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Mostrando postagens com o rótulo protecionismo

Resposta: protecionismo e fim das políticas

A controvérsia de indústrias nascentes remonta a Hamilton e List, que advogaram protecionismo temporário para indústrias que tivessem potencial. Contra eles, levantam-se os argumentos pró-livre comércio, que encontram eco hoje em economistas como, por exemplo, Anne Krueger (ela tem alguns artigos na AEA sobre isso). Um bom caminho é de repente ler um livrinho que eu só li um pedaço, de autoria do Jagdish Bhagwati chamado "Livre-comércio versus protecionismo" ou coisa parecida. Só pra lembrar, Bhagwati é mais favorável ao livre-comércio. Em inglês, está disponível na Livraria Cultura . O ponto é: pelo que tenho lido, o protecionismo no Brasil e na América Latina em geral não teve o caráter temporário e racional advogado por List e seus sucessores. Por ter sido uma proteção pouco criteriosa, mais preocupada com a deterioração do balanço de pagamentos e com a substituição a qualquer custo com tendências autárquicas, entramos no pior dos mundos. Sejam defensores do livre-comércio...

Protecionismo exagerado e ineficiência na América Latina

Críticas à industrialização via substituição de importações ocorrida em vários países da América Latina são inúmeras quando se olha pelo retrovisor. O interessante é observar como em meados dos anos 60, as críticas a certos aspectos do processo já eram bastante comuns. Com a estagnação dos anos 60 e as diversas crises, é ponto comum entre autores como Macario (1964), Hirschman (1968) e Baer (1972) de que a incapacidade de exportação e a ineficiência da indústria manufatureira era um sério problema, sem contar os problemas no balanço de pagamentos que perseguiram o processo durante todo o período, o chamado estrangulamento externo (Tavares, 1972). Segundo Macario (1964) e Baer (1972), o protecionismo foi exagerado na América Latina. É possível se discutir possíveis vantagens do protecionismo, se feitas moderadamente. Alguns dirão que não há vantagem alguma em qualquer tipo de protecionismo, como argumentado já em alguns comentários em posts anteriores. No entanto, mesmo que você seja de...

Sobre livre comércio e história

Cai em erro crasso quem, através de um ou outro exemplo histórico, afirma saber a receita para o desenvolvimento. É muito comum defensores do protecionismo darem o exemplo de um ou outro país hoje desenvolvido que teria protegido sua indústria nascente; por outro lado, há os outros que sempre buscam "provar" que o livre comércio é o caminho da prosperidade. Sob o critério da falsificação atribuído a Popper (sem entrar no mérito da cientificidade ou não do critério), não é possível dizer muita coisa. É evidente que protecionismo pode ser nefasto, há resultados ruins na história. Logo, protecionismo não significa necessariamente crescimento - pelo menos, não qualquer protecionismo, o que é bastante óbvio. No entanto, há muitos exemplos aparentemente a favor do protecionismo, como o inglês, discutido no post anterior. Nesse caso, a questão que fica é: a Inglaterra cresceu apesar do protecionismo ou cresceu devido ao protecionismo? E, é claro, se o protecionismo pode ser ben...

Por que os ingleses bebem cerveja?

Essa é uma das fundamentais perguntas que John Nye , historiador econômico da George Mason University, tentou responder na sexta-feira em sua palestra sobre seu novo livro "War, Wine and Taxes" . O livro trata sobre os conflitos e as políticas comerciais de Inglaterra e França. Desafiando o que sempre se diz, Nye percebeu que a política britânica foi bem mais protecionista do que a francesa, o que explica porque ingleses bebem cerveja e não vinho. A palestra foi muito boa (uma das raras vezes que temos bons seminários), uma vez que Nye tem um bom senso de humor, além de explicar de forma clara e audível. E é claro, pelo assunto ser interessantíssimo. Isso não significa que todas suas conclusões estejam certas, mas deu vontade de ler o livro. Como conclusão, Nye sustentou que a Inglaterra cresceu apesar das restrições ao livre comércio. No entanto, isso não pareceu derivar logicamente de sua argumentação. Talvez o livro possa esclarecer um pouco disso.

Rubem Fonseca e licenças de importação

“O senhor sabe como é o Brasil...” “Não sei. Me diga.” “Se o senhor tivesse uma empresa de importação e exportação saberia.” “Eu não tenho.” “Para se importar ou exportar qualquer coisa é preciso uma licença da Cexim. Isso não é fácil de conseguir. Muitas vezes é necessária a colaboração de um amigo influente. O tenente Gregório ajudou Paulo a conseguir uma licença... importante... para a empresa dele, a Cemtex, na qual aliás eu tenho uma participação societária. Para fazer o Brasil crescer os empresários precisam se humilhar pedindo favores.”* A passagem foi extraída do romance “Agosto” de Rubem Fonseca: uma mistura de ficção e realidade que retrata o conturbado ambiente político que precede o suicídio de Getúlio em 1954. Para os que estudaram Economia Brasileira, a Cexim é familiar: o órgão responsável pela concessão de licenças de importação. Ao invés de se usar o velho protecionismo tarifário, o governo utilizava licenças, concedendo-as para os setores que “necessitavam...