Outras pessoas também fizeram vários comentários, como o Alex Stahlhoefer e o Henrique Renck. Domingo e segunda visitarei meus amigos suíços que vivem em Bern. Provavelmente meus melhores amigos estrangeiros. Terça dia 19 devo estar de volta ao Brasil.

Qual o conceito de desenvolvimento? - parte 2

Amartya Sen aponta para uma resposta para a pergunta destacada no título em um artigo de 1988, primeiro capítulo do Handbook of Development Economics, chamado "The Concept of Development". Uma característica que ele deixa clara é que o conceito de desenvolvimento sempre teve forte conteúdo valorativo. Talvez indo além do que ele escreve, eu pergunto: por que variáveis como PIB foram consideradas importantes? Certamente porque se pressupunha a direta e inequívoca relação entre bem-estar e PIB. No entanto, sabemos que não é bem assim. É fundamental portanto que se analise outros fatores que afetem o bem-estar, tais como saúde e educação. Seria muito simples fazer isso, não fossem os evidentes problemas filosóficos que estão por trás disso. A Economia, que sempre se baseou na filosofia utilitarista e, portanto, em uma concepção subjetivista, não poderia aceitar comparações interpessoais de utilidade. Explicando em palavras mais simples: de acordo com os pressupostos éticos da Ec...

Qual o conceito de desenvolvimento? - parte 1

Economistas não costumavam usar muito o conceito de "desenvolvimento econômico" antes do século 20. Alguns falaram de "desenvolvimento das forças produtivas" e o objeto de estudo da Economia nos clássicos era algo parecido com o que veio a ser o conceito mais difundido. Smith estudava a riqueza das nações, assim como Stuart Mill definiu a riqueza como o objeto de estudo da Economia Política Clássica. Não muito diferente do que viria a ser considerado desenvolvimento por um bom tempo. No entanto, talvez um marco do uso do conceito "desenvolvimento econômico" seja a obra de Schumpeter em 1911 (ele usa o termo Wirtschaftlichen Entwicklung ). Mas a sua conceituação é algo bem original e que não teve muita continuidade, à exceção dos chamados neo-schumpterianos, que são poucos. Para Schumpeter, desenvolvimento diferiria de crescimento porque o primeiro exigiria o rompimento do fluxo circular via inovações. Uma diferença teórica, que levou Furtado a dizer que S...

Educação nos EUA

Meu orientador Renato Colistete chamou atenção para a seguinte coluna do New York Times . Vale a pena ler. Segundo o autor da coluna, os professores Claudia Goldin e Lawrence Katz de Harvard colocam a educação como o principal fator a explicar a diferença que existia entre os EUA e o resto do mundo. Isso até a educação entrar em estagnação por lá.

Escandinávia, uma pedra no sapato

Os nórdicos são sempre uma pedra no sapato dos economistas. Não sei o que causa o sucesso deles, mas não deixa de ser engraçado os propósitos de um centro de estudos em igualdade, organização social e desempenho econômico da Universidade de Oslo. Muitos pesquisadores conhecidos como Acemoglu, Robinson, Bowles e Loewenstein são associados a esse centro. Segundo o site deles: The Nordic countries seem to violate what the economics profession views as necessary requirements for an economy to prosper. They have too small wage differences, too high taxes, too large public sectors, too generous welfare states, and too strong unions. Despite of these violations, they have for decades been doing extremely well. What most economists see as a recipe for serious economic trouble seems, in the Nordic countries, to be consistent with high growth, low unemployment, low inequality, and a fairly efficient allocation of resources. How come? Has economics got it wrong? Or, is it rather a question a...

Visões sobre educação e desenvolvimento

A tradicional visão sobre desenvolvimento econômico considera crescimento e desenvolvimento como sinônimos. Muitos também consideram desenvolvimento como crescimento com melhora de outros indicadores. Com relação à educação, a maior parte da literatura costuma apontá-la como algo que conduz ao desenvolvimento. A partir dos trabalhos de Gary Becker, pioneiro na análise do capital humano, a educação passou a ganhar destaque na academia. Saltos econômicos, como os dos paises dos lestes asiáticos, são entendidos como resultado do acúmulo de capital humano, como afirma Gary Becker : The outstanding economic records of Japan , Taiwan , and other Asian economies in recent decades dramatically illustrate the importance of human capital to growth. Lacking natural resources—they import almost all their energy, for example—and facing discrimination against their exports by the West, these so-called Asian tigers grew rapidly by relying on a well-trained, educated, hardworking, and conscien...