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Mostrando postagens com o rótulo capital humano

Apresentação via Skype

Às 4 da manhã do domingo, tive que ligar meu computador a fim de apresentar um paper para um workshop sobre "Capital Humano na História Econômica" que estava sendo realizado na Universidade de Tuebingen, Alemanha . Sem verbas para levar um brasileiro para o evento, a organização optou por uma apresentação via Skype. Pensei que eles poderiam me ver, assim como também eu ver a plateia. Mas problemas técnicos impediram isso. Comecei então a apresentação depois que o Prof. Jörg Baten explicou quem eu era. Foi uma sensação bem ruim. Não saber quem era minha plateia, não ver reações do público, nem mesmo ouvi-las (apenas um outro barulho) são coisas bastante desagradáveis para quem está falando. Sozinho no meu quarto e ouvindo minha própria voz, me perdi algumas vezes na curta apresentação que deve ter durado uns 20 minutos. Pelo menos, recebi alguns comentários interessantes de pesquisadores do tema. No final, acho que valeu a pena o sacrifício do sono...

Educação importava antes do século XX?

A miopia dos governantes brasileiros em relação à educação talvez tenha ocorrido justamente porque eles não viam a necessidade dos trabalhadores se educarem para que a industrialização ocorresse. Numa fase inicial da industrialização, é possível pensar nesses termos, uma vez que, como dizia Joel Mokyr, o nível de capital humano não era um fator importante para o crescimento na época da Revolução Industrial. No século XX é que ele teria se tornado importante (lembremos que o Brasil estava apenas começando a se industrializar no século XX). Mas esse paper escrito por alemães parece querer dizer que educação importava na época da Revolução Industrial. Dêem uma olhada. Agradeço ao Ricardo Leal, ex-colega de USP, pela dica.

Workshop em capital humano e história econômica

Devo apresentar um paper em um workshop sobre capital humano na história econômica a ser realizado em Tübingen e organizado pelo Prof. Jörg Baten. Já estão no site os papers selecionados . Recebi recentemente um e-mail sobre as acomodações, um passeio pela cidade, os eventos em um castelo, etc... O grande problema: há alguns meses, disseram-me que não havia fundos para me trazer do Brasil, mas que eu poderia apresentar via Skype. Quem sabe eles não mudam de ideia? Acho que não...

Van Leeuwen: capital humano e crescimento

Uma tese que parece interessante sobre capital humano e crescimento de longo prazo é a do holandês Bas Van Leeuwen (Utrecht, hoje em Warwick) - que faz um estudo comparativo dos casos de Indonésia, Índia e Japão. Visitem o site dele , baixem a tese, os papers , enfim. Vou ter que ler um dia desses...

Capital social e capital humano

Lendo aqui a literatura clássica sobre capital social, temos um paper do sociólogo James Coleman (Chicago, já falecido) que conta um exemplo muito interessante. Em "Social Capital in the Creation of Human Capital", publicado na American Journal of Sociology, Vol 94 (1988), pp. S95-S120, diz Coleman: In one public school district in the United States where texts for school were purchased by children's families, school authorities were puzzled to discover that a number of Asian immigrant families purchased two copies of each textbook needed by the child. Investigation revealed that the family purchased the second copy for the mother to study in order to help her child do well in school. Here is the case in which the human capital of the parents, at least as measured traditionally by years of schooling, is low, but the social capital in the family available for the child's education is extremely high. [...] That is, if the human capital possessed by parents is not compl...

Resposta ao Rabiscos: capital humano e educação

Stein e Berman têm escrito tem bons posts acerca do tema. Reconheço que sou culpado pelos desvios do assunto e, portanto, devo uma resposta ao Stein e à questão levantada por ele sobre capital humano. Meus últimos comentários tinham claramente intenções provocativas e espero não tê-los deixado exasperados. No excelente post do Stein , ele afirma que capital humano e educação não são a mesma coisa. Concordo plenamente com ele. De fato, o conceito de capital humano é muito mais amplo do que as proxies usadas nas regressões e do que simplesmente "educação". Assim como Stein, acredito que educação deve ser defendida por ter importância instrínseca, assim como saúde, por exemplo. No entanto, tentei utilizar o caráter instrumental da educação na argumentação. Embora Stein tenha refutado minha sugestão, o próprio texto indicado por Stein afirma que, na opinião de Xavier Sala-i-Martin, educação a nivel básico parece mostrar evidências significativas na relação com o crescimento de ...

O equívoco da primazia da riqueza

Meu último post foi bastante superficial e bem confuso, escrito no intervalo entre estudos do Mas-Collel e do Greene. No entanto, Stein não perdeu a oportunidade para me rebater em uma questão específica: Respondendo ao Thomas, ao meu ver, a educação não importa muito. Ela parece importa porque ela é uma proxy da riqueza. Quanto mais rica uma sociedade, mais bem educada ela tende a ser. O que conta para a adoção de boas políticas é a riqueza da população. Embora Stein esteja se referindo à importância da educação para que hajam boas políticas, é notório a preponderância que ele dá à riqueza em geral, uma vez que a educação é apenas proxy, uma conseqüência quase natural. Na visão tradicional da economia, o mesmo se aplica a outras variáveis como expectativa de vida, analfabetismo, mortalidade infantil, etc. Para começar, cito Amartya Sen em um exemplo relacionado à saúde: [...] African Americans are very many times richer in income terms than the people of China or Kerala (even after co...

Visões sobre educação e desenvolvimento

A tradicional visão sobre desenvolvimento econômico considera crescimento e desenvolvimento como sinônimos. Muitos também consideram desenvolvimento como crescimento com melhora de outros indicadores. Com relação à educação, a maior parte da literatura costuma apontá-la como algo que conduz ao desenvolvimento. A partir dos trabalhos de Gary Becker, pioneiro na análise do capital humano, a educação passou a ganhar destaque na academia. Saltos econômicos, como os dos paises dos lestes asiáticos, são entendidos como resultado do acúmulo de capital humano, como afirma Gary Becker : The outstanding economic records of Japan , Taiwan , and other Asian economies in recent decades dramatically illustrate the importance of human capital to growth. Lacking natural resources—they import almost all their energy, for example—and facing discrimination against their exports by the West, these so-called Asian tigers grew rapidly by relying on a well-trained, educated, hardworking, and conscien...